22/07 – Pop desembraiada, Jards Macalé e mais Brasil, Nova Iorque, Internet.

(saltámos a emissão de dia 15 – ouviu-se Yo La Tengo e pouco mais)

Desta vez, começámos embalados por deleites pop. Primeiro os Beach Boys e o seu enorme clássico, seguidos pelos Bee Gees, autores da banda sonora de Saturday Night Fever, e ainda Lil Yachty; este último é um músico contemporâneo que tem um dos singles mais absurdos, e igual medida viciantes, dos últimos anos. Vale a pena tentar.

O destaque vai para Jards Macalé, que inaugurou o palco do Festival Mimo neste dia. Falámos com ele no dia anterior. Macalé raramente é mencionado junto dos seus contemporâneos daquela fase muito entusiasmante da música popular brasileira, e é uma injustiça que assim seja; é um dos grandes vultos do seu tempo. Ouvimos duas músicas do seu disco de estreia, e fica a recomendação de que o ouçam na íntegra; e o mesmo se aplica a Nara Leão, que editara Opinião de Nara quase 10 anos antes. Fechámos esta passagem pela MPB com Caetano Veloso, gravado no Reino Unido com a ajuda de Macalé.

Sob o mote da Porto Calling, escutámos os Public Image Ltd., cujo baixista, Jah Wobble, é presença assídua neste programa, e seguimos com a fantástica compilação da Soul Jazz: New York Noise tem reunido pequenas pérolas do imensamente criativo período entre 77 e 84, e de tudo um pouco aconteceu naquela cidade nessa altura (basta recordar, por exemplo, onde andou metido Brian Eno e a própria carreira dos Talking Heads, entre outros).

Para fechar, breve antevisão do concerto de Lightning Bolt – com quem falámos também, e de quem ouvimos música numa emissão a publicar em breve – e novo trabalho de  chris†††: não é bem vaporwave, mas seria irresponsável não considerar que opera sob essa influência, e vale a pena escutar o disco social justice whatever quanto mais não seja pela experiência. A terminar, o sempre pertinente Erik Satie, aqui interpretado pelo mago das bandas sonoras dos filmes de Jacques Demy – Michel Legrand.

1. The Beach Boys – Wouldn’t It Be Nice (Pet Sounds, 1966)
2. Bee Gees – Night Fever (Saturday Night Fever Soundtrack, 1977)
3. Lil Yachty – One Night (extended) (Lil Boat, 2016)
4. Jards Macalé – Meu Amor me Agarra & Geme & Treme & Chora & Mata (Jards Macalé, 1972)
5. Jards Macalé – Mal Secreto (Jards Macalé, 1972)
6. Nara Leão – Opinião (Opinião de Nara, 1964)
7. Nara Leão – Labareda (Opinião de Nara, 1964)
8. Caetano Veloso – Nine Out of Ten (Transa, 1972)
9. Public Image Ltd. – Swan Lake (Second Edition, 1979) | sugestão da Porto Calling.
10. Mofango – Hunter Gatherer (New York Noise, Volume 2: Music From the New York Underground 1977-1984, 2006)
11. Certain General – Back Downtown (New York Noise, Volume 2: Music From the New York Underground 1977-1984, 2006)
12. Lightning Bolt – King of My World (Fantasy Empire, 2015)
13. chris††† – darude sandstorm (social justice whatever, 2017)
14. Erik Satie interpretado por Michel Legrand – Trois Gymnopédies : II. Lent et triste (Piano Works, 1997)

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07/07 – Psicadelismo de guitarra, periferias musicais com rock de base.

Nesta semana, a preparação foi parca além do momento dedicado às The Raincoats, a mais gratificante descoberta deste programa. Por isso, começámos a hora com músicos que não conhecemos assim tão bem – é o caso de Jimi Hendrix, de quem recuperámos um trabalho menos conhecido; seguem-se, depois de uma ignominiosa menção a Shirley Collins, os Sly & The Family Stone, gurus do funk e da soul, num disco que nunca havia por aqui passado.

Breve homenagem a Raul Seixas, autor de um outro genérico d’A Mosca e que surgiu através das sempre produtivas sessões de shuffle na minha biblioteca; mordaz e bem-humorado, é uma referência da música brasileira pós o grande monumento cultural que foi a sua tropicália.

Robert Wyatt é chamado, com o seu disco Rock Bottom, um testemunho difícil numa das fases mais complicadas da sua vida; além disso, um obrigatório disco para ouvir depois desta escuta preliminar no programa, referência do rock progressivo, do jazz fusão, e da música bem ornamentada. Depois, as The Raincoats: grupo britânico (com uma portuguesa no alinhamento, Ana da Silva), que editou no muito prolífico e experimental período do pós-punk. Este disco em particular não denuncia essa nomenclatura e evita limitar-se ao espectro do punk: ouvem-se violinos, por exemplo, e melodias e ritmos que não se coadunam de todo com a desenfreada energia dessa altura. É um excelente álbum! Ouçam-no.

Já na recta final, recuperámos o nome de Glenn Branca, uma referência d’A Mosca pelo seu magistral The Ascension. No início deste projecto, havia uma regra não explícita que proibia a repetição de artistas; por isso, tínhamos que ser extremamente cuidadosos na escolha das canções, para que fossem o mais possível representativas e dignas de um dado grupo. Já não a cumprimos à risca, mas não é com frequência que a quebramos, e Glenn Branca merece essa veleidade: este é um dos trabalhos mais extraordinários no que a som de guitarras diz respeito. Depois, uma experiência a solo de Ana da Silva, num disco já deste século, e fechámos com o novo de Avey Tare, parte integrante dos Animal Collective, com mais um trabalho em nome próprio, deste ano.

1. The Jimi Hendrix Experience – Little Wing (Axis: Bold as Love, 1969)
2. The Jimi Hendrix Experience – Spanish Castle Magic (Axis: Bold as Love, 1969)
3. Sly & The Family Stone – Higher (Dance to The Music, 1970)
4. Raul Seixas – Ouro de Tolo (Krig-Ha Bandolo, 1974)
5. The Soft Machine – Dada Was Here (Volume Two, 1969)
6. Robert Wyatt – Little Red Riding Hood Hit The Road (Rock Bottom, 1974)
7. The Raincoats – Family Treet (Odyshape, 1981) | sugestão da Porto Calling.
8. The Raincoats – Go Away (Odyshape, 1981)
9. Glenn Branca – Structure (The Ascension, 1981)
10. Ana da Silva – Hospital Window (The Lighthouse, 2005)
11. Avey Tare – Melody Unfair (Eucalyptus, 2017)

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17/08 – Ao vivo com trupe vária em salutar folia Courense.

(saltámos alguns episódios, sim – não se preocupem, não esquecemos as emissões anteriores pendentes)

Fazemos um pequeno desvio do calendário habitual dos podcasts para trazer uma das várias emissões que se gravaram durante o Festival Vodafone Paredes de Coura! A cobertura do festival foi feita para a Rádio Lisboa, com a companhia da nossa muito querida Isabel Leirós, mas logo no primeiro dia juntámos alguns amigos para uma hora muito DIY – arranjámos electricidade com os nossos amigos da OatMill – que tem, muito provavelmente, a melhor comida em festivais de sempre -, dispusemos alguns bancos em círculo à volta dos microfones, e abrimos o vinho. Ingredientes necessários para uma muito divertida, embora talvez não muito relevante musicalmente, emissão d’A Mosca: tivemos Bruno Pernadas, bons sons acalentados por auto-tune, considerações sobre outros concertos e dicas em jeito de antevisão para os que se seguiriam ao longo do festival.

As várias horas de cobertura ficam arquivadas, em podcast, no site da Rádio Lisboa (a dada altura nos próximos dias, está prometido). À excepção desta, foram todas gravadas na área de imprensa, o que deu azo a interessantes e inusitadas situações – às vezes, ambas. Desde uma roda viva de fotojornalistas a discutir o seu ofício e entrevistas com Adolfo Luxúria Canibal Valter Lobo, a karaoke em directo e perseguições a vespas asiáticas – de tudo um pouco aconteceu por lá.

Para o ano há seguramente mais. Estamos a preparar a nossa rentrée, a pôr os podcasts em dia…e é isto. Muito obrigado a todos por estes óptimos dias passados!

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30/06 – Música nova dos Ermo, pop-de-direita e experimentação de lata de conserva.

(parece que saltámos uma emissão, mas a de dia 23 foi usada para testar um novo formato de programa que virá em breve – talvez Setembro)

Fechámos o mês de Junho em beleza.

Primeiro, as Clube Naval. Recuperámos este single a um baú cibernético algures, música pop inteiramente portuguesa escrita por Miguel Esteves Cardoso. Uma autêntica pérola, e uma autêntica lapa no nosso ouvido, que satiriza alguma ideologia de direita – reside aí muito do fascínio – mas sem pruridos em entrar na pop ridícula; e essa, como sabem, também é uma das nossas fraquezas. Seguimos depois com os mais tradicionais Fleetwood Mac, a um disco que nos chegou por directa recomendação do baixista dos Radiohead, Colin Greenwood, que o considera um dos marcos da produção musical.

Como propedêutica à música nova que temos nesta emissão, ficámos com a abertura do disco primeiro de James Blake, e que nos parece ter tido um impacto considerável no ano de 2011; em particular, o seu uso de auto-tune como forma de estabelecer uma estética no disco, e, de uma forma mais abrangente, a ponte que fez entre a postura de cantautor e o dubstep que inflamou a indústria. Logo de seguida, o prato principal de hoje: novo disco dos Ermo, seguramente um dos trabalhos a lembrar deste ano, e que esmiuçámos entretanto – embora muito tenha ficado por dizer. Concluímos a sequência com novo trabalho de Laurel Halo.

Num itinerário final, começámos sob a batuta dos experimentais This Heat, e o seu essencial disco de 79, com o mesmo nome. Os britânicos nunca se prenderam com regras e este seu trabalho é uma expressão pura de atitude punk, vontade de trilhar caminhos novos e uma aguda sensibilidade para atmosferas pouco ortodoxas. O disco seguinte, já de 1981, aproxima-os de estruturas mais reconhecíveis, mas ainda experimentais. É uma música que nos recorda a Porto Callinga melhor loja de vinil do país e que nos tem prestado um preciosíssimo apoio.

A terminar, uma incrível colaboração entre dois nomes dos alemães Can e Jah Wobble, que fez carreira nos Public Image Ltd. Toada krautrock embebida em ácido, absolutamente imperdível. Fechámos com uma pequena loucura abstracta de Evan Parker.

1. Clube Naval – Professor Xavier (Professor Xavier / Salva-vidas, 1983)
2. Fleetwood Mac – The Ledge (Tusk, 1987)
3. Fleetwood Mac – Sara (Tusk, 1987)
4. James Blake – Unluck (James Blake, 2011)
5. Ermo – ctrl + c ctrl + v (Lo-Fi Moda, 2017)
6. Ermo – «» Entre Aspas (Lo-Fi Moda, 2017)
7. Laurel Halo – Moontalk (Dust, 2017)
8. This Heat – The Fall of Saigon (This Heat, 1979)
9. This Heat – S.P.Q.R. (This Heat, 1981)
10. Holger Czukay, Jah Wobble & Jaki Liebezeit – Full Circle R.P.S. (No. 7) (Full Circle, 1982)
11. Evan Parker – Monoceros 2 (Monoceros, 1978)

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(peça da capa da autoria de Daniel Boccato, herald, 2012, bolts, concrete, plywood)

17/06 – Memórias do NPS, novos da Cafetra, Heróis do Mar e experimentação.

(pelo meio perdemos uma emissão, uma na qual não respeitámos ordem nenhuma, se leu poesia e passou coisas bem interessantes desde o primeiro minuto; como não há memória digital, não há memória física também. É uma pena, e esperamos que não volte a acontecer; um agradecimento ainda ao enorme Vítor Rua que samplámos para belo efeito no início do programa. O original está aqui, o primeiro e até agora único episódio de uma eventual experiência no Youtube)

A primeira emissão após o NOS Primavera Sound!

Nos primeiros momentos, recordámos música de Flying Lotus como tentativa de chegar à experiência que foi o seu espectáculo no festival; não estivemos nem perto, mas valeu a pena – e o seu filme Kuso já saiu oficialmente! Ainda em matéria de recordações, e dado que o disco cumpre em 2017 vinte anos de existência, fomos ouvir os Radiohead e uma das várias possíveis canções de Ok Computer. Qualquer uma cumpriria a tarefa mas optámos por Subterranean Homesick Alien; pelo caminho profanámos duplamente a carreira dos Spiritualized: chamámos-lhe Specialized (argolada nº 1) e esquecemos o nome do seu disco que também saiu em 1997 (argolada nº 2, e chama-se Ladies and Gentlemen We Are Floating in Space). Depois avançámos para os Death Grips, um nome que tem ganho cada vez mais destaque nas nossas emissões.

 Nesta emissão, fomos descobrir novos lançamentos da Cafetra Records, casa de Éme Pega Monstro. Deles ouvimos, respectivamente, músicas dos discos Domingo à Tarde Casa de Cima (e este último já pudemos conferir ao vivo). Dois trabalhos com personalidade, representantes do bom que se faz por aqui, em Portugal, neste momento.
Ainda no domínio da música portuguesa, houve resposta ao repto do Gonçalo Costa no último podcast; perguntou-nos se os Heróis do Mar eram ou não o “grupo mais reaccionário do seu tempo”. A resposta veio de um ilustre convidado: Adolfo Luxúria Canibal, um dos maiores da música portuguesa. A qualidade de som não foi a melhor; por isso, recomenda-se que ouçam a intervenção acompanhada da transcrição.

“Não, não considero que os Heróis do Mar fossem o grupo mais reaccionário do meu tempo. Houve um grande equívoco por causa de uma determinada estética que eles utilizaram, nomeadamente uma estética nacionalista, mas em termos do uso dessa mesma estética, e em termos musicais – a forma como procuraram desenvolver a música portuguesa no seu tempo -, revolucionaram muito o que se fazia na época”

“(…) e são nitidamente uma transição entre um grupo que os principais ideólogos de direita mais gostavam (sic?) anteriormente, que eram os Corpo Diplomático, e um grupo que se seguiu aos Heróis do Mar, os Madredeus – e se os enquadrarmos nesse grupo anterior e posterior, vê-se bem que os Heróis do Mar nunca poderiam ser um grupo reaccionário. Foram uma “correia de transmissão” entre estes dois grupos, entre estas duas estéticas, duas formas de desenvolver a música portuguesa e nesse sentido foram também um grupo revolucionário dentro do que se fazia em Portugal e no que se chamava a música moderna portuguesa.”

“(…) por causa da época, finais de 70 e início dos 80, com a revolução de Abril ainda recente e uma esquerda empedernida nos media, nomeadamente no Semanário Se7e, que não conseguia ver para além da cartilha ideológica, o facto de pegarem em símbolos nacionalistas e pegarem numa espécie de pré-ancestralidade do conceito de Portugal, foram apelidados de reaccionários e fascistas e coisas piores, quando isso não tinha nada a ver, e criou polémica mediática e acabou por lhes ficar cravado na testa esse símbolo, embora não correspondesse à verdade.”

A resposta à questão do Adolfo deu pano para mangas e ainda está em período de gestação. Seguimos com os Mler Ife Dada, referência da pop dos anos oitenta portuguesa.
Pela mão da Porto Calling, chegou-nos a música de Jaco Pastorius, baixista dos Weather Report que aqui se apresenta em registo de nome próprio; Portrait of Tracy é um impressionante e íntimo exercício conduzido apenas pelo seu baixo eléctrico.
Até ao final da emissão, aproveitámos os minutos restantes para explorar alguns discos de toada mais experimental e alguns contemporâneos. Os Royal Trux vieram ao Primavera Sound para um concerto de início de tarde; é um arrependimento insanável não os termos visto; de Chino Amobi ouvimos música do seu novo trabalho. Recordámos a música de Mika Vainio, com carreira predominante na área da electrónica e que nos deixou este ano; e despedimo-nos com nova experiência de Aaron Dilloway, do disco Gag File. Uma sequência final irrepreensível! 

1. Flying Lotus – Ready Err Not (You’re Dead!, 2014)
2. Radiohead – Subterranean Homesick Alien (OK Computer, 1997)
3. Death Grips – Takyon (Death Yon) (Ex-Military, 2011)
4. Éme – Tédio (Domingo à Tarde, 2017)
5. Éme – Chá com Mel (Domingo à Tarde, 2017)
6. Pega Monstro – Fado da Estrela do Ouro (Casa de Cima, 2017)
7. Pega Monstro – Cachupa (Casa de Cima, 2017)
Os Heróis do Mar são o grupo mais reaccionário do seu tempo? reflexão sobre os Heróis do Mar e as circunstâncias da sua música, por Adolfo Luxúria Canibal.
9. Mler Ife Dada – Ele e Ela…e Eu (L’Amour Va Bien, Merci, 1986)
10. Jaco Pastorius – Portrait For Tracy (Jaco Pastorius, 1976)
11. Royal Trux – Sice | Bones (Royal Trux, 1988)
12. Chino Amobi – BERLIN (Airport Music for Black Folk, 2017)
13. ø (Mika Vainio) – Hion (Metri, 1994)
14. Aaron Dilloway – Ghost (The Gag File, 2017)

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26/05 – Experiências brasileiras, jazz na pop e Lena D’Água até é fixe.

A última do mês de Maio!

Recuperámos o disco de Blood Orange, que havia feito companhia nessa semana. Houve quem dissesse, a propósito do NOS Primavera Sound, que Miguel carregava o legado de Prince às costas: mas ouça-se o projecto de Dev Hynes.

Seguimos com um dos destaques desta emissão: o maravilhoso álbum de Olivia Byington, de 1978, em perfeita deliciosa junção de rock psicadélico com experimentações várias, mas sempre no domínio de música pop. Uma pérola obrigatória! Seguimos com uma colaboração do prolífico período da tropicália.

Depois a música de Joni Mitchell, de um dos seus discos menos ouvidos, e seguimos em toada de jazz com pedidos dos ouvintes: primeiro, Bruno Pernadas, logo de seguida, BADBADNOTGOOD. 

Havia ficado pendente a resposta à pergunta da Isabel Leirós – o porquê da ressurgência de Lena D’Água, com reedições no estrangeiro e aparição no Festival da Canção – e Gonçalo Costa, estudante de Ciências da Comunicação em Braga, ousou a resposta.

Terminámos com a belíssima colaboração entre Sonny Sharrock e a sua esposa, Linda; território free jazz. Segue-se Blondie, a pedido da Isabel, e fechámos a sessão com a delicada voz de Nico, que a emprestara alguns anos antes aos Velvet Underground.

1. Blood Orange – Best To You (Freetown Sound, 2016)
2. Olivia Byington – Luz do Tango (Corra o Risco, 1978)
3. Os Mutantes + Gal Costa + Caetano Veloso + Gilberto Gil – Parque Industrial (Tropicália ou Panis et Circensis, 1968)
4. Joni Mitchell – For Free (Ladies Of The Canyon, 1970)
5. Bruno Pernadas – Valley in the Ocean (Those who throw objects at the crocodiles will be asked to retrieve them, 2016)
6. BADBADNOTGOOD – Time Moves Slow (ft. Sam Herring) (IV, 2016)
Lena D’Água até é fixea resposta à Isabel Leirós, por Gonçalo Costa.
7. LiLiPUT – Ain’t you (da compilação LiLiPUT, que reúne (todo?) o trabalho gravado da banda, 1993) | sugestão da Porto Calling.
8. Olivia Byington – Cavalo Marinho (Corra o Risco, 1978)
A Isabel não ficou convencida e pede Blondie.
9. Sonny Sharrock – Blind Willy (Black Woman, 1970)
10. Blondie – Heart of Glass (Parallel Lines, 1978)
11. Nico – These Days (Chelsea Girl, 1967)

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19/05 – Twin Peaks regressa, loucuras de 1968, e jazz.

Mais um directo do mês de Maio!

Começámos com dois nomes do jazz: primeiro, Ryo Fukui, cujo disco Scenery aparece recorrentemente nas recomendações do Youtube, e depois, Chet Baker, com dois exemplos de dois discos distintos. Seguiu-se uma jornada pelo hip-hop, com nomes contemporâneos e desses, um enorme peso-pesado: Oddisee com o seu novo disco deste ano, e milo com duas faixas antigas; como sabem, nutrimos uma predilecção especial por este último. Terminámos com Death Grips, do seu Money Store.

Dado que se aproximava o lançamento da nova temporada de Twin Peaks, comemorámos a ocasião ao revisitar a interpretação de Xiu Xiu desta magistral banda sonora – mesmo que tenhamos ido ao engano numa das vezes.

E antes de fechar a emissão com uma pouco-escutada versão da Amar Pelos Dois (esta foi a primeira emissão após termos ganho o festival), passámos por música lançada no louco ano de 1968. Primeiro, a recomendação da Porto Calling trouxe-nos os Silver Apples, grupo minimal que se orientou predominantemente na electrónica rudimentar, pese embora fizessem coisas incríveis; logo de seguida, um grupo que por aqui já passou e nunca é demais relembrar: os The United States of America, um dos nomes mais famigerados desta década, que produziram apenas um disco e podiam ter feito mais dois ou três. É uma loucura. Deviam ouvi-lo.

Assim passámos a hora da semana.

1. Ryo Fukui – It Could Happen To You (Scenery, 1976)
2. Chet Baker – Baby Breeze (Baby Breeze, 1964)
3. Chet Baker – She Was Too Good to Me (She Was Too Good to Me, 1974)
4. Oddisee – Built By Pictures (The Iceberg, 2017)
5. milo – Sophistry and Illusion (Cavalcade, 2013)
6. milo – sweet chin music (Things That Happen at Day, 2012)
7. Death Grips – Hustle Bones (The Money Store, 2012)
8. Xiu Xiu – Into the Night (Plays the Music of Twin Peaks, 2016)
9. Xiu Xiu – Laura Palmer’s Theme (Plays the Music of Twin Peaks, 2016)
10. Silver Apples – Oscillations (Silver Apples, 1968) | sugestão da Porto Calling.
11. The United States of America – I Won’t Leave My Wooden Wife For You, Sugar (The United States of American, 1968)
12. Salvador Sobral – Amar Pelos Dois (ao piano, num programa de televisão)

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12/05 – Noções capitalistas, desumanização, e a ̮͙̪̯͢ạ̵̩͍s̷̹̝̼̣̤c̠̙̮͈̼ḛ̢̜n̖ç̞͚͜ã̴͈̹̜̺̻̙o ḓ͍̳͍̫a͞ ̷̗̳̠̣̞͎m̰̫̲̙̕á̲̥͍͓͜q͔̘u̳̪͠ina͉.̞̰̳̟̠

Ora.

Algo de muito estranho se passou nesta emissão. Embora não tenha sido uma habitual transmissão em directo, deixámos tudo preparado num ficheiro .mp3 que foi para o ar à hora marcada. Estava alinhado que iríamos começar com Tatsuro Yamashita, nome nipónico associado a uma vertente muito particular da pop japonesa, feita especialmente para ser ouvida nas novas e vibrantes auto-estradas do Japão. É música com um intrínseco e subliminar espírito consumista, e isto é algo que nos fascina.

Depois, tínhamos planeado ouvir os americanos DEVO, um fascinante projecto que começou, como já ouvimos noutras emissões, com um espírito tremendo de irreverência e criatividade, intimamente ligados ao no-wave, ao rock, e até com alguns ares de punk, mas aqui, no disco New Traditionalists, aproximaram-se mais da electrónica – e o resultado ficou muito interessante, também. Seguiram-se os nossos amigos Kraftwerk, com o disco Die Mensch-Maschine, de 1978.

Só que, infelizmente, tudo começou a ficar estranho a partir da intervenção de Laurie Anderson. Por algum motivo, parece que perdemos o controlo da emissão a partir daqui, e o alinhamento que tínhamos previsto não se concretizou. Do que aconteceu até ao final da hora, conseguimos recuperar o nome de Nuno Canavarro, ex-integrante dos Delfins e autor de um dos mais bonitos discos electrónicos-experimentais portugueses; os Passengers, super-grupo constituído pelos U2 mais a especial participação de Brian Eno, e ainda o enigmático Dean Blunt, prolífico desde o seu disco Black Metal (que, para nós, foi um dos melhores de 2014, já previamente escrutinado).

Conseguimos, ainda assim, resgatar a sugestão da Porto Calling, a música de Moondog, mas perderam-se todos os eixos de seguida quando, até ao final da hora, ficámos com um artista japonês, 細野晴臣, e o feito artístico de Sam Kidel, denominado Disruptive Muzak – merece ser escutado pelo menos uma vez, para lhe apreender o conceito.

1. Tatsuro Yamashita – Sparkle (For You, 1982)
2. DEVO – Beautiful World (New Traditionalists, 1981)
3. Kraftwerk – Das Model (Die Mensch-Maschine, 1978)
4. Laurie Anderson – B͂̀̓̒o̵͋̉̆ͭ͒r̾̏͛̓͂n,̐̒̂ͧ͠ ̈́̓ͬ̕Ņ̀̀̐ͤͬ̋e̵͌ͮ͋̈́ͪv͡e̛̔̉̎͂͋̐̚r͆̇ ́X̀ ̢̽ͤͪ(Big Science, 1982)
5. Nuno Canavarro – Wask (Plux Quba, 1998)
6. Passengers (U2 + Brian Eno) – One Minute Warning (Original Soundtracks 1, 1995)
7. Dean Blunt – 04 Brown Grrl
8. Moondog – Moondog’s Theme (More Moondog, 1956) | sugestão da Porto Calling.
9. 細野晴臣 – Talking (花に水, 1984)
10. Sam Kidel – Disruptive Muzak

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05/05 – Viagens pelo Espaço, pop de sintetizadores, punk, e paisagens instrumentais.

Estamos especialmente expeditos na reposição dos podcasts!

O programa desta semana fica marcado pelo iminente concerto de José Cid – realizou-se no dia seguinte, na Casa da Música – e o seu disco seminal 10.000 Anos Entre Vénus e Marte; daí, ouvimos Caos. Recordámos ainda os Monstros Sagrados, ainda dos Quarteto 1111 mas reeditado no seu disco a solo mais recente.

Depois, tempo de recordar os Beatles, a propósito do seu baterista Ringo Starr, e o disco Abbey Road; por lá ficámos algum tempo, em considerações várias sobre os britânicos e o seu baterista. Esta foi uma emissão com poucos álbuns, já que logo de seguida assentámos em Dazzle Ships, de 1983, da autoria dos Orchestral Manoeuvres in the Dark, grupo seminal do synth-pop britânico. É um óptimo disco, baseado no clima da Guerra Fria e experimental para o habitual standard deste género.

Poderia ser uma sugestão da Isabel Leirós, que estreou um novo espaço neste programa, embora de parca regularidade: o convidado de cada emissão comenta a sugestão do anterior, e sugere uma próxima; como a Isabel foi a primeira, decidiu trazer-nos um pouco de história da música britânica – ouvimos, depois, os Buzzcocks – e lançou a pergunta para o voluntário seguinte. Confiram na emissão, porque correu bastante bem.

Já com olhos postos no final do programa, avançámos para a recomendação da Porto Calling, que propôs um obrigatório nome na cena punk / experimental: Vivien Goldman, mulher de muitos ofícios, mas que nos deixou pouquíssima coisa gravada e disponível para recuperar; revisitámos o Angola 74do angolano Bonga, e terminámos em grande com, mais uma vez, os Japan. Encantaram-nos na emissão anterior, e desta vez fomos ao disco Gentlemen Take Polaroids, em paisagem instrumental.

1. José Cid – Caos (10.000 Anos Entre Vénus e Marte, 1978 (reedição 2017))
2. José Cid – Monstros Sagrados (Menino Prodígio, 2015)
3. The Beatles – Here Comes The Sun (Abbey Road, 1969)
4. The Beatles – Octopus’ Garden (Abbey Road, 1969)
5. Orchestral Manoeuvres In The Dark – Telegraph (Dazzle Ships, 1983)
6. Orchestral Manoeuvres In The Dark – The Romance of the Telescope (Dazzle Ships, 1983)
Os Buzzcocks e o punk e britpop – intervenção inaugural do cadáver esquisito, pela Isabel Leirós.
7. Buzzcocks – Ever Fallen In Love (With Someone You Shouldn’t ‘ve?) (Love Bites, 1978)
8. Vivien Goldman – Launderette (Dirty Washing EP, 1981)
9. Bonga – Ghinawa (Angola 74′, 1974)
10. Japan – Swimming (Gentleman Take Polaroids, 1980)

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28/04 – Rock e pop do sótão, e breves experimentações.

Depois de uma Sexta-feira Santa e de uma das emissões mais absurdas d’A Mosca de que há memória – e que ficará incógnita neste blog, por uma questão de dignidade – voltámos ao usual e às emissões em directo para a Rádio Lisboa.

Desta vez, quase metade do programa foi dado a conhecer pelo trabalho de campo da label Light In The Attic, que recentemente se especializou em recuperar gravações perdidas, ou fora de circulação, para que possam chegar a novos ouvidos. Assim, conhecemos o trabalho da Betty Davis, uma autêntica força da natureza do funk e do rock, que esteve, durante um curto espaço de tempo, casada com Miles Davis. Ouvimos duas das suas músicas, e seguimos, sem quebrar a toada, com Lizzy Mercier Desclouxnossa conhecida e repetente no programa. Fazemos uma pausa nas descobertas da Light quando trouxemos os DEVO (produzidos por Bri…enfim, já o saberão decerto), para logo depois voltarmos ao grupo The Free Design, que fazem lembrar uns Carpenters caso tivessem enveredado pela vida hippie comunitária, e a Rodriguez, o mais mediático caso de sucesso desta editora. E embora já tenhamos ouvido vários trabalhos do britânico, tivemos que mencionar o seu disco Before and After Science, um dos poucos do seu período pop que ainda nos faltava; e completámos a jornada de cantautores com Serge Gainsbourg, sugestão da Porto Calling, que, camaleónico, foi dar uma perninha junto da Jamaica e do reggae. Guardámos os momentos finais para alguma experimentação: primeiro, os Throbbing Gristle, endiabrados britânicos afectos à música perversa; depois, Jenny Hval, que actuaria no dia seguinte em Braga; e terminámos com o footwork impressionista do japonês Foodman. Uma semana de emissão difícil, em parcas condições vocais, pelas quais pedimos antecipadamente as possíveis desculpas.

1. Betty Davis – You Won’t See Me in the Morning (Betty Davis, 1973)
2. Betty Davis – Come Take Me (Betty Davis, 1973)
3. Lizzy Mercier Descloux – Fire (Press Color, 1979)
4. DEVO – Uncontrollable Urge (Q: Are We Not Men? A: We Are Devo!, 1978)
5. The Free Design – Canada in Springtime (There Is A Song, 1972)
6. The Free Design – My Very Own Angel (Heaven / Earth, 1969)
7. Rodriguez – I Think Of You (Coming From Reality, 1971)
8. Brian Eno – Here He Comes (Before and After Science, 1977)
9. Serge Gainsbourg – Aux Armes et caetera (Aux Armes et caetera, 1979) recomendação da Porto Calling.
10. Throbbing Gristle – Hot on the Heels of Love (20 Jazz Funk Greats, 1979)
11. Jenny Hval – Conceptual Romance (Blood Bitch, 2016)
12. Foodman – Hikari (Ez Minzoku, 2016)
13. Foodman – Waterfall (Ez Minzoku, 2016)

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