24/03 – Vaporwave em sonhos, experimentação coreana, manipulações digitais.

Nesta emissão (cujo directo falhou nos primeiros momentos) usámos uma série de gravações externas e dedicámo-nos cedo à experimentação; por isso, e ao som de um forno, recuperámos as declarações de Christopher Wylie no âmbito da investigação à Cambridge Analytica.

Depois, seguimos com a pop imaculada de Rae Morris (com disco deste ano), e recuperámos mais música de R. Stevie Moore, ainda do mesmo disco que ouvimos na emissão anterior. E esta incursão pré-experimentação fecha-se com a música de Perez Prado, uma belíssima recomendação da Porto Calling.

Segue-se a música de Park Jiha – música de 2016 editada em 2018 – num registo que se destaca dos demais. Aplica a instrumentação tradicional da sua Coreia do Sul natal à  composição em torno de melodias simples; é bonita música exótica sem ser abrasiva, nem de difícil apreensão. E depois, lançámo-nos a um belíssimo disco que resulta da colaboração entre t e l e p a t h agia (embora apenas conheçamos o primeiro), e que aqui foi apimentada com excertos de um podcast sobre os efeitos da falta de sono, e da experiência de sonho em geral (cortesia do programa Hurry Slowly). De resto, todo o disco merece uma escuta. É mesmo muito bonito.

E daí, partimos para uma experiência da autoria de Paul de Marinis, incluída numa brilhante compilação  Ghosts and Monsters – Technology and Personality in Contemporary Music, que reúne uma série de nomes importantes da electrónica experimental e afins (John Cage, Robert Ashley, Michael Snow et al). Para terminar a emissão, ouvimos uma vez mais, porque me esqueci termo-la ouvido na semana anterior, mais uma faixa de barrio sur (que é fantástica), e fechamos com Love Theme, projecto no qual participa Alex Zhang Hungtai (de quem já devíamos ser amigos, claro).

1. Rae Morris – Push Me To My Limit (Someone Out There, 2018)
2. R. Stevie Moore – She Don’t Know What To Do With Herself (Phonography, 1978)
3. Perez Prado – Lovechild | recomendação da Porto Calling.
4. Park Jiha – Communion (Communion, 2018)
5. t e l e p a t h & agia – The Light Of Our Love (The Light of Our Love, 2018)
6. Paul de Marinis – The Lecture Of Comrade Stalin At The Extraordinary 8th Plenary Congress About The Draft Concept Of The Constitution Of The Soviet Union On November 25, 1936 (Ghosts and Monsters – Technology and Personality in Contemporary Music, 1999)
7. barrio sur – Crepuscular IV (“बड़ा शोक (heart break), 2018)
8. Love Theme – Docklands – Yaumatei – Plum Garden (Love Theme, 2017)

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17/03 – Rock glamoroso, música independente e DIY, e som.

Depois de uma caótica emissão na semana anterior (que não foi catalogada, mas está disponível no Patreon), voltámos a mais um directo. Para começar, uma breve passagem pela música dos Death Cab For Cutie, e logo depois explora-se um pouco de MASSEDUCTION, disco de 2017 de St. Vincent. Acho que não se pode dizer que esteja mais entregue à pop – porque foi sempre esse o seu domínio – mas há aqui muita coisa a resultar bem. Fica a nota.

Da década de 70, sacámos a cacofonia alegre e explosiva dos Sparks – e faço, durante a emissão, uma analogia com uma eventual banda britânica, que passou despercebida e aguardo quem a identifique. Mas sim: muito operáticos e energéticos. Reduziu-se a velocidade com a melosa música de A$AP Rocky.

O grande destaque desta hora vai para a música de R. Stevie Moore, um dos nomes, por excelência, do diy americano. Com muitas gravações caseiras posteriormente distribuídas por correio postal, a sua obra é absurdamente grande (400+ discos editados) e impossível de catalogar. Por isso, hoje explorámos o seu disco Phonography, que é um óptimo ponto de partidae ficámos ainda com uma sugestão do seu aprendiz Ariel Pink, que editou uma colectânea sobre o catálogo supramencionado.

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Curiosamente, o nome do disco de Steve Moore remete-nos para a artista seguinte. Overheard in Doi Saket, da autoria de Kate Carr, é um trabalho recente, de 2014, que reúne uma série de field recordings gravados na Tailândia; cada uma das faixas tem entre 1 a 7 minutos e documenta, de uma forma muito particular, uma ambiência sónica. O papel do artista não é muito interventivo – grava, apenas, e compila os sons; e para esta actividade há quem use o termo phonography, precisamente por ser o equivalente a uma fotografia em áudio. É um  registo incrível – deviam experimentar.

E, para terminar, passámos por Barrio Sur, nome do disco e do artista (repararam neste negrito itálico? eficiência), e um outro nome sob o qual Dedekind Cut faz música. Este projecto sem a colaboração (e a influência) de Alex Zhang Hungtai e estas duas faixas são muito boas.

❗Este programa teve o apoio da Porto Calling, a melhor loja de vinil do país no Porto.

1. Death Cab For Cutie – I Will Follow You Into The Dark (Plans, 2005)
2. St. Vincent – Los Ageless (MASSEDUCTION, 2017)
3. St. Vincent – Pills (MASSEDUCTION, 2017)
4. Sparks – This Town Ain’t Big Enough For The Both Of Us (Kimono My House, 1974)
5. Sparks – Falling in Love With Myself Again (Kimono My House, 1974)
6. A$AP ROCKY – Excuse Me (AT.LONG.LAST.A$AP, 2015)
7. R. Stevie Moore – Explanation of Artist (Phonography, 1978)
8. R. Stevie Moore – Showing Shadows (Phonography, 1978)
9. R. Stevie Moore – I’ve Begun To Fall In Love (Phonography, 1978)
10. R. Stevie Moore – Goodbye Piano (Phonography, 1978)
11. R. Stevie Moore – Don’t Be Ridiculous (Ariel Pink Picks Vol. 1, 2006)
12. Kate Carr – Snatches (Overheard in Doi Saket, 2014)
13. Barrio Sur – redemption (7inch) (“बड़ा शोक (heart break), 2017)
14. Barrio Sur – Crespuscular IV (“बड़ा शोक (heart break), 2017)

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02/03 – Pop em auto-destruição, devaneios cósmicos e experimentação da boa.

Que belíssima hora, esta primeira de Março!

A emissão começa com uma das grandes canções pop do ano passado: Kim Petras (neé Tim, e que participará, mais tarde, no POP2 da Charli XCX) produz um autêntico hino mimado e consumista, tal como toda a grande música pop deve ser: escapista, ridícula, e deliciosa. Há-de lançar o disco de estreia em breve.

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Ainda no âmbito da pop, fomos relembrar o belíssimo disco dos Kero Kero Bonito, lançado em 2016 e que nos conquistou em 2017. Ora: lançaram um novo EP, muito curto mas intenso, donde tirámos Only Acting. E embora se descolem duma certa inocência (e talvez até de um primor na composição), o rumo do single é ambicioso e mostra que estão prontos para novas experiências. E ainda no âmbito da pop, e em particular de takes modernos e prevaricadores, é obrigatória a referência a Kirin J. Callinan, cujo Bravado é um disco absolutamente transgressor e de irónica postura quanto aos hábitos e costumes do género. Terminámos a incursão pela pop com Kate Bush, e um bonito, presciente hino sobre nós e computadores; e, de seguida, a Porto Calling sugere a música das Thee Headcoatees (gostámos tanto que ouvimos duas vezes!).

Já numa segunda parte do programa, fomos picar um disco dos The Legendary Pink Dots, grupo mítico de um certo registo electrónico, e terminámos com as experiências sonoras de id m theft able, um artista americano que produz muito na área dos field recordings e outras produções inclassificáveis. Fica para breve uma entrevista com o senhor.

1. Kim Petras – I Don’t Want It At All (2017)
2. Kero Kero Bonito – Break (Bonito Generation, 2016)
3. Kero Kero Bonito – Only Acting (TOTEP, 2018)
4. Kirin J. Callinan – S.A.D. (Bravado, 2017)
5. Kate Bush – Deeper Understanding (The Sensual World, 1989)
6. Thee Headcoatees – Punk Girl (Punk Girls, 1999) | sugestão da Porto Calling.
7. Thee Headcoatees – You’re Right, I’m Wrong (Punk Girls, 1999) sugestão da Porto Calling.
8. The Legendary Pink Dots – I Love You In Your Tragic Beauty (The Crushed Velvet Apocalypse, 1990)
9. The Legendary Pink Dots – Just a Lifetime (The Crushed Velvet Apocalypse, 1990)
10. id m theft able – and polka nonnonchalant, oh aspirant superman! (E Custodial New Star Gaze, 2014)
11. id m theft able – Bessey Softball Field and Surrounding Woods (if I’m too fat for you, why don’t you come over here and suck out all the fat?, 2016)

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capa da autoria de id m theft able

16/02 – @s do costume, música inconsciente e violinos em desarranjo.

Era meio do mês de Fevereiro, e começámos a hora com mais uma participação de Charli XCX em música alheia: desta vez, uma colaboração com o produtor japonês Yasukata Nakata, que lançou disco novo este ano. Segue-se, ainda no domínio da pop mas de forma mais trangressora, M.I.A. e logo depois SOPHIE (Faceshopping tinha acabado de sair; estamos em Junho e o novo disco já está cá fora). Três nomes essenciais para apreender, e compreender, a abrangência da pop da última década.

A propósito de nada em particular, recuperámos David Bowie, num dos trabalhos de mais caótica produção na sua carreira. Depois, Tim Maia (!), depois, Jorge Ben. Ouçam tudo.

Há ainda a sugestão da Porto Calling, numa bonita vertente de jazz britânico, num registo que exploraremos mais tarde; e as duas últimas faixas são dedicadas a registos mais experimentais. De ambos, recomendamos vivamente o último.

E é isto. Há que fazer chegar as emissões em atraso!

1. Yasutaka Nakata – Crazy Crazy feat. Charli XCX & Kyary Pamyu Pamyu (Digital Native, 2018)
2. M.I.A. – XXX0 (/\/\/\Y/\, 2010)
3. SOPHIE – Faceshopping (2018)
4. David Bowie – Stay (Station To Station, 1976)
5. Tim Maia – You Don’t Know What I Know (Racional, vol. 1, 1975)
6. Tim Maia – Leia O Livro Universo Em Desencanto (Racional, vol. 1, 1975)
7. Tim Maia – Contacto Com o Mundo Racional (Racional, vol.1, 1975)
8. Jorge Ben – Errare Humanum Est (A Tábua de Esmeralda, 1974)
9. Jorge Ben – Menina mulher da pele preta (A Tábua de Esmeralda, 1974)
10. Shirley Scott – Soul Shoutin’ (Mod Jazz, 1971) | sugestão da Porto Calling.
11. Kronos Quartet & Laurie Anderson – The Water Rises (Landfall, 2018)
12. Nicolas Collins – Corelli (It Was A Dark And Stormy Night, 1992)

 

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09/02 – Hora trapalhona, com companhia; duas alegrias do NPS, e aleatoriedades.

Na segunda emissão de Fevereiro, o destaque foi para as duas alegrias que o anúncio do cartaz do NOS Primavera Sound 2018 nos trouxe: Lorde,Tyler, the Creator. De resto, foi uma espécie de desculpa para experimentar o novo gravador com companhia no estúdio.

Depois, andámos ao sabor da música de Ariel Pink, ligeiramente a propósito do livro que marcou grande parte do início deste ano, e demos um salto ao estranhíssimo disco de Divine Styler, músico americano cujo disco crossover entre hip-hop e virtualmente tudo é um dos marcos dos estranhos anos 90.

Porto Calling traz-nos os sempre aprazíveis Television Personalities; e até ao final, deambulações electrónicas com os The Future Sound of London, cujo trabalho Lifeforms anda a ser reeditado pela Universal (?), e ainda Ryuichi Sakamoto, para terminar em grande. E é isto.

01. Coco & Clair Clair – Crushcrushcrush (prod. Paul Maxwell)
02. Lorde – The Louvre (Melodrama, 2017)
03. Tyler, The Creator – See You Again (Flowerboy, 2017)
04. Ariel Pink’s Haunted Graffiti – L’estat (Acc. to the Widow’s Maid) (Before Today, 2010)
05. Ariel Pink’s Haunted Graffiti – Fright Night (Nevermore) (Before Today, 2010)
06. Divine Styler – Love, Lies And Lifetime’s Cries (Spiral Walls Containing Autumns of Light, 1992)
07. Divine Styler – Width In My Depth (Spiral Walls Containing Autumns of Light, 1992)
08. Television Personalities – Stop and Smell the Roses (The Painted Word, 1985) | sugestão da Porto Calling
09. The Future Sound of London – Lifeforms (Lifeforms, 1994)
10. Ryuichi Sakamoto – 12 World Citizen (Re-Cycled) (Chasm, 2004)

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02/02 – Reapropriações japonesas, descobertas na Etiópia e aleatoriedades.

moscainicio copyA primeira emissão de Fevereiro! Começámos com o incontornável Brian Eno, de quem também ouvimos umas palavras. De todo o seu trabalho – e muito dele já passou aqui mais que uma vez – ouvimos Golden Hours, belíssima, do igualmente belo Another Green World (um álbum essencial, caramba). Depois, música nova dos Hookworms, que fazem a bonita transição do psicadelismo para a pop. Um registo vencedor deste 2018.

Seguimos com um resquício da obsessão nossa pelo Retromania: Pop Culture’s Obsession With The Past, da autoria de Simon Reynolds. Óptimo trabalho jornalístico que nos trouxe a história de shibuya-key, um movimento/género/local onde confluíram projectos musicais japoneses que se viraram para a música do ocidente, reapropriando-a. Daqui, ouvimos os Pizzicato Five Cornelius.

hailuE logo de seguida, uma passagem pela Etiópia. Hailu Mergia é um dos nomes mais carismáticos a ser recuperado pelo trabalho arqueológico da Awesome Tapes From Africa; dele, ouvimos dois trabalhos de épocas distintas. Numa primeira fase, na companhia de uma banda com a qual fez, na terra natal, carreira de sucesso; logo depois, já na década seguinte, a solo com o seu sintetizador. É um músico fascinante que transporta para a contemporaneidade do sintetizador a tradicional música etíope. E, a propósito, lançou um disco novo este ano (fantástico!).

A Porto Calling deixa a recomendação dos The Music Machine, um projecto de rock cru e imensamente carismático; e até ao final, passámos ainda por Burial, um clássico moderno, que tem mas não parece ter 10 anos, e que estabeleceu a ponte entre o dubstep e ambientes mais negros e atmosféricos – óptima música para passear na urbe nocturna, diz-se.

Para terminar, uma passagem pelo disco de Yasunao Tone, que produz experimentações a partir de discos literalmente danificados. Talvez dê para reflectir sobre a música digital, e coisas assim.

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1. Brian Eno – Golden Hours (Another Green World, 1975)
2. Hookworms – Static Resistance (Microshift, 2018)
3. Pizzicato Five – Rock And Roll (Bossanova 2001, 1993)
4. Pizzicato Five – Sophisticated Catchy (Bossanova 2001, 1993)
5. Cornelius – Mic Check (Fantasma, 1997)
6. Cornelius – Clash (Fantasma, 1997)
7. Hailu Mergia – Musicawi silt (Tche Belew, 1977)
8. Hailu Mergia – Woghenei (Tche Belew, 1977)
9. Hailu Mergia – Shemonmuanaye (Hailu Mergia & His Classical Instrument: Shemonmuanaye, 1985)
10. Hailu Mergia – Hebo Lale (Hailu Mergia & His Classical Instrument: Shemonmuanaye, 1985)
11. The Music Machine – Come on In ((Turn On) The Music Machine, 1966) | recomendação da Porto Calling.
12. Burial – Near Dark (Untrue, 2007)
13. Yasunao Tone – Part 1 (Solo For Wounded CD, 1997)

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27/01 – Recordar Mark. E. Smith, ainda Arto Lindsay e quem raio é o Danny?

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Nesta emissão d’A Mosca, dedicámos larga parte do programa a percorrer a carreira dos The Fall, a propósito do falecimento de Mark E. Smith (mas tudo isto apenas após termos ouvido o preliminar Open Mike Eagle).

Tentámos, por uma questão de pretensa linearidade, manter a ordem cronológica das canções; e se assim o fizemos com sucesso, não é uma sequência inteiramente representativa do vasto produto discográfico dos The Fall, que possuem uma discografia gigante. Mas é, no mínimo, uma amostra da variedade que souberam levar a cabo, no muito versátil universo do pós-punk.

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Seguiu-se uma breve passagem pela deliciosa música dos Kid Creole & The Coconuts, influenciada por tropicalismos caribenhos e sul-americanos, radicada na metrópole nova-iorquina; de resto, é um projecto que esteve ligado à ZE Records, uma das editoras que nos é maioral referência.

A parte final do programa destacou vários projectos da carreira de Arto Lindsay, nome também ligado à ZE e à curta vaga de no-wave nova-iorquino (com os DNA, por exemplo); o disco Envy, com os Ambitious Lovers, precede a música de alguns grupos que hoje nos são muito queridos (é inevitável não pensar na carreira de Erlend Øye); e o jazz crispado dos The Lounge Lizards tira enorme proveito da sua guitarra indisciplinada. Para terminar, passámos brevemente pelos The Golden Palominos, onde se intersectaram as carreiras de Arto com John Zorn. Uma delícia.

1. Open Mike Eagle – Hymnal (Brick Body Kids Still Daydream, 2017)
2. The Fall – Repetition (Live At The Witch Trials, 1979)
3. The Fall – Industrial Estate (Live At The Witch Trials, 1979)
4. The Fall – In The Park (Grotesque (After The Gramme, 1980) | sugestão da Porto Calling.
5. The Fall – Container Drivers [24/09/80] (The Complete Peel Sessions, 2005)
6. The Fall – I Am Damo Suzuki (This Nation’s Saving Grace, 1997)
7. Kid Creole & The Coconuts – Yolanda (Off The Coast Of Me, 1980)
8. Ambitious Lovers – Pagode Americano (Envy, 1984)
9. Ambitious Lovers – Trouble Maker (Envy, 1984)
10. Arto Lindsay – Mundo Civilizado (Mundo Civilizado, 1996)
11. The Lounge Lizards – Au Contraire Arto (The Lounge Lizards, 1981)
12. The Lounge Lizards – Incident on South Street (The Lounge Lizards, 1981)
13. The Golden Palominos – Hot Seat (The Golden Palominos, 1983)

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20/01 – Memórias do início, música transviada no tempo, e literal experimentação.

Para esta semana, comemorámos o 5º aniversário (!) deste projecto.

Depois de um callback à primeira emissão, abrimos com Isao Tomita e depois os The Ambitious Lovers, projecto de Arto Lindsay cujo trabalho revisitaremos nas emissões seguintes. E ainda em arqueologia musical, descobrimos NSRD, recentemente reeditados a partir da Letónia, e o projecto japonês Hikashu.

No entanto, será uma emissão célebre pela absurda experimentação que perpetrámos a meio, com a ajuda dos ouvintes que a nós se juntaram através do Discord. Foi um bonito momento que nos demonstrou ser possível fazer rádio diferente. E se, entretanto, fizemos a menção obrigatória à nossa muita querida Porto Calling, rapidamente voltámos a esses devaneios, num curioso clímax experimental onde os intervenientes não ouviam necessariamente as restantes contribuições.

Para terminar, despedimo-nos com o ambient experimental de Tetsu Inoue; o disco World Receiver é mesmo muito bom.

1. Isao Tomita – Arebesque 1 (Snowflakes are Dancing, 1974)
2. The Ambitious Lovers – Copy (Greed, 1988)
3. NSRD – Schwenn (The Workshop For The Restoration Of Unfelt Feelings, 2017)
4. NSRD – Kastanis (The Workshop For The Restoration Of Unfelt Feelings, 2017)
5. Hikashu – Tokyo Rain (Hikashu History, 2001)
6. Screaming Jay Hawkins – I Put a Spell on You | sugestão da Porto Calling.
Experimentações várias com o auditório
7. Tetsu Inoue – Health Loop (World Receiver, 2006)

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13/01 – Pastelaria nacional, arquivo brasileiro e música do mundo.

Finalmente trazemos uma das enormes emissões que já tivemos este ano!

Começámos com Uffie, uma cantora sueca francesa, de pai britânico e mãe japonesa, que viveu em Hong Kong desde os quatro anos de idade — enfim, um currículo genealógico-geográfico impressionante que serve apenas para dizer que é música pop daquela desavergonhadamente electrónica. Dizem que influenciou muitos por aí; talvez. Isto, de 2010; e logo depois Jordan Rakei, que tem um dos mais simpáticos discos de 2017, na onda da soul ou rnb modernos.

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imagem que acompanhou a estreia de Conan Osiris n’A Mosca

Mas o primeiro strike para 2018 é da autoria de Conan Osiris, que na verdade é de 2017, mas chegou mesmo no final do ano. Entretanto, o disco (merecidamente) rebentou; fica o registo do nosso entusiasmo um dia após o termos descoberto (estivemos à conversa entretanto; a ler aqui).

Depois, tempo de viagem arqueológica ao Brasil, na compilação Outro Tempo: música de 1978 a 1992, um período onde a música electrónica se tornou massivamente possível, partindo maioritariamente do psicadelismo do rock e espacial americano. Ainda Panda Bear, na oficialmente-primeira-música-de-2018.

Para esta semana, a Porto Calling recomendou o disco de Spectrum. Na verdade, é Peter Kember dos Spacemen 3 que aqui se apresenta a solo. Um músico importantíssimo na cena britânica, que ainda hoje grava e produz (a propósito, o disco de 2016 de Panda Bear, no qual tem créditos de promoção).

Já em toada mais calma depois de termos dado tudo com Conan, ouvimos ainda música não-ocidental: primeiro, Nadah El Shazly; logo de seguida, Nduduzo Makhathini. Ouçam ambos, porque valem a pena. Terminámos ao som de Katie Gately, que descobrimos há uns anos no seu EP (?) de estreia, e que entretanto tentou fazer pop experimental.

1. Uffie – MCs Can Kiss (Sex Dreams and Denin Jeans, 2010)
2. Jordan Rakei – Sorceress (Wallflower, 2017)
3. Conan Osiris – BORREGO (ADORO BOLOS, 2017)
4. Conan Osiris – ADORO BOLOS (ADORO BOLOS, 2017)
5. Carlinhos Santos – Gira Mundo (Outro Tempo: Electronic And Contemporary Music From Brazil 1978-1992, 2017)
6. Maria Rita – Cântico Brasileiro Nu (Outro Tempo: Electronic And Contemporary Music From Brazil 1978-1992, 2017)
7. Panda Bear – Flight (A Day With The Homies, 2018)
8. Spectrum – Forever Alien (Forever Alien, 1997) | sugestão da Porto Calling.
9. Nadah El Shazly – Palmyra (Ahwar, 2017)
10. Nduduzo Makhathini – Windows Of Our Hearts (Ikhambi, 2017)
11. Nduduzo Makhathini – Umthakathi (2nd Movement) (Ikhambi, 2017)
12. Katie Gately – Lift (Color, 2016)

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06/01 – Pop e música nipónica, em ressaca de ano novo.

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o nosso maravilhoso momento publicitário para a primeira emissão de 2018!

Num período de alta intromissão por parte dos compromissos académicos, entregámo-nos ao deleite pop através de Melodrama, o fantástico disco de Lorde – que acaba por ser o primeiro onde teve uma considerável liberdade artística. Seguimos com Golden Teacher, e desaguámos na maravilhosa sugestão da Porto Calling: a música de Al Campbell, editada em 2017, embora remonte a um período bastante anterior.

Num segundo momento, dedicámos a emissão a música japonesa. Primeiro, com a cantora Maki Asakawa num disco excelente e muito diverso, pese embora o óbvio problema linguístico que nos separa de uma maior compreensão (não necessariamente mais profunda – subscrevemos esta incapacidade como uma oportunidade). Depois, a música pop vanguardista de Haruomi Hosono, que em PHILARMONY tem um dos trabalhos mais dinâmicos da década de 80.

Para terminar, destacámos duas incursões em território experimental. Primeiro, Luie Luie, num honesto, maravilhoso exercício de romanticismo; depois, e para terminar, um disco essencial de Ryuichi Sakamoto: chama-se async, e é de escuta obrigatória para quem encontrou o mínimo deleite na faixa que apresentámos.

1. Lorde – Perfect Places (Melodrama, 2017)
2. Golden Teacher – The Kazimier (No Luscious Life, 2017)
3. Al Campbell – Where Were You (Gee Baby No More Runnings, 2017) | sugestão da Porto Calling
4. Maki Asakawa – ふしあわせという名の猫 (浅川マキの世界, 1970)
5. Maki Asakawa – ちっちゃな時から (浅川マキの世界, 1970)
6. Haruomi Hosono – ろっか・ばい・まい・べいびい (HOSONO HOUSE, 1973)
7. Haruomi Hosono – FUNICULI FUNICULA (PHILARMONY, 1982)
8. Haruomi Hosono – LUMINISCENT / HOTARU (PHILARMONY, 1982)
9. Haruomi Hosono – PHILARMONY (PHILARMONY, 1982)
10. Luie Luie – Touch of Light (Songs In The Key of Z, Vol. 2, 2004)
11. Ryuichi Sakamoto – solari (async, 2017)

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