26/05 – Experiências brasileiras, jazz na pop e Lena D’Água até é fixe.

A última do mês de Maio!

Recuperámos o disco de Blood Orange, que havia feito companhia nessa semana. Houve quem dissesse, a propósito do NOS Primavera Sound, que Miguel carregava o legado de Prince às costas: mas ouça-se o projecto de Dev Hynes.

Seguimos com um dos destaques desta emissão: o maravilhoso álbum de Olivia Byington, de 1978, em perfeita deliciosa junção de rock psicadélico com experimentações várias, mas sempre no domínio de música pop. Uma pérola obrigatória! Seguimos com uma colaboração do prolífico período da tropicália.

Depois a música de Joni Mitchell, de um dos seus discos menos ouvidos, e seguimos em toada de jazz com pedidos dos ouvintes: primeiro, Bruno Pernadas, logo de seguida, BADBADNOTGOOD. 

Havia ficado pendente a resposta à pergunta da Isabel Leirós – o porquê da ressurgência de Lena D’Água, com reedições no estrangeiro e aparição no Festival da Canção – e Gonçalo Costa, estudante de Ciências da Comunicação em Braga, ousou a resposta.

Terminámos com a belíssima colaboração entre Sonny Sharrock e a sua esposa, Linda; território free jazz. Segue-se Blondie, a pedido da Isabel, e fechámos a sessão com a delicada voz de Nico, que a emprestara alguns anos antes aos Velvet Underground.

1. Blood Orange – Best To You (Freetown Sound, 2016)
2. Olivia Byington – Luz do Tango (Corra o Risco, 1978)
3. Os Mutantes + Gal Costa + Caetano Veloso + Gilberto Gil – Parque Industrial (Tropicália ou Panis et Circensis, 1968)
4. Joni Mitchell – For Free (Ladies Of The Canyon, 1970)
5. Bruno Pernadas – Valley in the Ocean (Those who throw objects at the crocodiles will be asked to retrieve them, 2016)
6. BADBADNOTGOOD – Time Moves Slow (ft. Sam Herring) (IV, 2016)
Lena D’Água até é fixea resposta à Isabel Leirós, por Gonçalo Costa.
7. LiLiPUT – Ain’t you (da compilação LiLiPUT, que reúne (todo?) o trabalho gravado da banda, 1993) | sugestão da Porto Calling.
8. Olivia Byington – Cavalo Marinho (Corra o Risco, 1978)
A Isabel não ficou convencida e pede Blondie.
9. Sonny Sharrock – Blind Willy (Black Woman, 1970)
10. Blondie – Heart of Glass (Parallel Lines, 1978)
11. Nico – These Days (Chelsea Girl, 1967)

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19/05 – Twin Peaks regressa, loucuras de 1968, e jazz.

Mais um directo do mês de Maio!

Começámos com dois nomes do jazz: primeiro, Ryo Fukui, cujo disco Scenery aparece recorrentemente nas recomendações do Youtube, e depois, Chet Baker, com dois exemplos de dois discos distintos. Seguiu-se uma jornada pelo hip-hop, com nomes contemporâneos e desses, um enorme peso-pesado: Oddisee com o seu novo disco deste ano, e milo com duas faixas antigas; como sabem, nutrimos uma predilecção especial por este último. Terminámos com Death Grips, do seu Money Store.

Dado que se aproximava o lançamento da nova temporada de Twin Peaks, comemorámos a ocasião ao revisitar a interpretação de Xiu Xiu desta magistral banda sonora – mesmo que tenhamos ido ao engano numa das vezes.

E antes de fechar a emissão com uma pouco-escutada versão da Amar Pelos Dois (esta foi a primeira emissão após termos ganho o festival), passámos por música lançada no louco ano de 1968. Primeiro, a recomendação da Porto Calling trouxe-nos os Silver Apples, grupo minimal que se orientou predominantemente na electrónica rudimentar, pese embora fizessem coisas incríveis; logo de seguida, um grupo que por aqui já passou e nunca é demais relembrar: os The United States of America, um dos nomes mais famigerados desta década, que produziram apenas um disco e podiam ter feito mais dois ou três. É uma loucura. Deviam ouvi-lo.

Assim passámos a hora da semana.

1. Ryo Fukui – It Could Happen To You (Scenery, 1976)
2. Chet Baker – Baby Breeze (Baby Breeze, 1964)
3. Chet Baker – She Was Too Good to Me (She Was Too Good to Me, 1974)
4. Oddisee – Built By Pictures (The Iceberg, 2017)
5. milo – Sophistry and Illusion (Cavalcade, 2013)
6. milo – sweet chin music (Things That Happen at Day, 2012)
7. Death Grips – Hustle Bones (The Money Store, 2012)
8. Xiu Xiu – Into the Night (Plays the Music of Twin Peaks, 2016)
9. Xiu Xiu – Laura Palmer’s Theme (Plays the Music of Twin Peaks, 2016)
10. Silver Apples – Oscillations (Silver Apples, 1968) | sugestão da Porto Calling.
11. The United States of America – I Won’t Leave My Wooden Wife For You, Sugar (The United States of American, 1968)
12. Salvador Sobral – Amar Pelos Dois (ao piano, num programa de televisão)

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12/05 – Noções capitalistas, desumanização, e a ̮͙̪̯͢ạ̵̩͍s̷̹̝̼̣̤c̠̙̮͈̼ḛ̢̜n̖ç̞͚͜ã̴͈̹̜̺̻̙o ḓ͍̳͍̫a͞ ̷̗̳̠̣̞͎m̰̫̲̙̕á̲̥͍͓͜q͔̘u̳̪͠ina͉.̞̰̳̟̠

Ora.

Algo de muito estranho se passou nesta emissão. Embora não tenha sido uma habitual transmissão em directo, deixámos tudo preparado num ficheiro .mp3 que foi para o ar à hora marcada. Estava alinhado que iríamos começar com Tatsuro Yamashita, nome nipónico associado a uma vertente muito particular da pop japonesa, feita especialmente para ser ouvida nas novas e vibrantes auto-estradas do Japão. É música com um intrínseco e subliminar espírito consumista, e isto é algo que nos fascina.

Depois, tínhamos planeado ouvir os americanos DEVO, um fascinante projecto que começou, como já ouvimos noutras emissões, com um espírito tremendo de irreverência e criatividade, intimamente ligados ao no-wave, ao rock, e até com alguns ares de punk, mas aqui, no disco New Traditionalists, aproximaram-se mais da electrónica – e o resultado ficou muito interessante, também. Seguiram-se os nossos amigos Kraftwerk, com o disco Die Mensch-Maschine, de 1978.

Só que, infelizmente, tudo começou a ficar estranho a partir da intervenção de Laurie Anderson. Por algum motivo, parece que perdemos o controlo da emissão a partir daqui, e o alinhamento que tínhamos previsto não se concretizou. Do que aconteceu até ao final da hora, conseguimos recuperar o nome de Nuno Canavarro, ex-integrante dos Delfins e autor de um dos mais bonitos discos electrónicos-experimentais portugueses; os Passengers, super-grupo constituído pelos U2 mais a especial participação de Brian Eno, e ainda o enigmático Dean Blunt, prolífico desde o seu disco Black Metal (que, para nós, foi um dos melhores de 2014, já previamente escrutinado).

Conseguimos, ainda assim, resgatar a sugestão da Porto Calling, a música de Moondog, mas perderam-se todos os eixos de seguida quando, até ao final da hora, ficámos com um artista japonês, 細野晴臣, e o feito artístico de Sam Kidel, denominado Disruptive Muzak – merece ser escutado pelo menos uma vez, para lhe apreender o conceito.

1. Tatsuro Yamashita – Sparkle (For You, 1982)
2. DEVO – Beautiful World (New Traditionalists, 1981)
3. Kraftwerk – Das Model (Die Mensch-Maschine, 1978)
4. Laurie Anderson – B͂̀̓̒o̵͋̉̆ͭ͒r̾̏͛̓͂n,̐̒̂ͧ͠ ̈́̓ͬ̕Ņ̀̀̐ͤͬ̋e̵͌ͮ͋̈́ͪv͡e̛̔̉̎͂͋̐̚r͆̇ ́X̀ ̢̽ͤͪ(Big Science, 1982)
5. Nuno Canavarro – Wask (Plux Quba, 1998)
6. Passengers (U2 + Brian Eno) – One Minute Warning (Original Soundtracks 1, 1995)
7. Dean Blunt – 04 Brown Grrl
8. Moondog – Moondog’s Theme (More Moondog, 1956) | sugestão da Porto Calling.
9. 細野晴臣 – Talking (花に水, 1984)
10. Sam Kidel – Disruptive Muzak

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05/05 – Viagens pelo Espaço, pop de sintetizadores, punk, e paisagens instrumentais.

Estamos especialmente expeditos na reposição dos podcasts!

O programa desta semana fica marcado pelo iminente concerto de José Cid – realizou-se no dia seguinte, na Casa da Música – e o seu disco seminal 10.000 Anos Entre Vénus e Marte; daí, ouvimos Caos. Recordámos ainda os Monstros Sagrados, ainda dos Quarteto 1111 mas reeditado no seu disco a solo mais recente.

Depois, tempo de recordar os Beatles, a propósito do seu baterista Ringo Starr, e o disco Abbey Road; por lá ficámos algum tempo, em considerações várias sobre os britânicos e o seu baterista. Esta foi uma emissão com poucos álbuns, já que logo de seguida assentámos em Dazzle Ships, de 1983, da autoria dos Orchestral Manoeuvres in the Dark, grupo seminal do synth-pop britânico. É um óptimo disco, baseado no clima da Guerra Fria e experimental para o habitual standard deste género.

Poderia ser uma sugestão da Isabel Leirós, que estreou um novo espaço neste programa, embora de parca regularidade: o convidado de cada emissão comenta a sugestão do anterior, e sugere uma próxima; como a Isabel foi a primeira, decidiu trazer-nos um pouco de história da música britânica – ouvimos, depois, os Buzzcocks – e lançou a pergunta para o voluntário seguinte. Confiram na emissão, porque correu bastante bem.

Já com olhos postos no final do programa, avançámos para a recomendação da Porto Calling, que propôs um obrigatório nome na cena punk / experimental: Vivien Goldman, mulher de muitos ofícios, mas que nos deixou pouquíssima coisa gravada e disponível para recuperar; revisitámos o Angola 74do angolano Bonga, e terminámos em grande com, mais uma vez, os Japan. Encantaram-nos na emissão anterior, e desta vez fomos ao disco Gentlemen Take Polaroids, em paisagem instrumental.

1. José Cid – Caos (10.000 Anos Entre Vénus e Marte, 1978 (reedição 2017))
2. José Cid – Monstros Sagrados (Menino Prodígio, 2015)
3. The Beatles – Here Comes The Sun (Abbey Road, 1969)
4. The Beatles – Octopus’ Garden (Abbey Road, 1969)
5. Orchestral Manoeuvres In The Dark – Telegraph (Dazzle Ships, 1983)
6. Orchestral Manoeuvres In The Dark – The Romance of the Telescope (Dazzle Ships, 1983)
A Isabel fala sobre os Buzzcocks
7. Buzzcocks – Ever Fallen In Love (With Someone You Shouldn’t ‘ve?) (Love Bites, 1978)
8. Vivien Goldman – Launderette (Dirty Washing EP, 1981)
9. Bonga – Ghinawa (Angola 74′, 1974)
10. Japan – Swimming (Gentleman Take Polaroids, 1980)

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28/04 – Rock e pop do sótão, e breves experimentações.

Depois de uma Sexta-feira Santa e de uma das emissões mais absurdas d’A Mosca de que há memória – e que ficará incógnita neste blog, por uma questão de dignidade – voltámos ao usual e às emissões em directo para a Rádio Lisboa.

Desta vez, quase metade do programa foi dado a conhecer pelo trabalho de campo da label Light In The Attic, que recentemente se especializou em recuperar gravações perdidas, ou fora de circulação, para que possam chegar a novos ouvidos. Assim, conhecemos o trabalho da Betty Davis, uma autêntica força da natureza do funk e do rock, que esteve, durante um curto espaço de tempo, casada com Miles Davis. Ouvimos duas das suas músicas, e seguimos, sem quebrar a toada, com Lizzy Mercier Desclouxnossa conhecida e repetente no programa. Fazemos uma pausa nas descobertas da Light quando trouxemos os DEVO (produzidos por Bri…enfim, já o saberão decerto), para logo depois voltarmos ao grupo The Free Design, que fazem lembrar uns Carpenters caso tivessem enveredado pela vida hippie comunitária, e a Rodriguez, o mais mediático caso de sucesso desta editora. E embora já tenhamos ouvido vários trabalhos do britânico, tivemos que mencionar o seu disco Before and After Science, um dos poucos do seu período pop que ainda nos faltava; e completámos a jornada de cantautores com Serge Gainsbourg, sugestão da Porto Calling, que, camaleónico, foi dar uma perninha junto da Jamaica e do reggae. Guardámos os momentos finais para alguma experimentação: primeiro, os Throbbing Gristle, endiabrados britânicos afectos à música perversa; depois, Jenny Hval, que actuaria no dia seguinte em Braga; e terminámos com o footwork impressionista do japonês Foodman. Uma semana de emissão difícil, em parcas condições vocais, pelas quais pedimos antecipadamente as possíveis desculpas.

1. Betty Davis – You Won’t See Me in the Morning (Betty Davis, 1973)
2. Betty Davis – Come Take Me (Betty Davis, 1973)
3. Lizzy Mercier Descloux – Fire (Press Color, 1979)
4. DEVO – Uncontrollable Urge (Q: Are We Not Men? A: We Are Devo!, 1978)
5. The Free Design – Canada in Springtime (There Is A Song, 1972)
6. The Free Design – My Very Own Angel (Heaven / Earth, 1969)
7. Rodriguez – I Think Of You (Coming From Reality, 1971)
8. Brian Eno – Here He Comes (Before and After Science, 1977)
9. Serge Gainsbourg – Aux Armes et caetera (Aux Armes et caetera, 1979) recomendação da Porto Calling.
10. Throbbing Gristle – Hot on the Heels of Love (20 Jazz Funk Greats, 1979)
11. Jenny Hval – Conceptual Romance (Blood Bitch, 2016)
12. Foodman – Hikari (Ez Minzoku, 2016)
13. Foodman – Waterfall (Ez Minzoku, 2016)

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Emissão de 08/04 – Viagens transatlânticas, da Jamaica ao Japão por rota europeia.

Para esta emissão, partimos de um clássico de Bob Marley para dar início a uma sequência que, em dados momentos, esteve ligada por algo extrínseco à música que ouvimos. Do jamaicano passámos a Rihanna, a propósito de um artigo da Pitchfork sobre a sua importância e genuinidade; é algo que nos interessa e que se assume cada vez mais relevante no panorama global onde a música habita actualmente. Depois, os The Gift, mais uma vez, cujo novo disco foi produzido por Brian Eno, e sobre o qual já demos a nossa opinião. Saltámos para os Timber Timbre ainda sob alçada de música deste presente ano, e além de termos recuperado o saxofone de Colin Stetson numa das mais memoráveis músicas desta década (Hot Dreams), ficámos com música nova do grupo canadiano; e a partir deles, traçámos uma rota até aos Japan, de David Sylvian, no disco Tin Drum – fantasmas de synthpop que prometemos explorar noutra altura. A Porto Calling recomenda-nos a música de uma prolífica artista nova-iorquina, a Lydia Lunch, que já é nossa conhecida. Para terminar, uma breve passagem pelos britânicos (!) Kahondo Style, e a singular música do seu Green Tea and Crocodiles. Fechámos com Colin Stetson, mais uma vez, que tem editado regularmente e merece ser ouvido com atenção, e, depois, com Nmesh, misturado, por parecer apropriado, com algumas falas do filme My Dinner With André.

  1. Bob Marley – Baby We’ve Got A Date (Rock It Baby) (Catch a Fire, 1973)
  2. Rihanna – Consideration (feat. SZA) (ANTI, 2016)
  3. The Gift – I Loved It All (Altar, 2017)
  4. Timber Timbre – Grifting (Sincerely, Future Pollution, 2017)
  5. Japan – Canton (Tin Drum, 1981)
  6. Japan – Ghosts (Tin Drum, 1981)
  7. Lydia Lunch – Fields of Fire (Honeymoon in Red, 1987) recomendação da Porto Calling.
  8. Kahondo Style – Shangai Rain (Green Tea and Crocodiles, 1987)
  9. Kahondo Style – Green Dream (Green Tea and Crocodiles, 1987)
  10. Colin Stetson – Judges (New History Warfare Vol.2: Judges, 2011)
  11. Nmesh – ΛVΘN™ NiteMare Liquid Mascara (feat. 회사AUTO) (Adulterada com passagens do filme My Dinner With André, Dream Sequins ®, 2014)

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Emissão de 01/04 – Os ratos de Zappa, pop que cruza eras, e a morte.

Para esta semana, e motivados pela efeméride do dia das Mentiras, iniciámos a hora de uma forma diferente – um pequeno resumo do mês de Abril; e ainda antes da primeira música, ficámos com um pequeno excerto do filme Diner, que introduz o ‘maior saxofonista de todos os tempos’, Charlie Parker. Regressa às emissões ainda com Dizzy Gillespie, com quem gravou sessões compiladas no disco Bird and Diz. Seguimos, pela música deste ano, com Charli XCX – nova mixtape – e novo single de Frank Ocean – que entretanto lançou mais dois. Mas o grande destaque da emissão encontra-se na década de 60: primeiro, os britânicos Kaleidoscope, autores de pop psicadélica cuja estética tem sido recuperada nos últimos anos (Tame Impala, MGMT, Temples, e tantos outros); e logo de seguida, com o enorme Frank Zappa, um dos mais camaleónicos, experimentais, exploradores músicos do século XX, e de quem ouvimos três músicas de dois dos seus discos. A cargo da Porto Calling, duas óptimas recomendações: primeiro, o calypso produzido por Van Dyke Parks e da autoria de Mighty Sparrow – amostra de uma corrente exótica que o americano havia de importar no seu disco Discover America – e, logo de seguida, a colaboração entre Tess Parks e o veterano Anton Newcombe (The Brian Jonestown Massacre). É obrigatório visitar o site da loja, em portocalling.com. Já na recta final, um brevíssimo devaneio pela electrónica dos 101 Strings (andamos à procura de complementos ao Plantasia de Mort Garson no nosso compêndio de avant-garden), para depois fecharmos com a música de Mount Eerie. Phil Elverum apresentou este novo disco depois da morte da sua esposa, Geneviéve, e é um dos mais poderosos exercícios que recordaremos deste ano. Antes de o introduzirmos, passámos, como muleta, pela música de Sun Kil Moon, e em particular o último disco Benji: o estilo stream of consciousness, que na altura (2014) tinha constituído uma lufada de ar fresco no panorama dos cantautores, constitui a mais saliente característica do álbum. A par de Kozelek, Elverum também utiliza um estilo semelhante para abordar o tema da morte – e fá-lo de uma forma extraordinariamente franca. Mais do que falado, o disco deve ser ouvido. Fica a recomendação, embora não seja fácil de digerir. 

  1. Prelúdio ao programa: informações pertinentes sobre o mês de Abril (duração do mês, feriados, provérbios populares)
  2. Charlie Parker & Dizzy Gillespie – An Oscar For Treadwell (Bird and Diz, 1950, introduzidos por um diálogo do filme Diner, de 1982)
  3. Charli XCX – ILY2 (Number 1 Angel, 2017)
  4. Frank Ocean – Chanel (2017)
  5. Kaleidoscope – Kaleidoscope (Tangerine Dream, 1967)
  6. Kaleidoscope – Dive Into Yesterday (Tangerine Dream, 1967)
  7. Frank Zappa – Peaches en Regalia (Hot Rats, 1969)
  8. Frank Zappa – Little Umbrellas (Hot Rats, 1969
  9. Frank Zappa & The Mothers of Invention – Can’t Afford No Shoes (One Size Fits All, 1975)
  10. Mighty Sparrow – More Cock (Hot and Sweet, 1974)
  11. Tess Parks & Anton Newcombe – Mama (I Declare Nothing, 2015) | recomendação da Porto Calling.
  12. 101 Strings – Where Were You in 1982? (Astro-Sounds From Beyond The Year 2000, 1968)
  13. Sun Kil Moon – Ben is my Friend (Benji, 2014)
  14. Mount Eerie – Real Death (A Crow Looked at Me, 2017)

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Emissão de 24/03 – Novas de 2017, Jeff Buckley pós-Grace, e muita aleatoriedade.

Continua o trabalho de arquivo das passadas emissões na Rádio Lisboa. Todas as semanas, a partir da meia-noite de sexta para Sábado, temos a antena por nossa conta durante uma hora; juntem-se a nós na próxima!

Na última emissão de Março, começámos com as palavras de Diane Cluck, e logo depois seguimos com um endiabrado exercício de música pop por parte dos Quarteto 1111, um dos mais carismáticos grupos dos anos 60 portugueses (a quem havemos de voltar em breve). Seguiram-se três trabalhos de 2017, embora intercalados por uma canção mais antiga de Kendrick Lamar (não fazemos ideia do que fará em 2017…), e atracámos num disco de 2016: Let It Be You, de Joan as Police Woman & Benjamin Lazar Davies, que nessa semana haviam actuado no Theatro Circo, em Braga. Depois de algumas considerações sobre o disco e a carreira de Joan, seguimos em busca das assumidas influências no disco – por isso, fomos parar ao Gana, com uma compilação de 2002. Ainda nessa jornada, aproveitámos a recomendação da Porto Callingcom o dub espacial de Phil Pratt. Já perto do final, ficámos com uma óptima canção de Jeff Buckley. Temos dado mais atenção ao seu pai, ultimamente, mas mesmo fora do seu trabalho maior – Grace, de 1994 – há belíssimos momentos. A terminar, mais uma vez a voz de Diane Cluck e fechámos com um pequeno excerto de um disco que nos transporta aos primeiros programas d’A Mosca, ainda na RUM e com o nosso Paulo Rodrigues: são os Les Rallizes Denudés, grupo experimental japonês, cujo groove é profanado pelas terríveis condições de captação do som em ’77 Live – embora tudo isso, claro, contribua para o charme do disco.

As emissões que entretanto gravámos seguirão para o blog em breve. Até lá, fiquem com esta!

  1. Quarteto 1111 – Fantasma Pop (A Lenda de El Rei D. Sebastião, 1967)
  2. Gorillaz – Andromeda (feat. D.R.A.M.)
  3. Kendrick Lamar – The Heart Part 4
  4. Kendrick Lamar – untitled 6 (untitled, unmastered, 2016)
  5. King Gizzard and the Lizard Wizard – Doom City (Microtonal Flying Banana, 2017)
  6. Joan As Police Woman & Benjamin Lazar Davies – Broke Me In Two (Let It Be You, 2016)
  7. The Apagya Show Band – Kwaku Ananse (Ghana Soundz: Afro-Beat, Funk and Fusion in 70s Ghana, 2002)
  8. Ebo Taylor – Heaven (Ghana Soundz: Afro-Beat, Funk and Fusion in 70s Ghana, 2002)
  9. Phil Pratt – African Communication (Star Wars Dub, 1978) | recomendação da Porto Calling
  10. Jeff Buckley – Everybody Here Wants You (Sketches for My Sweetheart the Drunk, 1998)
  11. Diane Cluck – Real Good Time (Monarcana, 2006)
  12. Les Rallizes Dénudés – Enter The Mirror (’77 Live, 1991)

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Nota: para cada uma destas emissões, e por forma a diferenciá-las das emissões normais, tentámos fazer capas diferentes das habituais. É uma brincadeira para a qual não temos, evidentemente, qualquer tipo de talento; por isso, esta semana profanámos um quadro da autoria de Hieronymus Bosch, um pintor holandês, ou de alguém da sua escola, um dos seus discípulos artísticos – resta a dúvida quanto à autoria e até ao próprio nome do quadro, que parece ser algo como ‘A Visão de Tondal’. Caso alguém tenha mais informação sobre o quadro, escrevam nos comentários! Podem ler mais sobre Bosch aqui.

 

Os directos de Março.

Desde há algum tempo para cá, quando finalmente me conformei com a ideia de que é, afinal, extremamente difícil manter um ritmo apropriado para as emissões em podcast (a última foi a do vaporwave, número 98), tenho pensado em arquivar as emissões em directo da Rádio Lisboa. Pela sua natureza – são directos, logo mais voláteis e propensos ao erro – não apreciei a ideia; no entanto, há nomes que apenas lá passam e momentos (musicais, e não só) que merecem, porventura, ser perpetuados.

Por isso, arquivamos neste post os três programas que Março já nos deu. São as emissões de dia 3, 10, e 17. Daqui para a frente, conto publicar os programas no fim-de-semana respectivo.

Emissão de 03/03 – Thundercat, Jens Lekman, Jazz e experimentação.

Esta semana foi marcada pelos novos lançamentos de Thundercat Jens Lekman. O primeiro é um dos músicos favoritos d’A Mosca, dadas as suas colaborações com os inevitáveis Kendrick Lamar e Flying Lotus; o segundo, um agradável nome desde o disco Night Falls Over Kortedala. Depois, seguimos com algum jazz (os clássicos Charlie Parker Dizzy Gillispie), para depois enveredarmos por temas mais experimentais: aí, ouvimos os La Societé des Timides a la Parade des Oiseaux, que soam como uns The Residents mais amigáveis, e, logo de seguida, Amnesia Scanner, com um trabalho deste ano. Lemos ainda um conto de Virgilio Piñera, e fechámos com Julie Byrne.

  1. Thundercat – Friendzone (Drunk, 2017)
  2. Thundercat – Heartbreaks + Setbacks (Apocalypse, 2013)
  3. Thundercat – Them Changes (The Beyond / Where The Giants Roam, 2015)
  4. Thundercat – Song for the Dead (The Beyond / Where The Giants Roam, 2015)
  5. Jens Lekman – To Know Your Mission (Life Will See You Now, 2017)
  6. Jens Lekman – Hotwire the Ferris Wheel (Life Will See You Now, 2017)
  7. Charlie Parker & Dizzy Gillispie – Bloomdido (Bird and Diz, 1950)
  8. Charlie Parker & Dizzy Gillispie – Mohawk (Alternate Take) (Bird and Diz, 1950)
  9. Jah Wobble & the Chinese Dub Orchestra – Space/L1 Dub/L1 Solitude
  10. Saint Pepsi – Enjoy Yourself (Late Night Delight, 2013) | recomendação da Porto Calling.
  11. La Societé des Timides a la Parade des Oiseaux – Le Portrait de Dora Maar (Les Explositionnistes, 1995)
  12. Amnesia Scanner – TRUTH mixtape (excerto)
Conto de Virgilio Piñera, ‘A Troca’, no livro ‘O Grande Baro e outras histórias’.
  1. Julie Byrne – Natural Blue (Not Even Happiness, 2017)

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Emissão de 10/03 – Drake, sample de Kanye West, arte de Tim Buckley e pop em fast forward.

Desta vez, começámos orientados pela maravilhosa música de Margo Guryan (que merece constar numa das emissões canónicas do podcast), no seu único disco de estúdio que tanto deve ao psicadelismo e ao que mais tarde veio a ser conhecido por chanson, como débito à cultura francesa. Depois, uma curta incursão pela música de Drake, a propósito de um artigo no Ípsilon, e seguimos em busca de um sample utilizado na música de Kanye West e cuja autoria se deve a Sister Nancy, que havia, nessa semana, sido referenciada na Pitchfork como detentora de uma das melhores músicas de dancehall. Passámos pelo disco novo de Father John Misty (que ainda nem saiu – oops!), recordámos Cage the Elephant, e, logo de seguida, a imponente voz de Tim Buckley: enquanto não preparamos a emissão que lhe dedicaremos na íntegra, ficámos com mais um pouco do disco Starsailor, uma autêntica obra-prima do jazzfolk, e tudo o mais onde Buckley decidiu tocar neste seu disco. Até ao final, houve ainda Bruno Pernadas, e logo de seguida um excerto de John Coltrane, para terminarmos com a música de Blümchen, uma espécie de cantora juvenil para os jovens alemães, que trouxemos a propósito de possíveis ligações estéticas com a PC Music (tanto quanto se pode estar ligado com 20 anos de distância), e que merece que lhe ouçamos o disco pelo menos uma vez – por motivos de ciência, claro. Fechámos com Uyama Hiroto, cujo trabalho Freeform Jazz promete conquistar muita gente por aí fora.

  1. Margo Guryan – Love Songs (Take a Picture, 1968)
  2. Drake – One Dance (Views, 2016)
  3. Drake – Too Good (Views, 2016)
  4. Sister Nancy – Bam Bam (One Two, 1982)
  5. Kanye West – Famous (The Life of Pablo, 2016)
  6. Father John Misty – Total Entertainment Forever (Pure Comedy, 2017)
  7. Father John Misty – Things That Would Have Been Helpful to Know Before the Revolution (Pure Comedy, 2017)
  8. Cage The Elephant – Trouble (Tell Me I’m Pretty, 2015)
  9. Tim Buckley – Moulin Rouge (Starsailor, 1970)
  10. Tim Buckley – Come Here Woman (Starsailor, 1970)
  11. Bruno Pernadas – Valley in the Ocean (Those Who Throw Objects at the Crocodiles Will Be Asked to Retrieve Them, 2016) | recomendação da Porto Calling.
  12. John Coltrane – Africa (Africa/Brass, 1961)
  13. Blümchen – Rosa Wolke (Herzfrequenz, 1996)
  14. Uyama Hiroto – Laidback (Freeform Jazz, 2016)

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Emissão de 17/03 – Thomas Mann, exotismo nipónico e outras aventuras asiáticas.

Começámos com uma leitura de um excerto da ‘Morte em Veneza’, do alemão Thomas Mann, ao qual voltaríamos no final da emissão; e recuperámos trabalhos recentes de Jessy LanzaThe Magnetic Fields, Real Estate. Depois, o nome de Hiroshi Sato, teclista japonês que, em Orient, apresenta algo inclassificável, entre a música pop e o exotismo que a nós nos fez pensar em José Cid, nos seus trabalhos mais esotéricos. Ainda em território asiático, ficámos com duas canções de Indonesia Pop Nostalgia, música que é simultaneamente pop e dirigida a um público infantil (e são, como poderão ouvir, coisas bem arrojadas, e passíveis de sinalização pelas organizações de saúde para os mais pequenos). E já irremediavelmente perdidos, seguimos pelo reggae e, logo de seguida, pela poderosa música de John Zorn. Acabámos com Naked City, um excelente trabalho que merece uma emissão canónica, e, ainda, mais uma leitura da pequena novela de Thomas Mann.

Leitura dum excerto de ‘Morte em Veneza’, de Thomas Mann.

  1. Jessy Lanza – VV Violence (Oh No, 2016)
  2. Jessy Lanza – I Talk BB (Oh No, 2016)
  3. The Magnetic Fields – ’71: I Think I’ll Make Another World (50 Song Memoir, 2017)
  4. The Magnetic Fields – ’86: How I Failed Ethics (50 Song Memoir, 2017)
  5. Real Estate – Stained Glass (In Mind, 2017)
  6. Hiroshi Sato – カリンバナイト (Tsuki No Ko No Namae Wa Leo) (Orient, 1979)
  7. Hiroshi Sato – ピクニック (Picnic) (Orient, 1979)
  8. Aneka Ragam – Hidupku Untuk Tjinta (Indonesia Pop Nostalgia, 2012)
  9. Ira Maya Sopha – Buah Manggis  (Indonesia Pop Nostalgia, 2012)
  10. Dadawah – Zion Love (Peace and Love, 1975) | recomendação da Porto Calling.
  11. John Zorn – A Ride On Cottonfair (The Dreamers, 2008)
  12. John Zorn – Nekashim (The Dreamers, 2008)
  13. Naked City – You Will Be Shot (Naked City, 1989)

Leitura dum excerto de ‘Morte em Veneza’, de Thomas Mann.

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Edição 98 – Um compêndio do Vaporwave, e apropriação musical.

No ano passado, já em Novembro, reeditou-se um trabalho fundador do que, mais tarde, se veio a denominar de vaporwave: Chuck Person’s Eccojams Vol. 1. Chuck Person, um pseudónimo do músico Daniel Lopatin (Oneohtrix Point Never), reapropriou a música pop dos anos 80 e 90, cortou-as e tornou-as mais lentas, e daí surgiu a matriz impessoal e narcotizada que, mais tarde, teve especial relevo em FLORAL SHOPPE, de MACINTOSH PLUS (Vektroid). Este, um autêntico bastião do vaporwave como a sua referência mais imediata, levou o eccojam mais longe e pretendeu torná-lo musical. São dois discos que resumem este movimento artístico (e não apenas musical, dada a forte componente visual, em vídeo e nas capas dos discos, que compõem a obra): a reciclagem de outros trechos musicais e sua recontextualização à luz da nostalgia, a velada crítica reaccionária à moral capitalista, e o desejo de daí ver surgir algo novo, com méritos próprios. De certa forma, poder-se-á considerar como um efémero e primeiro regurgitar de contra-cultura da década, um interessante fenómeno da nossa cultura mediática.

Por isso, dedicamos-lhe quase integralmente esta edição do podcast, com um desvio inicial para a nova música de Hannah Diamond, uma escolha não inocente para o alinhamento.

Tomando como ponto de partida os dois supramencionados e ainda James Ferraro, cujo Far Side Virtual propõe uma narrativa anti-capitalismo, tecnófoba e hiper-consciente, seguimos em busca de outros trabalhos que possam ajudar a definir o género e outras estéticas associadas mas não necessariamente dependentes da matriz do eccojam. Essa necessidade de experimentar surge logo nos dois primeiros nomes, Laserdisc Visions 情報デスクVIRTUAL, outros pseudónimos artísticos de Vektroid. New Dreams Ltd. dedica-se a criar a mesma atmosfera cristalina, feérica, ainda que pervertida por vozes e outros sons alheios à sua narrativa principal, e 札幌コンテンポラリー opta pela abordagem via jazz, uma porventura intencional réplica da música de elevador (musak), que é também pelo vaporwave satirizada.

Seguem-se outros nomes influentes ou importantes no movimento: 骨架的 (em inglês, skeletal) surge sensivelmente na mesma altura de Chuck Person, numa estética menos abrasiva e mais catártica, embora Mediafired pareça seguir e aprofundar as possibilidades exploradas pelo eccojam (e cuja edição física terá sido primeiramente garantida numa editora portuguesa, a Exo Tapes, para mais tarde ser reeditada na Beer on the Rug, casa de Lopatin, Vektroid, entre outros); mais tarde, o combo Saint Pepsi/Luxury Elite, que propõem o funk e a música de dança como caminho possível, e ainda 蜃気楼MIRAGE death’s dynamic shroud.wmv.

Para terminar, não podíamos deixar de dedicar atenção a dois dos trabalhos fundadores. FLORAL SHOPPE tem, além de リサフランク420 / 現代のコンピュー, momentos marcantes e até sublimes; e Chuck Person’s Eccojams Vol 1, se ignorarmos a sua excessiva formalidade, é também um registo no qual nos podemos perder e, até, consigo criar laços. Por sugestão da Porto Calling, a mais incrível loja de vinil do país, tivemos ainda John Oswald, um nome obrigatório quando se fala no plunderphonics, uma técnica que refere ao que já existia quando nos abstraímos da componente narrativa do vaporwave: apropriação de registos sonoros anteriores por forma a edificar algo novo. Há quem, até, associe esta técnica ao pós-modernismo, que é primeiramente uma referência ao universo literário e pode significar uma renúncia a uma narrativa estabelecidada, à não-linearidade. E, como despedida, um exemplo que precede ainda Oswald: os The Residents, experimentais por definição, que tomam conta do catálogo dos Beatles e o profanam. Duas belíssimas experiências que fecham este programa.

Espero que gostem!

  1. Hannah  Diamond – Make Believe (2016)
  2. Laserdisc Visions – Tingri (New Dreams Ltd., 2011)
  3. Laserdisc Visions – Laserdisc Visions (New Dreams Ltd., 2011)
  4. 情報デスクVIRTUAL – 札幌地下鉄・・・「ENTERING FLIGHT MUSEUM」(札幌コンテンポラリー, 2012)
  5. 骨架的 – fountain (Holograms, 2010)
  6. Mediafired – Spring is Here (The Pathway Through Whatever, 2011)
  7. Luxury Elite – Nightlife (Late Night Delight, 2013)
  8. Saint Pepsi – Enjoy Yourself (Late Night Delight, 2013)
  9. 蜃気楼MIRAGE – お土産 8 (忘れテープ, 2016)
  10. death’s dynamic shroud.wmv – SCREENSHOT FOLDER (VIRTUAL UTOPIA EXPERIENCE, 2014)
  11. Chuck Person – A2 (Chuck Person’s Eccojams Vol. 1, 2010)
  12. MACINTOSH PLUS – 数学  (FLORAL SHOPPE, 2011)
  13. John Oswald – Dab (Plunderphonics, 1989)
  14. The Residents – Beyond The Valley Of A Day In The Life (The Third Reich ‘n Roll, 1975)

Para leitura:

Adam Harper, na Dummy Mag: Comment: Vaporwave and the pop-art of the virtual plaza |  Simon Chandler, no Bandcamp: Genre As Method: The Vaporwave Family Tree, From Eccojams to Hardvapour | Ainda Chandler, sobre os subgéneros do vaporwaveGenre As Method: The Vaporwave Family Tree, From Eccojams to Hardvapour

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