04/05 – A voz, presença de David Toop, coisas, em geral, bonitas.

Esta emissão foi alavancada pela pessoa de David Toop, artista e jornalista de primeiríssima água. Em 1996, compilou um álbum de ênfase vocal, e foi dele que ouvimos uma série de faixas, do mais convencional ao experimental. Passámos pelos Beach Boys e por Chet Baker, e pelos mais arriscados Yanomani Young Men, e invejámos a forma como Toop apreende o mundo da música.

Além disso, demos destaque ao belíssimo disco de Kelsey Lu, que será um dos que levamos deste ano, e ouvimos a música de Ikue Mori, que figurará uma vez mais na emissão seguinte. A memória pregou-me uma partida com a música de Ryuichi Sakamoto – no mínimo, serviu para recordá-lo – e ainda fomos escutar a loucura de Wolfgang Dauner. Bonita hora.

1. Yanomami Young Men – Singing Before Hunting (Crooning On Venus: Ocean Of Sound 2, 1996)
2. The Flying Lizards – Money (That’s What I Want) (The Flying Lizards, 1980)
3. Beach Boys – Wind Chimes (Crooning On Venus: Ocean Of Sound 2, 1996)
4. Kelsey Lu – Atlantic (Blood, 2019)
5. Ikue Mori – Loops (Hex Kitchen, 1995)
6. Ikue Mori – Shiver (Hex Kitchen, 1995)
7. Chet Baker – My Ideal (Crooning On Venus: Ocean Of Sound 2, 1996)
8. Ryuichi Sakamoto – solari (async, 2017)
// Lento – Sostenuto Tranquillo Ma Cantabile (Symphony No. 3 (Symphony of Sorrowful Songs) Op. 36, Beth Gibbons & Polish Radio National Symphony Orchestra)
9. Wolfgang Dauner – Nothing to Declare (Output, 1970)
10. Kelsey Lu – Blood (Blood, 2019)

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27/04 – Amálgama de fascínios e relevâncias, em ausência.

Nesta emissão em particular, foi-nos impossível fazer a locução; assim, socorremo-nos de alguns nomes habituais, como os Ermo, ou Nico, ou Charli XCX, e de outros fascínios correntes. Havíamos prometido, por exemplo, prosseguir na descoberta da música de El Guincho, que está a ganhar o seu espaço como produtor (El Mal Querer, de Rosalía, é seu em grande parte também); e descobrimos ainda Thelma, uma curiosa cantautora (em inglês, dir-se-ia quirky). Há uma incursão pelo rock exploratório de Kan Mikami, a propósito de uma compilação recente, e mais alguns apontamentos. No fundo, um pequeno almanaque de interesses vários.

1. Charli XCX – Out Of My Head (feat. Tove Lo and ALMA) (Pop 2, 2017)
2. El Guincho – Parte Virtual (Hiperasia, 2016)
3. Ermo – ctrl + c ctrl + v (Lo-Fi Moda, 2017)
// Ermo live @ pdc2018 – Fa zer vu du
4. El Guincho – Stena Drillmax (Hiperasia, 2016)
// experimentações
5. Thelma – Stranger Love (The Only Thing, 2019)
6. A.R. Kane – Crazy Blue (69, 1988)
7. A.R. Kane – Sperm Whale Trip Over (69, 1988)
8. Freddie Gibbs & Madlib – Harold’s (Piñata, 2014)
9. Happy End – Natsu Nandesu (Even A Tree Can Shed Tears: Japanese Folk & Rock 1969-1973, 2019)
10. Lonnie Holley – How Far Is Spaced-Out? (MITH, 2018)
11. パンティストッキングのような空 – Kan Mikami (怨歌集:ひらく夢などあるじゃなし, 1972)
12. 気狂い – Kan Mikami (怨歌集:ひらく夢などあるじゃなし, 1972)
13. あなたもスターになれる – Kan Mikami (怨歌集:ひらく夢などあるじゃなし, 1972)
14. Kathryn Joseph – The Why What, Baby? (Bones You Have Thrown Me and Blood I’ve Spilled, 2015)
15. Lonnie Holley – I Woke Up in a Fucked-Up America (MITH, 2018)
16. Nico – Janitor of Lunacy (Desertshore, 1970)
17. Pierre Dutour – Space Fiction (Top Fiction, 1979)

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13/04 – Quase pleno de 2019, com experimentação e pop bem lubrificada.

Um dia teria que acontecer. Senhoras e senhores, Ágata, n’A Mosca.

Esta estreia coincidiu com uma amostra empírica, interpretada por dois jovens universitários pouco tempo depois, das valências líricas e conceptuais da artista portuguesa; demonstrou-se um arco narrativo ao qual Mexe-te Mais Um Pouco é alheio, é certo, mas mantém-se esta música, por si só, como uma curiosa experiência no domínio da synth-pop.

De resto, foi uma emissão quase integralmente com música de 2019, alguma da qual passará algo despercebida à posterior história do ano. Se Weyes Blood é já uma aposta seguríssima no domínio da folk, não o será, por exemplo, o cloud rap de Triad God, que preludia uma incursão mais tardia por novas tendências da música contemporâneo, na estética de pós-reggaeton rap de auto-tune que marcam o final da década – são disso exemplo o belíssimo disco de Bad Gyal, e a estranha abordagem, entre o emo e o trap, de Bladee.

Foi esta uma emissão dedicada a coisas novas. Não é habitual.

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1. Ágata – Mexe-te Mais Um Pouco (Amor Latino, 1989)
2. The Comet Is Coming – Summon The Fire (Trust In The Lifeforce of the Deep Mystery, 2019)
// Matmos – Ultimate Care II
3. Matmos – The Crying Pill (Plastic Anniversary, 2019)
4. Triad God – Babe Don’t Go (Triad, 2019)
5. Triad God – So Pay La (Triad, 2019)
6. Triad God – BDG (Triad, 2019)
7. Lafawndah – Storm Chaser (Ancestor Boy, 2019)
8. Weyes Blood – A Lot’s Gonna Change (Titanic Rising, 2019)
9. Weyes Blood – Everyday (Titanic Rising, 2019)
10. Bladee – Fake News (Red Light, 2018)
11. Bad Gyal – Yo Sigo Iual (Worldwide Angel, 2018)
12. Carly Rae Jepsen – No Drug Like Me (Dedicated, 2019)

30/03 – Recordar Scott Walker, e sua metamorfose, com inusitada experimentação final.

Soube-se no início dessa semana de Março que Scott Walker havia falecido, aos 76 anos.

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mensagem da editora 4AD, via tinymixtapes.com

A sua carreira tem sido, ao longo dos cinco anos deste programa, um baluarte ao qual recorremos amiúde, e representa uma série de características que nos interessam sobremaneira. Primeiro, o início classicamente pop, junto dos seus irmãos (com quem forma os Walker Brothers), e mais tarde em nome próprio, período do qual temos Scott, de 1967, como referência: canções majestosas e inebriantes, devedoras à chanson de Jacques Brel, enquanto os Beatles, por exemplo e até no mesmo país, já haviam partido para registos mais experimentais (com o psicadélico Sgt. Peppers, lançado no mesmo ano).

Será então, ao longo dos anos, que ocorrerá uma das mais interessantes, provocadoras e densas metamorfoses da história da música gravada. Perde a ambição de teen idol, e Scott reclui cada vez mais dentro do registo de cantautor; a melancolia, já presente no primeiro disco, envolve a instrumentação, e intromete-se, perniciosa, como na mágica It’s Raining Today, que ouvimos, balada subtil sobre a chuva, menos subtil porém um drone irrequieto e dissonante, que perturba – e aí se fora a inocência de Scott Walker.

“Evenings with your mother’s friends
Pregnant eyes, sagging chins
Swollen fingertips pour antique cups of tea
Who are you and where you been?
Suspended in a weightless wind
Watching trains go by from platforms in the rain
Look at the photograph, dream back last summer
Dream back the lips of that travelling salesman, Mr. Jim
He smelt of miracles with stained glass whispers
You loved his laughter, you tremble beneath him once again”

excerto de Rosemary, do disco Scott 3.

Os anos seguintes têm-no numa fase não-brilhante, e de aceitação não uniforme junto do público – uma série de discos entre o country e a pop baladeira de anos anteriores, enquanto assumidamente os fabrica por motivos financeiros. Seguir-se-á uma pausa no nome próprio para trabalhar com os irmãos, nos Walker Brothers, fase na qual se prenuncia – através de The Electrician, que ouvimos – a estética experimental do seu final de carreira.

Dessa fase posterior, que é bem mais querida do público afecto, ouvimos apenas uma música, que remonta ao The Drift, de 2006, editado já depois de Tilt, o primeiro neste registo, editado em 1995.

Terminámos a emissão com passagem por um projecto interessante, no qual os músicos propõem interpretar musicalmente os quadros de Mondrian. E é isto.

1. Scott Walker – When Johanna Loved Me (Scott, 1967)
2. Scott Walker – It’s Raining Today (Scott 3, 1969)
3. Scott Walker – Big Louise (Scott 3, 1969)
4. Scott Walker – The Seventh Seal (Scott 4, 1969)
5. Scott Walker – Duchess (Scott 4, 1969)
6. The Walker Brothers – Death of Romance (Nite Flights, 1978)
7. The Walker Brothers – The Electrician (Nite Flights, 1978)
8. The Walker Brothers – Nite Flights (Nite Flights, 1978)
9. Scott Walker – Jesse (The Drift, 2006)
10. Jamie Drouin – Composition With Double Line, 1934 (The Mondrians, 2019)
11. Chris Harris – New York City, 1942 (The Mondrians, 2019)

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23/03 – Sequência em ausência com pop maternal, rock experimental, e vivência virtual sonora.

Nesta emissão, a nossa ausência permitiu-nos chegar a sítios que nos seriam custosos justificar caso o fizéssemos em directo. Por isso, depois de uma ida a Joji (que ouvimos há uns meses, a propósito do seu novo disco de canção pop), fomos refrescar os ouvidos com a música de Dido – todos se lembrarão – e o clássico White Flag. Pop maternal é apropriado? Segue-se Lana Del Rey, por que não?

Aqueles cuja sensibilidade foi ferida durante este segmento (ou então, mais apropriadamente, não terá sido ferida, e até queriam) terão motivos para fazer as pazes com A Mosca depois de ouvir os Housewives. São britânicos e são cínicos; portanto, a receita ideal para mais um grupo de pós-punk, não fosse essa uma brutal redução do que eles se propõem executar. Ouçam (e vejam) vocês mesmos, aqui.

Foi uma hora algo esquizofrénica; está assumido. Por esta altura, já fora descartada qualquer noção de linearidade e demos um salto de cinquenta anos até Townes Van Zandt (a não confundir com Van Dyke Parks!), cantautor de excelência. Acho que pretendíamos um momento de acalmia, ou algo do género. Este é um dos seus discos de referência.

Até ao final, escutámos um novo trabalho de Eli Keszler, no EP Empire (passou pelo gnration entretanto), e fomos imergir no estranho mundo de Alan Sond, provavelmente o maior destaque da emissão. A música é algo programática, no sentido em que pretende acompanhar uma peça de teatro (que nunca se realizou); resta-nos este trabalho, com quinze minutos de cada lado, editado pela low income $quad.

Terminámos ao som de Schubert. Por que não?

1. Joji – Vlog Beat 6 (Chloe Burbank Volume 0.5, 2016)
2. Dido – White Flag (Life For Rent, 2003)
3. Lana Del Rey – Lust For Life (feat. The Weeknd) (Lust For Life, 2017)
4. Housewives – SmttnKttns (Twilight Splendour, 2019)
5. Housewives – Beneath The Glass (Twilight Splendour, 2019)
6. Townes Van Zandt – For The Sake of the Song (Townes Van Zandt, 1969)
7. Townes Van Zandt – Colorado Girl (Townes Van Zandt, 1969)
8. Eli Keszler – The Tenth Part of a Featured World (Empire, 2019)
9. Alan Sond – Clown Around Town (LI$014, 2019)
10. Franz Schubert interpretado por Prague String Quartet – Quartet No. 13 Rosamunde: I – Allegro ma non troppo

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16/03 – Pop e erudição, com cinema, jams e de tudo um pouco.

Nesta emissão do mês de Março, dedicámos o início à fruição de dois bons momentos da pop de 2019. Primeiro, com Ariana Grande (de quem já somos amigos e com quem temos uma relação de alguma proximidade); depois, com a predileta Carly Rae Jepsen, que entretanto já lançou o disco que vinha adiantando com Now That I Found You. Bons momentos, e que preludiam uma secção dedicada à música de Giovanni Fusco, que musicou uma série de bons filmes, dos quais destacamos Hiroshima, Mon Amour, L’Avventura. Há ainda oportunidade para recordar o projecto de The Caretaker, que terminou Everywhere at the end of time neste ano de 2019.

Segue-se a descoberta dos Finis Africae, através de um seu trabalho antológico, e logo depois passamos para os black midi, aqui em colaboração com Damo Suzuki (dos Can), que serão certamente uma influência para este grupo. Entretanto, lançaram o seu disco de estreia, mas esta é uma pequena amostra do que são capazes ao vivo.

Para terminar, passámos por uma experiência de noise liderada por Blixa Bargeld, ex-Bad Seeds Einstürzende Neubautene depois despedimo-nos com uma belíssima Sonata beethoviana para violoncelo e piano.

1. Ariana Grande – NASA (thank u, next, 2019)
2. Carly Rae Jepsen – Now That I Found You (Dedicated, 2019)
3. Giovanni Fusco – Hiroshima, Mon Amour (Hiroshima, Mon Amour, 1960)
4. Giovanni Fusco – Pompeii (Hiroshima, Mon Amour, 1960)
5. Giovanni Fusco – Titoli: Atmosfera Tensiva (Music For Michelangelo Antonioni, 2006)
6. The Caretaker – Losing loss of battle (Everywhere, an empty bliss, 2019)
7. Finis Africae – Segundos, segundos, segundos (A Last Discovery: The Essential Recordings, 1984-2001, 2013)
8. Finis Africae – Los colores de mis botas (A Last Discovery: The Essential Recordings, 1984-2001, 2013)
// Finis Africae – Radio Tarifa (A Last Discovery: The Essential Recordings, 1984-2001, 2013)
// black midi & Damo Suzuki – part 1 (damo suzuki live at the windmill brixton with ‘sound carriers’ black midi, 2018)
9. Blixa Bargeld, Luciano Chessa, Fred Möpert, Opening Performance Orchestra – Opening Performance Orchestra: Trio n°3 (The Noise Of Art/ Works for Intonarumori, 2019)
10 – Ludwig van Beethoven interpretado por Friedrich Gulda e Pierre Fournier – Sonata No.1 in F major, Op.5, No.1 – I. Adagio sostenuto – Allegro (Beethoven: Complete Works for Cello and Piano, 2006)

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09/03 – Novo de Solange, deambulação pelo Bandcamp e experimentação a valer.

O monumental atraso para as emissões actuais é irremediável; não há forma de acertar o passo. Endereço-vos um enorme pedido de desculpas pela falta de novidades. Mais ainda se o justifica dada a estupenda hora com a qual nos deleitámos desta vez, na companhia de Solange, Sallim, e outros.

No entanto, não começámos por aí. Talvez a propósito da Eurovisão – quem sabe? foi há tanto tempo -, recordámos Conan Osiris, de cuja ascensão (e agora eventual queda…) fomos espectadores activos. AMÁLIA é uma belíssima canção e nunca será demais. Segue-se T-Pain, que nunca por aqui havia passado e provavelmente terá sido vez única, mas que aqui nos traz um exemplo de pop palerma, bem-disposta, à qual já não conseguimos resistir. É um portento, esta Keep This From Me.

Depois, sim, a nossa Solange. Que maravilha! Nunca será a mesma, para nós, depois da passagem pelo NOS Primavera Sound deste ano, quando nos arrebatou no último concerto do primeiro dia. Que presença, e que voz, e que disco! Que tão mais interessante e denso se torna ao vivo. Debatemo-nos, porventura, com a sua insipidez – talvez não a palavra certa – se o tomarmos como disco pop; como obra de r&b experimental, tocada ao jazz e à soul, é magnífica. Ficam duas faixas para provar.

O resto, será incursão pelo Bandcamp, nossa plataforma de eleição para aquisição responsável e sustentável de música. Daí, fomos ouvir Sallim, ligada à Cafetra Records e autora de A Ver o que Acontecepop descomprometida e disco a reter deste ano; e Lomelda, numa breve incursão; e ANGEL-HO, que é militantemente desconcertante; e Honey Oat, que por esta altura já terão lançado o disco ao qual aludimos com esta amostra.

Até ao final, confundi os Tortoise com os Gastr Del Sol (poderia ser um erro mais ignominioso, embora ainda assim imperdoável), fomos à música de Maja K. S. Ratkje, que tem óptimos momentos a recordar (como esta Sayago, imperdível!), passámos por um interessantíssimo disco de Myriam Bleau, recomendado a quem apreciar a estética electroacústica e exploratória, e, por fim, desintegrámo-nos percussivamente ao som de Mark Fell. Percussivamente existe, de facto? Boa questão.

1. Conan Osiris – AMALIA (SILK, 2014)
2. T-Pain – Keep This From Me (1UP, 2019)
3. Solange – Things I Imagined (When I Get Home, 2019)
4. Solange – Binz (When I Get Home, 2019)
5. Solange – My Skin My Logo (When I Get Home, 2019)
6. Sallim – Bom Para Mim (A Ver o que Acontece, 2019)
7. Sallim – A Pensar em Ti (A Ver o que Acontece, 2019)
8. Lomelda – Watering (M for Empathy, 2019)
9. ANGEL-HO – Live (Death Becomes Her, 2019)
10. Honey Oat – A Stranger Spring (Honey Oat, 2019)
11. Tortoise – I Set My Face to the Hillside (TNT, 1998)
12. Maja K. S. Ratkje – Sayago – en sådan glidende lyd (Sult, 2019)
13. Maja K. S. Ratkje – Den sprættende bevægelse min fot gjør hver gang pulsen slår (Sult, 2019)
14. Myriam Bleau – Constructivism (Lumens & Profits, 2019)
15. Mark Fell – INTRA-6 (Computer Generated Rhythm For Microtonal Metallophones, 2018)

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02/03 – Tesouro do pós-punk, recordações de Mark Hollis, som e silêncio.

Ao início do mês de Março, recuperámos as Marine Girls, uma pequena delícia do prolífico período do pós-punk; o disco, Beach Party, é óptimo; e a título de curiosidade, Tracey Thorn integrou este grupo, antes de, mais tarde, formar os Eveything But The Girl. Coisas bonitas da vida. Segue-se Cass McCombs, o descontraído homem do rock, com uma canção do seu último álbum.

Foram apontamentos preliminares de uma emissão que se demorará na carreira de Mark Hollis, e, por extensão, na discografia dos Talk Talk. O seu percurso é um dos mais singulares da música britânica: iniciam-se bem perto do synth pop, com música orelhuda (e bem construída), período sumariamente representado em It’s My Life, lançado em 1984. 

Daí, avançámos para uma importantíssima trilogia, documento da impressionante metamorfose nos Talk Talk. Da pop, lançam-se a terreno não cartografado, numa renúncia total às leis do mercado e da escuta comercial, e percorrem, ao longo destes três discos, um caminho de descoberta e de reflexão. Subitamente, a sua música assemelha-se a um quarto privado, silencioso, sem linguagem, imensamente recompensador para quem se decidir a participar nesta jornada.

Enquanto tudo isto, Mark Hollis foi-se distanciando do mediatismo e desfrutou de uma pacífica reclusão quanto à imprensa. Dele pouco se soube, além de umas entrevistas muito pontuais, até à notícia da sua morte, que se veio a confirmar por algumas fontes ligadas ao músico. 

A emissão fecha com a colaboração entre Graham Lambkin e Michael Pisaro, de um disco de 2015.

1. Marine Girls – Fridays (Beach Party, 1982)
2. Marine Girls – He Got The Girl (Beach Party, 1982)
3. Cass McCombs – Prayer For Another Day (Tip of the Sphere, 2019)
// Talk Talk – It’s My Life
4. Talk Talk – Does Caroline Know? (It’s My Life, 1984)
5. Talk Talk – Chameleon Day (The Colour of Spring, 1986)
6. Talk Talk – Life’s What You Make It (The Colour of Spring, 1986)
7. Talk Talk – I Believe In You (Spirit of Eden, 1988)
8. Talk Talk – Ascension Day (Laughing Stock, 1991)
9. Talk Talk – After The Flood (Laughing Stock, 1991)
10. Mark Hollis – The Gift (Mark Hollis, 1998)
11. Graham Lambkin & Michael Pisaro (Schwarze Riesenfalter, 2015)

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23/02 – Variações no rock, clássicos e jazz sério.

Para fechar o mês de Fevereiro, tivemos uma sequência inicial dada ao rock e suas variações. Primeiro, os Andrew Jackson Jihad, cujo registo não é habitual por aqui, a trazer uma espécie de folk-punk; e, logo de seguida, os Fat White Family, que entretanto lançaram disco novo em 2019, e a quem fomos escutar trabalhos de diferentes fases. Mas o segmento fecha com Xiu Xiu, que tem um brutal disco lançado neste ano e que nos deu imenso prazer descobrir.

De seguida, fomos descobrir um trabalho recente de Mica Levi que nos havia passado despercebido, composições para piano aqui interpretadas por Eliza McCarthy – continua a ser um nome que seguimos com atenção. E Ariana Grande passa logo de seguida, um delicioso guilty pleasure deste ano, que nos levará à música de Joni Mitchell, num dos seus discos mais experimentais, ainda que dentro do registo familiar de folk traçada ao jazz a que nos habitou ao longo da carreira.

Dedicámos uma breve secção aos Outkast, cuja carreira é absolutamente essencial na convergência da pop com o hip-hop, e fomos ainda escutar um disco de Dominique Lawalrée, um curioso músico de composição clássica, que havemos de explorar numa outra ocasião. Para fechar, Charles Mingus: depressinha, mas não demasiado.

1. Andrew Jackson Jihad – Survival Song (People That Can Eat People Are The Luckiest People In The World, 2007)
2. Fat White Family – Love Is The Crack (Songs For Our Mothers, 2016)
3. Fat White Family – Is It Raining In Your Mouth? (Champagne Holocaust, 2013)
4. Xiu Xiu – Girl With Basket Of Fruit (Xiu Xiu, 2019)
5. Xiu Xiu – Pumpkin Attack On Mommy And Daddy (Xiu Xiu, 2019)
6. Mica Levi and Eliza McCarthy – Bullets Hit The Wall Sugar Hit (Slow Dark Green Murky Waterfal, 2018)
7. Ariana Grande – imagine (thank u, next, 2019)
8. Joni Mitchell – The Jungle Line (The Hissing of Summer Lawns, 1975)
9. OutKast – The Way You Move (featuring Sleepy Brown) (Speakerboxxx / The Love Below, 2003)
10. OutKast – Take Off Your Cool (featuring Norah Jones) (Speakerboxxx / The Love Below, 2003)
11. OutKast – Hey Ya! (Speakerboxxx / The Love Below, 2003)
12. Dominique Lawalrée – Poker (Imep’s Boogie) (Brins D’Herbe, 1978)
13. Dominique Lawalrée – Sorry (Brins D’Herbe, 1978)
14. Dominique Lawalrée – Blues IV (Brins D’Herbe, 1978)
15. Charles Mingus – Adagio Ma Non Troppo (Let My Children Hear Music, 1972)

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16/02 – Modernidades de 50, melancolia, ensaio electrónico e calma.

O que é que aconteceu a meio de Fevereiro?

A Mosca recupera, quase um mês após a ressurreição, e desta vez aprouve uma viagem pelo exótico e moderno; assim se justifica um showcase bizarro-tropical de Esquivel!, que já por aqui passou noutra emissão, e justifica a sua reputação de experimentador de pop quando não havia sequer ainda uma definição de música pop. Sempre bom recordá-lo. Com semelhante ligeireza, passámos pela bossa nova de João Gilberto, primeiro a solo e depois com a companhia de Stan Getz – este último é um disco absolutamente clássico.

Pelo meio, perdemos o norte à emissão e andámos por álbuns que nos são queridos e conhecidos – casos de Joni Mitchell Sun Kill Moon; depois, voltámos à música de Minnie Riperton, que temos vindo a conhecer nos últimos tempos.

A sequência final é dedicada a silêncios. Primeiro, Jan Jelinek que, dentro do âmbito da electrónica, a faz muito discreta; depois, há Animal Collective, num trabalho menos extrovertido que Merriweather Post Pavillion; por fim, Nivhek, um outro nome para Liz Harris, ou Grouper, que aqui experimenta dentro de registos longe da canção.

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1. Esquivel! – Lazy Bones (Exploring New Sounds in Stereo, 1959)
2. Esquivel! – Boulevard Of Broken Dreams (Exploring New Sounds in Stereo, 1959)
3. João Gilberto – Brigas Nunca Mais (Chega de Saudade, 1959)
4. João Gilberto – Chega de Saudade (Chega de Saudade, 1959)
5. Stan Getz / João Gilberto – Pra Machucar Meu Coração (Getz/Gilberto, 1964)
6. Stan Getz / João Gilberto – Vivo Sonhando (Getz/Gilberto, 1964)
7. Joni Michell – River (Blue, 1971)
8. Sun Kill Moon – I Can’t Live Without My Mother’s Love (Benji, 2014)
9. Minnie Riperton – Les Fleur (Come To My Garden, 1971)
10. Minnie Riperton – Only When I’m Dreaming (Come To My Garden, 1971)
11. Jan Jelinek – Moiré (Strings) (Loop-Finding-Jazz-Records, 2001)
12. Animal Collective – The Softest Voice (Sung Tongs, 2004)
13. Nivhek – Walking in a spiral towards th (After its own death / Walking, 2019)