19/05 – Twin Peaks regressa, loucuras de 1968, e jazz.

Mais um directo do mês de Maio!

Começámos com dois nomes do jazz: primeiro, Ryo Fukui, cujo disco Scenery aparece recorrentemente nas recomendações do Youtube, e depois, Chet Baker, com dois exemplos de dois discos distintos. Seguiu-se uma jornada pelo hip-hop, com nomes contemporâneos e desses, um enorme peso-pesado: Oddisee com o seu novo disco deste ano, e milo com duas faixas antigas; como sabem, nutrimos uma predilecção especial por este último. Terminámos com Death Grips, do seu Money Store.

Dado que se aproximava o lançamento da nova temporada de Twin Peaks, comemorámos a ocasião ao revisitar a interpretação de Xiu Xiu desta magistral banda sonora – mesmo que tenhamos ido ao engano numa das vezes.

E antes de fechar a emissão com uma pouco-escutada versão da Amar Pelos Dois (esta foi a primeira emissão após termos ganho o festival), passámos por música lançada no louco ano de 1968. Primeiro, a recomendação da Porto Calling trouxe-nos os Silver Apples, grupo minimal que se orientou predominantemente na electrónica rudimentar, pese embora fizessem coisas incríveis; logo de seguida, um grupo que por aqui já passou e nunca é demais relembrar: os The United States of America, um dos nomes mais famigerados desta década, que produziram apenas um disco e podiam ter feito mais dois ou três. É uma loucura. Deviam ouvi-lo.

Assim passámos a hora da semana.

1. Ryo Fukui – It Could Happen To You (Scenery, 1976)
2. Chet Baker – Baby Breeze (Baby Breeze, 1964)
3. Chet Baker – She Was Too Good to Me (She Was Too Good to Me, 1974)
4. Oddisee – Built By Pictures (The Iceberg, 2017)
5. milo – Sophistry and Illusion (Cavalcade, 2013)
6. milo – sweet chin music (Things That Happen at Day, 2012)
7. Death Grips – Hustle Bones (The Money Store, 2012)
8. Xiu Xiu – Into the Night (Plays the Music of Twin Peaks, 2016)
9. Xiu Xiu – Laura Palmer’s Theme (Plays the Music of Twin Peaks, 2016)
10. Silver Apples – Oscillations (Silver Apples, 1968) | sugestão da Porto Calling.
11. The United States of America – I Won’t Leave My Wooden Wife For You, Sugar (The United States of American, 1968)
12. Salvador Sobral – Amar Pelos Dois (ao piano, num programa de televisão)

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Edição 93 – A amálgama musical dos Stereolab, novo single de Beck, e a irreverência dos Crainium.

Decorrido mais de um mês desde a última edição do podcast, pedimos as devidas desculpas e prestamo-nos à música.

Desta vez, abrimos com o novo single do americano Beck, que pisa terrenos alheios ao que tem feito nos últimos anos. Chama-se WOW – e deixou-nos com elevadas expectativas para o seu próximo disco. Tempo ainda para recuperar um dos pontos altos do concerto de White Fence, em Braga, com uma das músicas do projecto paralelo de Tim Presley: chama-se W-X; e também, claro, a mixtape pela qual tanto aguardámos: Chance the Rapper traz-nos Same Drugs.

O projecto ao qual demos mais destaque nesta hora segue-se: chamam-se Stereolab, vêm de Inglaterra, e são uma das mais entusiasmantes e camaleónicas bandas dos anos 90. No seu repertório constam mais de 10 álbuns de estúdio, mais uma série de EPs (entre eles, umas colaborações com os Nurse With Wound!). Sem entrar em muitos detalhes técnicos, digamos que são uma banda composta por melómanos; só assim se explica a imensa variedade de influências que constam nos seus trabalhos. Ouve-se o drive frenético do krautrock, as inocentes melodias das canções francesas, e as experimentações que sempre pautaram os artistas avant-garde. Destes Stereolab ouvimos 3 músicas, todas de discos diferentes.

E, como não podia deixar de ser, alguém colheu os frutos que os Stereolab plantaram; neste caso em particular, ouvimos os Broadcast, também ingleses, que no início da sua carreira foram sobejamente comparados aos primeiros. Felizmente, souberam usar essas comparações a seu favor e também lançaram óptimos discos. Deles, recomenda-se o disco Tender Buttons (2005).

Porto Calling  convida-nos, desta vez, a ouvir os Lost Themes (2015) de John Carpenter. O realizador também fez, em tempos, alguns trabalhos musicais, de forma a que pudessem complementar os seus filmes (não esqueçamos o filme The Thing (1982), realizado pelo americano). Aqui, ouvimos um ambient tenso, e tenebroso, até.

A entrar na recta final do programa, ficámos com os Gang Gang Dance e uma recordação do seu trabalho Eye Contact (2011). Na altura, foi um disco que não me impressionou muito; à medida que os anos vão passando, gosto de o redescobrir. Vêm a propósito porque alguns dos seus membros integraram um curioso grupo de nome The Crainium, que produz música imprevisível e de longos rasgos de energia. Pode, claro, ligar-se às correntes nova-iorquinas do no wave, assim como, de certa forma, à atitude do free jazz. O disco chama-se A New Music For A New Kitchen (1998).

Para fechar a emissão, não podíamos passar ao lado do novo dos RadioheadA Moon Shaped Pool. Assim sendo, recuperámos a última faixa do seu EP I Might Be Wrong: Live Recordings (2001), que, como o nome indica, consiste em gravações de alguns dos seus concertos. Foi aqui que muitos ouviram, pela primeira vez, a icónica True Love Waits, que os britânicos finalmente gravaram em estúdio. Pela nostalgia, ouvimos a versão original e que há mais tempo nos acompanha.

Estão lançadas as pistas para esta edição do programa. Espero que gostem!

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Como subscrever A Mosca.

Edição 88 – The Life of Pablo, a irreverência de Annette Peacock, e o activismo entre o jazz e o hip-hop.

Voltámos!

Os últimos tempos não têm sido fáceis no que toca à gestão do tempo. Como tal, dedicámos o início do programa ao disco que marcou o início de Fevereiro: The Life of Pablo, de Kanye West. Ficámos com a primeira música do disco, assim como a opinião sobre o trabalho e, também, a análise ao que pode mudar depois de um lançamento tão inusitado. Depois, a vez de ouvir Donnie Trumpet & The Social Experiment, juntamente com a voz de Chance The Rapper, no trabalho Surf de 2015. De volta ao corrente ano, espreitámos Painting With dos Animal Collective (que havia sido antecipado há algumas edições atrás).

Desta vez, a recomendação da Porto Calling traz-nos os The Music Machine, grupo que editou o seu primeiro disco em 1966. Uma mistura de composições originais com covers, a pedido da editora, apresentam-nos uma das primeiras iterações pelo garage rock. É a sugestão da melhor loja de vinil do país, no Porto.

Seguimos com a música da americana Annette Peacock, nome essencial dum jazz experimental, sem medo de se ligar a outras correntes da música – entre as quais a força do blues, e a irreverência do rock. Começou a gravar nos finais da década de 60, juntamente com Paul Bley – outro enormíssimo músico – e é de um dos seus primeiros trabalhos gravados que ouvimos A Loss of Consciousness. Um disco pioneiro no que toca ao uso do sintetizador Moog na modulação da voz. Vale a pena ouvir! Seguimos com uma outra música do seu álbum mais marcante – I’m The One, de 1972.

A descoberta da semana ficou dividida entre Annette Peacock e a fantástica colaboração entre dois grandes nomes contemporãneos: Vijay Iyer, músico de jazz, e Mike Ladd. Inspirados num manifesto escrito por Jafar Panahi, realizador iraniano (com uma carreira obrigatória, desde The Mirror a Taxi), que teve problemas com os serviços de imigração nos EUA, criam um vívido cenário no disco In What Language?, de 2003, sobre multiculturalidade e a globalização. Um poderoso portento musical dirigido por Iyer e pautado pelas cortantes letras Ladd.

Para terminar, não esquecer que no próximo dia 4 de Março, há concerto na Casa da Música, com a Sinfonia Nº1 em Ré Maior, Titã, Lieder eines fahrenden Gesellen, todas elas composições de Gustav Mahler; depois, a leitura de um breve poema de Manuel Alegre, ‘Cão Como Nós’; e, para terminar em grande, uma música do novíssimo disco dos peixe : avião, que partilha o nome do álbum: Peso Morto.

Foi assim que passámos uma belíssima hora. Espero que gostem, e que voltem para a próxima! Até já.

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Edição 86 – Homenagem ao Camaleão, ritmos endiabrados, e um pouco de hip-hop.

Esta semana, deixámos as honras de abertura a David Bowie. Importantíssimo numa certa altura da minha vida, quando comecei a interessar-me mais por música, fiquei imediatamente conquistado pelo seu The Rise and Fall of Ziggy Stardust and the Spiders From Mars, que data de 1972. É um óptimo disco – um clássico! -, obrigatório nesta emissão.

Depois, segue-se uma tremenda sequência com os Talking Heads, de quem ouvimos dois distintos trabalhos, e os Liquid Liquid; estes, menos mediáticos, mas no curto espaço de tempo que durou a sua carreira, lançaram um punhado de boas músicas. Recordamos duas.

Ainda a mensagem do nosso patrocinador, a Porto Calling, que nos traz os The Fall e uma música do seu primeiro disco.

Lembrando que na próxima sexta-feira, dia 22, há concerto no Theatro Circo, recuperámos Allen Halloween e o seu mais recente disco, Híbrido, absolutamente obrigatório. Com ele, trazemos uma das suas grandes influências: os brasileiros Racionais MC’s, muito importantes no cânone do rap cantado na língua portuguesa.

Para terminar, ainda o mais recente trabalho de MiloSo The Flies Won’t Come, que, embora não tão denso e imaginativo como o seu duplo EP de 2011, tem a capacidade de criar os seus próprios fãs. Espero que vocês sintam o mesmo. A emissão fecha como abriu – na companhia de David Bowie – recuperando o seu álbum de 1977, Low, que contou com a colaboração de Brian Eno.

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A conversa com Allen Halloween.

A música portuguesa de 2015 fica indelevelmente marcada pelo lançamento do álbum de Allen Halloween, Híbrido, que conta como terceiro na carreira do rapper. Alguns conhecê-lo-ão apenas da música Dia de um dread de 16 anos, que remonta ao ano de 2006. Outros, nunca o ouviram devido à imagem gangsta, justamente ou não, que lhe é associada. E há quem não queira nada a ver com o assunto porque é hip-hop, mas com esses tenhamos paciência!

Ao longo dos anos, Allen vem cimentando o seu lugar como uma das maiores referências no hip-hop cantado em português, a quem se lhe reconhece um talento ímpar na arte de contar histórias, frequentemente retratadas a partir de uma perspectiva pessoal (e há óptimos exemplos no seu novo álbum, que ouvimos ao longo da entrevista). A persona artística Allen Halloween é indissociável do homem Allen Pires Sanhá, e é dotada de uma credibilidade rara no nosso hip-hop; este contacto privilegiado com a realidade, crua e cruelmente como a viveu ou viu ser vivida, é estranha a muitos dos que o ouvem, e choca – repugna até – muito do seu auditório.

A experiência para quem fica é extremamente enriquecedora. Halloween nunca foi, e muito menos o é agora, um artista unidimensional. As suas letras estão carregadas de comentário social e convicções políticas, e, musicalmente, atingiu uma maturidade que lhe permite pescar várias influências e construir um som ímpar no hip-hop nacional.

Na conversa, falou-se de muito: desde o seu novo álbum, às influências (e, mais particularmente, o rapper General D), e também temas que o próprio levanta nas músicas de Híbrido – entre eles, o conceito de livre arbítrio no Homem.

No último ano, de entre todas as entrevistas que pude realizar, esta foi especial. Pela importância de Allen Halloween na nossa cultura musical, e pela conversa que proporcionou. E agora que A Mosca chega a mais ouvidos, faço questão de a partilhar uma outra vez, e espero que dela gostem tanto como eu gostei de a fazer.

Até já!

(ouvimos, durante a entrevista, Karapinhas ao Ataque de General D e os Karapinhas, Jesus Loves MeLivre Arbítrio, e Marmita Boy de Allen Halloween)

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A Mosca – 69º Edição

Esta semana, decidimos partir da música popular brasileria. Como tal, fomos explorar a carreira de Gilberto Gil, cujo álbum de 1969, Cérebro Eletrônico, prontamente nos impressionou. É um registo que tanto bebe da tropicália, como da experimentação. Isso agrada-nos! Depois, prosseguimos com a banda de funk americana, os The Meters, para mais tarde aterrarmos na música de Del tha Funkee Homosapien – um enormíssimo nome no hip-hop que justifica toda a atenção. Logo a seguir, revisitamos a carreira de Gang Starr, grupo que continha Guru (já por cá passou com o seu projecto Jazzmatazz) e DJ Premier. Pondo o hip-hop de parte, é altura de ouvir Bobby Womack. Há alguns anos lançou o seu derradeiro registo de estúdio, mas fomos em busca do seu trabalho de 1971, de nome Communication. De entre todas as canções, escolhemos uma interpretação de um êxito de Burt Bacharach – poderão ouvir porquê, no podcast. A partir daqui, entramos noutros terrenos musicais. Primeiro, os Stereolab, ainda numa fase inicial da carreira, com a sua música barulhenta e de muita textura; depois, os Animal Collective (talvez, a par dos Radiohead, a banda que mais figura no nosso programa?). Há ainda tempo para dois trabalhos de 2015 – o novo single dos Beach House e um trabalho de electrónica mais vanguardista da autoria de Kara-Lis Coverdale (recomendadíssimo!). Para terminar a emissão, voltamos ao ponto de partida: primeiro, ainda no registo Cérebro Eletrônico e, logo a seguir, um excerto de uma actuação ao vivo de Gilberto, com a sua música “Cálice”. Vale a pena ouvir!

Mas não é tudo, por hoje: relembramos que amanhã, a partir das 4h, A Mosca vai ter uma emissão muito especial – a primeira fora do horário das madrugadas! Será em directo, e dada a possibilidade de termos mais ouvintes, vamos relembrar alguns trabalhos que por cá passaram, na perspectiva de mostrar a mais gente em que consiste o nosso projecto. Ainda assim, vai ser, de certeza absoluta, interessante para quem já nos segue, pelo que o convite também a vós se estende.

Até já!

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A Mosca (63º, 64º, 65º e 66º Edições) – Podcasts em dia!

Tardou, mas chegaram! Aqui ficam disponíveis os quatro últimos podcasts das emissões d’A Mosca, programa pertencente à antena da Rádio Universitária do Minho. Neste último mês, fomos verdadeiramente ecléticos: poucos foram os géneros onde não deitamos a atenção. Na 63º emissão, contamos logo a abrir com a soul sensual de Marvin Gaye, para seguirmos em agradáveis terrenos de jazz e funk (destacam-se os Mahavishnu Orchestra e Curtis Mayfield, respectivamente). Depois, krautrock da melhor formada – cortesia dos Can – passando por dois incontornáveis, mas de discretas carreiras em vida, nomes da música folk, nomeadamente Jackson C. Frank e Nick Drake.

Na emissão 64º, recordações de bons concertos no NOS Primavera Sound (entre outros, ouvimos Slowdive, que voltam este ano a Portugal, no Festival Paredes de Coura!), deitando também um olho à country americana de Neil Young e da incrível Karen Dalton, cujo álbum In My Own Time (1971) já tem um lugar cativo nas nossas emissões.

Chegados à semana seguinte, perdemos a cabeça e embarcamos numa erudita excursão com grandes nomes do experimentalismo e do “pensar-fora-da-caixa”. Primeiro, os alemães Einstürzende Neubaten (dos melhores do NPS 2015), seguindo-se a trindade Frank Zappa, Miles Davis, e Herbie Hancock. Do primeiro, ouvimos-lhe um dos seus mais acessíveis e celebrados trabalhos – Uncle Meat (1969) -, enquanto que para os outros dois, entidades basilares do jazz, enveredámos em projectos seus mais periféricos. Do primeiro, o seu álbum On The Corner (1972), de recepção mista na crítica; quanto a Hancock, ouvimos Sextant (1973), no qual aborda, em ritmos exóticos e experimentais, uma mescla entre a electrónica e o jazz. Curiosamente, foram dois álbuns que precederam registos aclamadíssimos na carreira de ambos – falo de Bitches Brew e Headhunters, respectivamente. Esta foi uma emissão muito interessante – eclética, como sempre – em que passámos, mais tarde, pela música de Amália Rodrigues e Carlos Paredes. Vale a pena ouvir.

Finalmente, na 66º emissão, algo mais ortodoxo. A entrada deve-se aos akron/family, que teimam em não desiludir, seguindo-se a música africana de Dorothy Ashby  (vale muito a pena ouvir o seu trabalho) e King Sunny Adé. Representamos também o hip-hop, através de Dr. Dre e o trabalho de estreia de Donny Trumpet & The Social Experiment, no qual contribui o nosso conhecido Chance The Rapper. Pelo caminho, Portishead, Joan Baez, o futurismo optimista de Squarepusher, e, para terminar, plunderphonics para uma vida melhor da autoria de People Like Us & The Jet Black Hair People.

Temos, assim, os nossos podcasts em dia e prometemos uma maior assiduidade nesse sentido. Foram, realmente, semanas complicadas e de muita atribulação. Em Julho, conto ter novidades em relação ao projecto do blog, como ao próprio programa, pelo que, até lá, têm imenso tempo para por a matéria em dia. Vamos entrar na maior força.

A próxima emissão d’A Mosca é na próxima Segunda-feira, a partir da 1h da madrugada – mas antes, no Domingo, às 21h, há emissão da Quintessência, com Duarte Matos e a música clássica. Agenda preenchida!

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A Mosca – 61º Edição

A proposta desta semana consiste numa viagem, literal se considerarmos legítimo viajar através do som. Nesta emissão, tentou-se unificar a música, e demonstrá-la mutável e auto-influente, e começámos, precisamente, com um jamaicano erradicado no Reino Unido. Linton Kwesi Johnson, sob o nome Poet and the Roots, cantava poemas por cima de uma linha dub, uma voz equiparável à de Gil Scott-Heron (que ouvimos na passada semana). Depois, um pequeno salto a Portugal, para ouvir Pedro Abrunhosa & Os Bandemónio, e o seu álbum Viagens (1994), que nos mostra o portuense na sua melhor forma, e logo depois a América, onde nos debruçamos, mais uma vez, no hip-hop. Desta vez, primeiro com Oddisee, e seguidamente com os Jungle Brothers, cuja música está paredes meias com a dos A Tribe Called Quest e De La Soul, entre outros. Esta pequena incursão pelo hip-hop leva-nos a um dos marcos históricos do género; ou seja, Afrika Bambaataa & Soulsonic Force. Também ele americano, ou mais precisamente nova-iorquino, foi um dos grandes mentores do hip-hop e reuniu, sob a sua alçada, os já mencionados ATCQ e DLS, num movimento de nome Universal Zulu Nation. Não é isso, contudo, que nos levou ao seu nome, mas sim um sample inovador que pediu emprestado aos…Kraftwerk. Sim – pode-se dizer que estes discretos alemães impulsionaram um movimento musical na América. E quem chega aos Kraftwerk, é obrigado a escrutinar a sua influência no enorme mundo da música, desde às linhas de techno, ao inovador uso da electrónica. Nesse âmbito, ouvimos os britânicos Cabaret Voltaire, e mais tarde um outro grupo pertencente ao krautrock, e que nos apresentam uma épica canção à imagem deste movimento: os Faust, claro. A emissão termina ainda com o novo trabalho de Jenny Hval, e o experimentalismo dos Lakker. Na próxima madrugada de segunda para terça-feira, há mais. Conto com vocês!

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Breve apontamento sobre um documentário.

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Hoje, não me quero alongar. Fruto de alguma sorte, descobri o documentário Our Vinyl Weighs a Ton, saído no ano de 2013, que nos lança numa viagem pela história da editora independente americana Stones Throw Records. E que bela viagem! Começa na história do seu fundador, Chris Manak, e a sua obsessão por música, passando depois pelos primeiros passos duma editora que sempre se quis manter independente e, acima de tudo, pertinente. E no caminho, ficaram os depoimentos de gigantes como Talib Kweli, Common, Madlib (!), J Dilla, etc., com especial ênfase na relação destes últimos dois, que são nomes absolutamente obrigatórios no cânone do hip-hop. Em termos de realização, está tudo cumprido com distinção, e envio os meus parabéns ao realizador Jeff Broadway. Não quero enganar ninguém: não será um documentário interessante para toda a gente. Mas se têm alguma afinidade com o hip-hop ou se julgam interessantes as histórias das cenas musicais, que mais tarde constituem os capítulos da história da música, deixo a minha recomendação.

 

A Mosca – 59º Edição

Quando se invoca a música de José Afonso para abrir o programa, será, certamente, um programa especial. Assim o justifica a comemoração do 25 de Abril, que o tempo tratou de distanciar para lá dos 41 anos. Reivindica-se uma mensagem, mas sobretudo um espírito – o de mudança, o de progresso. E a palavra, nesta edição, foi soberana. Sucedem-se Camp Lo Chance the Rapper, com o hip-hop suave e descomprometido de ambos, e logo a seguir, David Crosby, americano, e Roy Harper, inglês, a mostrarem a sua folk convidativa. Dois pilares do géneros e nomes maiores nos respectivos países. Volta o canto em português com Sérgio Godinho José Mário Branco; este último, interpretando um poema de Natália Correia (ouçam-no!). Estes dois formam, com o Zeca, a Santíssima Trindade da música de cantautor português, e são nomes incontornáveis no nosso património musical. A herança, essa, coube aos Ermo resgatá-la, e fazem-no com um acutilante sentido de oportunidade. A sua música é desafiadora e simultaneamente progressiva, e fazem-no como ninguém, nesta altura, em Portugal. David Lynch é a lógica continuação musical e traz-nos o equiparável sonoro ao seu cinema distorcido, ainda que arrebatador pelo charme e simplicidade; e, logo a seguir, a lenda nova-iorquina Moondog convida-nos ao seu mundo de particulares composições, numa altura em que havia trocado a América pelo classicismo europeu. Seguem-se os Natural Snow Buildings, como também a mais recente colaboração de Colin Stetson: desta vez, o saxofonista experimentado junta esforços com Sarah Neufeld, e ambos criam rendilhados sónicos só ao nível dos melhores. É impressionante como a sua música nos move de uma forma tão concreta, paradoxal à abstracção conceptual do que ouvimos. Para terminar, guardou-se o vaporwave ambiental meloso do projecto mistério 2814, e as honras de fecho ficam a cargo do fantástico Chet Baker – ele que nos sabe melhor que ninguém. Para a semana há mais. Até já!

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