21/04 – Desencontros com Laura, poesia dadaísta, música experimental.

Ainda durante Abril, e em mais uma emissão gravada, recuperámos a Laura; e como tal, é uma hora de experiências, não recomendada a quem não tem paciência para autocomiserações, onanismos formais e total desrespeito pela linearidade de algumas canções. Aos restantes, adianta-se que houve profanação da poesia de Camilo Pessanha, excertos da música de id m theft able (tão boa que é para induzir confusão e fluidez), colagens de Outkast com William Basinski, entre outros. São pormenores e apontamentos já com alguma música de 2018 – pensamos especificamente em Lolina, ex-Hype Williams). Segue a lista de canções — pelo menos, as que conseguimos identificar.

1. The Beatles – Nowhere Man (Rubber Soul, 1965)
2. Lolina – Fake City Real City (The Smoke, 2018)
3. Car Seat Headrest – (Joe Gets Kicked Out of School for Using) Drugs With Friends (But Says This Isn’t a Problem) (Teens of Style, 2015)
4. The Flamin’ Groovies – Yesterday’s Numbers (Teenage Head, 1971) | sugestão da Porto Calling.
5. Beach Boys – outtake de Caroline, No
6. Frank Ocean – At Your Best (You Are Love) (Endless, 2016)
7. Quasimoto – Come on Feet (The Unseen, 2000)
8. Aesop Rock – ??? (Music For Earthworms, 1997)
9. The Ronettes – Be My Baby (1963)
10. Lolina – A Path of Weed and Flowers (The Smoke, 2018)

Directos

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01/12 – Uma história mal contada; música para solidão acompanhada.

(não se perderam emissões desde a mais recente; esta hora foi, na verdade, corresponde a dia 24/11, mas por motivos técnicos não chegou a ir para o ar)

Foram duas semanas consecutivas sem a possibilidade de fazer o directo. E esta, assim como a anterior, foram ambas dedicadas à construção de uma narrativa, mais ou menos explícita, à volta da Laura. São, obviamente, ainda experiências: desta vez, não houve narração das músicas escolhidas, e é um registo muito diferente do habitual. Que me interessa, claro, embora seja preciso trabalhá-lo.

Quanto à selecção musical, o facto de não ser necessário apresentar e contextualizar a música permitiu escolhas mais arrojadas. Vale a pena aprofundar a música de Kirin J Callinan (que aqui se apresentou em colaboração com James Chance!) e de Pan Daijing, artista chinesa mas residente em Berlim que explora estruturas sónicas mais abrangentes (já se referiu ao disco Lack como uma espécie de ópera moderna).

No campo dos artistas já estabelecidos, recordámos Dean Blunt – que pode ter influenciado todo o âmbito da emissão – e ainda David Thomas Broughton; talvez lhes deva a noção de música para ‘solidão acompanhada’; Bob Dylan Annette Peacock; e um belíssimo, poderoso momento dos Nurse With Wound, do disco de estreia, em 1979.

Espero que gostem! Foi a última emissão neste registo.

1. Charlie Parker – Summertime (Charlie Parker with Strings: The Master Takes, 1995)
2. Kirin J Callinan – Down 2 Hang (feat. James Chance) (Bravado, 2017)
3. Roger Eno – Where You Once Were (This Floating World, 2017)
4. Bob Dylan – If You See Her Say Hello (Blood on the Tracks, 1975)
5. Tabaco y sus Metales – Cela Que Te Cela  (El Timbalero, 1985)
6. David Thomas Broughton – Execution (The Complete Guide to Insufficiency, 2005)
7. Annette Peacock – I’m the One (I Belong To a World That’s Destroying Itself, 1968)
8. Brian Eno – By The River (Before and After Science, 1978)
9. Craig Armstrong – Waltz (As If To Nothing, 2002)
10. Pan Daijing – Phenomenon (Lack, 2017)
11. Dean Blunt – Blow (Black Metal, 2014)
12. Nurse With Wound – Two Mock Projections (Chance Meeting on a Dissecting Table of a Sewing Machine and an Umbrella, 1979)
13. Dean Blunt – Molly & Aquafina (Black Metal, 2014)

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17/11 – Soul melosa, música de devoção, transcendência_experiências meta-narrativas.

Nesta semana, a hora da emissão colidia com os concertos do Festival Para Gente Sentada – ou melhor, colidiria: longa história. Por isso, socorri-me de uma voz habitual nas emissões gravadas, e entreguei-me, mais uma vez, a escrever tontices e tentar, a partir de diálogos absurdos, tirar algo de proveitoso para o vasto auditório. Às vezes corre bem. Desta vez, o pretexto foi uma espécie de romance entre as duas personagens (que não são humanas), que partem de uma certa presença digital em direcção à existência física – daí se sentir o som, cuja ideia advém, se se recordam, de uma das emissões de Outubro que já está arquivada em podcast. De resto, são óptimas emissões para testar alguns limites, e trazer coisas que doutra forma não ouviríamos. Fica a lista completa das músicas que passaram.

 

1. D’Angelo – Untitled (How Does It Feel) (Voodoo, 2000)
2. Jeff Buckley – Yeh Jo Halka Halka Saroor Hai (Live at Sin-É, lançado em 2003 na Deluxe Edition do EP original de 1994 – esta faixa é uma cover de Nusrat Fateh Ali Khan)
3. DUDS – Signal, Sign (Of a Number or Degree, 2017) | sugestão da Porto Calling.
4. Yves Tumor – E. Eternal (Experiencing The Deposit Of Faith, 2017 – download gratuito (e legal) aqui)
excerto de I am sitting in a room, de Alvin Lucier: primeira iteração
5. Sheila Chandra – A Sailor’s Life (The Zen Kiss, 1994)
6. Steely Dan – Peg (Aja, 1977)
7. A.E. Bizottsag – Linaj, Linaj, Van-Van-Van (Kalandra Fel!!,
1983)
8. J. S. Bach interpretado por Capella Istropolitana sob Christian Benda – Sonata (Trio a Flauto traverso, Violino e Basso continuo): 2: Allegro
9. Ryoji Ikeda – data.adaplex (Dataplex, 2005)
10. Hiroshi Yoshimura – Soto Wa Ame (Music For Nine Post Cards, 1982)
11. Sheila Chandra – Speaking in Tongues III (The Zen Kiss, 1994)
12. Queen – Who Wants To Live Forever (A Kind of Magic, 1986)
para efeito sonoro, usou-se Tone Pig de Macula Dog durante a emissão

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20/10 – Blues, jazz e voz em emissão clandestina.

Nesta emissão, inspirada ainda nas portas abertas pelas emissões anteriores (na definição de blues, por exemplo), o início foi dedicado a Muddy Waters, um dos maiores do blues, e também a Captain Beefheart, com a sua Magic Band, que terá “apropriado” a linguagem em dois trabalhos distintos. Curiosamente, Trout Mask Replica foi editado no período entre os dois discos que ouvimos.

Depois, a sugestão da Porto Calling remete-nos à música de Dusty Springfield – clássicos que vale muito recordar. Houve ainda os Weather Report, nome essencial do jazz fusão, com uma amostra do seu belíssimo Heavy Weather.

Para terminar, e a propósito do SEMIBREVE que se avizinhava, explorámos alguns dos nomes que passaram pelo festival (o disco Reassemblage poderá ser interessante nos ouvidos certos) e fechámos as contas com Brian Eno – como não adorar o seu Music for Airports?

1. Muddy Waters – I’m A Man (Mannish Boy) (Electric Mud, 1968)
2. Muddy Waters – My Home Is The Delta (Folk Singer, 1964)
3. Captain Beefheart & The Magic Band – I’m Glad (Safe as Milk, 1967)
4. Captain Beefheart & The Magic Band – White Jam (The Spotlight Kid, 1971)
5. Captain Beefheart & The Magic Band – Alice in Blunderland (The Spotlight Kid, 1971)
6. Dusty Springfield – Son of a Preacherman (Dusty in Memphis, 1969) | sugestão da Porto Calling.
7. Dusty Springfield – Just a Little Lovin (Dusty in Memphis, 1969)
8. Weather Report – A Remark You Made (Heavy Weather, 1977)
— poema de Natália Correia, por Mafalda Cortesão
9. Visible Cloaks – Bloodstream (Reassemblage, 2017)
10. Visible Cloaks – Terrazzo (feat. Motion Graphics) (Reassemblage, 2017)
11. Lawrence English – Hard Rain (Cruel Optimism, 2017)
12. ???
13. Brian Eno – 2/1 (Music for Airports, 1978)

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18/08 – Coisas novas, e lados B de programas antigos, em ausência.

Estávamos em Paredes de Coura quando esta emissão foi para o ar. Como tal, ficou a responsabilidade da emissão entregue ao computador, que já havia desenrascado, com mais ou menos profissionalismo, alguns meses atrás. Por isso, para esta hora recuperou-se muitos trabalhos que foram ficando esquecidos em emissões anteriores, ou que não passaram por falta de tempo – e o resultado é uma hora algo esquizofrénica mas muito divertida.

Primeiro, o projecto experimental de Vítor Rua e Jorge Lima Barreto, Telectu, de relevante expressão internacional embora aqui tenha sempre ficado reduzido a uma presença algo periférica, mesmo que seja esse, enfim, o lugar de muita da música mais desafiante. Falámos com o Vítor Rua há uns meses; está para chegar ao podcast, em breve.

Depois, música de 2017 com os PikacyuMakoto, com o seu novo disco Galaxilympics: são apenas dois músicos a levar a cabo um desregrado exercício de rock e electrónica, provavelmente improvisado mas em qualquer caso com uma estrutura bastante ténue, oscilando entre o movimento e a meditação, e recomenda-se que o experimentem se apreciam um determinado tipo de loucuras composicionais; segue-se Oneohtrix Point Never, que já o conhecemos bem desde os tempos de Replica, e que fez há pouco tempo a banda sonora para o filme Good Time – e isto é, claro, uma óptima recomendação para o filme.

Regressam os Can, que nunca é demais recordar, mas fugimos à sua mítica tríade Tago Mago / Ege Bamyasi / Future Days para chegar a um disco posterior, Soon Over Babaluma. No início deste ano, perdemos Jaki Liebezeit, o seu percussionista; e entretanto, há pouco mais de um par de meses, também faleceu Holger Czukay. O tempo não perdoa e desintegra paulatinamente os projectos artísticos que tanto deixaram de valor. Recorde-se que houve uma emissão especial dedicada a Czukay; como todas, há-de chegar ao podcast…eventualmente. Seguiram-se duas faixas de Aksak Maboul, um grupo dos anos 70 que apenas tem no seu repertório um par de discos. Estão associados ao movimento Rock In Opposition, que se reuniu sob a alçada dos Henry Cow (havemos de lá chegar um dia), sob o pretexto de fazer mostrar a sua música a um universo cuja indústria não lhes reconhecia o valor. E é isto. O disco é de 1977, toca a uma série de estéticas distintas e é outro que se pode recomendar a quem quiser ouvir coisas diferentes.

Na recta final, pedimos emprestada uma sugestão dos Ermo, que nos levou a Howie Lee. Depois, um disco estranhíssimo de electrónica pervertida por parte de MU. Não sei o que passou depois – é uma incógnita, e a sua identidade deixada como exercício de descoberta ao ouvinte aplicado -, e fechámos a hora com chave de ouro: Harold Budd, colaborador de uma imensidão de nomes (destacamos Brian Eno e Cocteau Twins). E foi isto!

1. Telectu – Valis (Ctu Telectu, 1982)
2. Pikacyu★Makoto – Space Move (Galaxilympics, 2017)
3. Pikacyu★Makoto – I’ll Forgive (Galaxilympics, 2017)
4. Oneohtrix Point Never – Ray Wakes Up (Good Time Soundtrack, 2017)
5. Oneohtrix Point Never – Entry To White Castle (Good Time Soundtrack, 2017)
6. Can – Come Sta, La Luna (Soon Over Babaluma, 1974)
7. Aksak Maboul – Saure Gurke (Onze danses pour combattre la migraine, 1977)
8. Aksak Maboul – Son of l’idiot (Onze danses pour combattre la migraine, 1977)
9. Howie Lee – Flame Fighters + Ran + Eyes on the Mountains! + Dead-Ended (Mù Chè Shān Chū, 2017)
10. MU – Let’s Get Sick (Afro Finger and Gel, 2003)
11. ???
12. Harold Budd – Madrigals of the Rose Angel (The Pavilion of Dreams, 1976)

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12/05 – Noções capitalistas, desumanização, e a ̮͙̪̯͢ạ̵̩͍s̷̹̝̼̣̤c̠̙̮͈̼ḛ̢̜n̖ç̞͚͜ã̴͈̹̜̺̻̙o ḓ͍̳͍̫a͞ ̷̗̳̠̣̞͎m̰̫̲̙̕á̲̥͍͓͜q͔̘u̳̪͠ina͉.̞̰̳̟̠

Ora.

Algo de muito estranho se passou nesta emissão. Embora não tenha sido uma habitual transmissão em directo, deixámos tudo preparado num ficheiro .mp3 que foi para o ar à hora marcada. Estava alinhado que iríamos começar com Tatsuro Yamashita, nome nipónico associado a uma vertente muito particular da pop japonesa, feita especialmente para ser ouvida nas novas e vibrantes auto-estradas do Japão. É música com um intrínseco e subliminar espírito consumista, e isto é algo que nos fascina.

Depois, tínhamos planeado ouvir os americanos DEVO, um fascinante projecto que começou, como já ouvimos noutras emissões, com um espírito tremendo de irreverência e criatividade, intimamente ligados ao no-wave, ao rock, e até com alguns ares de punk, mas aqui, no disco New Traditionalists, aproximaram-se mais da electrónica – e o resultado ficou muito interessante, também. Seguiram-se os nossos amigos Kraftwerk, com o disco Die Mensch-Maschine, de 1978.

Só que, infelizmente, tudo começou a ficar estranho a partir da intervenção de Laurie Anderson. Por algum motivo, parece que perdemos o controlo da emissão a partir daqui, e o alinhamento que tínhamos previsto não se concretizou. Do que aconteceu até ao final da hora, conseguimos recuperar o nome de Nuno Canavarro, ex-integrante dos Delfins e autor de um dos mais bonitos discos electrónicos-experimentais portugueses; os Passengers, super-grupo constituído pelos U2 mais a especial participação de Brian Eno, e ainda o enigmático Dean Blunt, prolífico desde o seu disco Black Metal (que, para nós, foi um dos melhores de 2014, já previamente escrutinado).

Conseguimos, ainda assim, resgatar a sugestão da Porto Calling, a música de Moondog, mas perderam-se todos os eixos de seguida quando, até ao final da hora, ficámos com um artista japonês, 細野晴臣, e o feito artístico de Sam Kidel, denominado Disruptive Muzak – merece ser escutado pelo menos uma vez, para lhe apreender o conceito.

1. Tatsuro Yamashita – Sparkle (For You, 1982)
2. DEVO – Beautiful World (New Traditionalists, 1981)
3. Kraftwerk – Das Model (Die Mensch-Maschine, 1978)
4. Laurie Anderson – B͂̀̓̒o̵͋̉̆ͭ͒r̾̏͛̓͂n,̐̒̂ͧ͠ ̈́̓ͬ̕Ņ̀̀̐ͤͬ̋e̵͌ͮ͋̈́ͪv͡e̛̔̉̎͂͋̐̚r͆̇ ́X̀ ̢̽ͤͪ(Big Science, 1982)
5. Nuno Canavarro – Wask (Plux Quba, 1998)
6. Passengers (U2 + Brian Eno) – One Minute Warning (Original Soundtracks 1, 1995)
7. Dean Blunt – 04 Brown Grrl
8. Moondog – Moondog’s Theme (More Moondog, 1956) | sugestão da Porto Calling.
9. 細野晴臣 – Talking (花に水, 1984)
10. Sam Kidel – Disruptive Muzak

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