26/05 – Experiências brasileiras, jazz na pop e Lena D’Água até é fixe.

A última do mês de Maio!

Recuperámos o disco de Blood Orange, que havia feito companhia nessa semana. Houve quem dissesse, a propósito do NOS Primavera Sound, que Miguel carregava o legado de Prince às costas: mas ouça-se o projecto de Dev Hynes.

Seguimos com um dos destaques desta emissão: o maravilhoso álbum de Olivia Byington, de 1978, em perfeita deliciosa junção de rock psicadélico com experimentações várias, mas sempre no domínio de música pop. Uma pérola obrigatória! Seguimos com uma colaboração do prolífico período da tropicália.

Depois a música de Joni Mitchell, de um dos seus discos menos ouvidos, e seguimos em toada de jazz com pedidos dos ouvintes: primeiro, Bruno Pernadas, logo de seguida, BADBADNOTGOOD. 

Havia ficado pendente a resposta à pergunta da Isabel Leirós – o porquê da ressurgência de Lena D’Água, com reedições no estrangeiro e aparição no Festival da Canção – e Gonçalo Costa, estudante de Ciências da Comunicação em Braga, ousou a resposta.

Terminámos com a belíssima colaboração entre Sonny Sharrock e a sua esposa, Linda; território free jazz. Segue-se Blondie, a pedido da Isabel, e fechámos a sessão com a delicada voz de Nico, que a emprestara alguns anos antes aos Velvet Underground.

1. Blood Orange – Best To You (Freetown Sound, 2016)
2. Olivia Byington – Luz do Tango (Corra o Risco, 1978)
3. Os Mutantes + Gal Costa + Caetano Veloso + Gilberto Gil – Parque Industrial (Tropicália ou Panis et Circensis, 1968)
4. Joni Mitchell – For Free (Ladies Of The Canyon, 1970)
5. Bruno Pernadas – Valley in the Ocean (Those who throw objects at the crocodiles will be asked to retrieve them, 2016)
6. BADBADNOTGOOD – Time Moves Slow (ft. Sam Herring) (IV, 2016)
Lena D’Água até é fixea resposta à Isabel Leirós, por Gonçalo Costa.
7. LiLiPUT – Ain’t you (da compilação LiLiPUT, que reúne (todo?) o trabalho gravado da banda, 1993) | sugestão da Porto Calling.
8. Olivia Byington – Cavalo Marinho (Corra o Risco, 1978)
A Isabel não ficou convencida e pede Blondie.
9. Sonny Sharrock – Blind Willy (Black Woman, 1970)
10. Blondie – Heart of Glass (Parallel Lines, 1978)
11. Nico – These Days (Chelsea Girl, 1967)

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Tropicália, e a doce melancolia de Jessica Pratt – Edição 80 d’A Mosca

Como não podia deixar de ser, A Mosca voltou ao éter da região minhota à mesma hora de sempre, a partir da uma hora da madrugada, de segunda para terça-feira, com mais uma excelente hora de música. Desta vez, a honra de abertura ficou a cargo da colaboração entre Batida Ikonoklasta – nome artístico de Luaty Beirão – a quem envio a maior das solidariedades, numa altura em que tudo se torna cada vez mais difícil. Que a sua causa não seja esquecida e despolete em muitos de nós a consciência que nos faltou para agir mais cedo. Bem mais cedo…

Depois, e aproveitando o tempo quente que ainda se faz sentir, achei por bem trazer a tropicália de Caetano Veloso, uma espécie de género/movimento musical em voga no Brasil dos anos 60/70, com raízes numa contestação política, e simultaneamente muito interessante dum ponto de vista artístico. A ele, justapôs-se Gilberto Gil, outro nome importantíssimo desta época, que ouvimos em colaboração com Os Mutantes.

Um dos destaques da emissão foi, certamente, a música de Coati Mundi. Este artista integrou o grupo Kid Creole and the Coconuts, e daí que estivesse intimamente ligado à casta da ZE Records (casa dos nossos favoritos James Chance e Lydia Lunch, que ouviríamos ainda esta emissão), e colaborou com uma imensidão de artistas de variadas correntes musicais; mas, aqui, ouvimo-lo a solo, com o seu álbum The Former 12 Year Old Genius, que conta com uma óptima re-interpretação de uma música do incontornável Captain Beefheart.

Depois, ouviu-se a música de Sun Ra, que destacaremos numa futura emissão da Quintessência, à imagem do que foi feito com Ornette Coleman; e houve também tempo para uma breve incursão pelo reggae de Keith Hudson, e o dub de Scientist.

Para terminar, aguçámos o apetite para o concerto da próxima segunda-feira, no GNRation, onde vamos poder ouvir Jessica Pratt que nos apresenta um dos álbuns do ano: On Your Own Love Again. É absolutamente obrigatório que apareçam, porque este tipo de registo não é nada comum nos dias de hoje – basta dizer que muitas das suas influências são nomes que por aqui já passaram, como Karen DaltonJoni Mitchell, Vashti Bunyan, etc. -, e muito menos provável é tê-los ao vivo num concerto próximo de nós.

A emissão termina com mais um novo trabalho, desta feita trazido por Jerusalem In My Heart. Como sempre, podem ouvir a emissão na íntegra no nosso Mixcloud, que segue no link. Espero que gostem!

Clica para ouvir a 80º edição!

A Mosca vai para o ar nas madrugadas de

segunda para terça-feira, a partir da

1 da manhã.