13/07 – Sensualidade nostálgica, artificialidade no rock, e experimentação desnorteada.

O imenso atraso a que votei todos os podcasts anteriores provoca uma estranha nostalgia; esta, na verdade, nem é das emissões que guardo com especial carinho. Suponho que os Khruangbin tivessem lançado disco novo, porque o ouvimos; mas ainda hoje subscrevo a obsessão com Erika de Casier, que tem um dos mais bonitos discos de 2019 – Essentials, como diz o nome -, e pelo meio recuperámos uma das suas maiores influências. E a Solange nem precisa de motivo: os seus últimos dois discos são vitória atrás de vitória, sucesso a seguir ao sucesso, e merece tudo o que de bom lhe acontece.

Em teoria, adoraria que Kirin J Callinan fosse uma referência deste ano também, mas o artista anti-artista lançou um tépido disco de follow-up que, se não sou injusto para com ele, pode dar-se o caso de ser simplesmente tépido para mim. Salva-se uma ou duas faixas mais memoráveis. Pouco mais.

Em rara intersecção com a música portuguesa, fomos ao novo de Puto Tito, que chega pela Príncipe, e o final da emissão foi uma imensa confusão, enquanto sabotámos a música de Anthony Moore e fomos, depois, explorar sem grande norte um disco de Ghedalia Tazartes.

1. Khruangbin – Four of Five (Hasta El Cielo, 2019)
2. Erika de Casier – Puppy Love (Essentials, 2019)
// Sade – Smooth Operator
3. Erika de Casier – Photo of You (Essentials, 2019)
4. Solange – Mad. ft. Lil Wayne (A Seat at the Table, 2016)
// Kirin J Callinan – The Whole of The Moon (Return to Center, 2019)
5. Kirin J Callinan – Signed Curtain (Return to Center, 2019)
6. Kirin J Callinan – Rise (Return to Center, 2019)
7. Puto Tito – Batata Frita (Carregando a Vida Atrás das Costas, 2019)
8. Anthony Moore – ABCD Gol’fish (Pieces From The Cloudland Ballroom, 1971)
// 💊💊 – X
9. Ghedalia Tazartes – Tazartes Transport 13 (Tazartes’ Transports, 1980)
10. Ghedalia Tazartes – Tazartes Transport 10 (Tazartes’ Transports, 1980)
11. Ghedalia Tazartes – Elie (Tazartes’ Transports, 1980)

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06/07 – Silêncio em espera, experimentação abstracta, memórias de Scott Walker, bom final.

Nesta emissão, lançámo-nos no ambiente soturno ao som de uma experiência de Mount Eerie no domínio dos field recordings; é um dos seus lançamentos deste ano, a par de algo de nos chegará ainda no final deste 2019 – guardamos o seu nome bem junto de nós desde o fantástico (mas violento) A Crow Looked at Me. Segue-se Lolina, ex-colaboradora de Dean Blunt (ou actual? quem sabe?), que lança Who Is Experimental Music, registo bem mais vanguardista que o anterior The Tower, que também escutámos. Pelo caminho, houve ainda Sculpture, que passariam em Braga a propósito da Noite Branca.

Por algum motivo que agora não recordo, houve a oportunidade de passar pela música de Jacques Brel, nome essencial da música pop francesa, e cuja influência perpassou para outros mundos; nomeadamente, o de Scott Walker, que ouviríamos de seguida. É lá que vamos passar, recordando antes os Slapp Happy, grupo descendente dos Henry Cow, que se norteia menos no jazz e mais na pop esquisita.

Vamos a Scott Walker, então, recordando Rosemary, uma das mais pungentes canções do seu repertório inicial, à qual juntámos Farmer In The City, também muito violenta, e que já por aqui passou (várias) vezes – é irresistível. Terminámos ao som de Vegetal Negatives, disco de Symbiogenesis que nos tocou num nervo que necessitava estimulação.

// (fireworks & wind) – Mount Eerie
1. This Heat – Sleep (Deceit, 1981)
2. Lolina – A Path of Weeds and Flowers (The Tower, 2018)
3. Lolina – Skipping (Who Is Experimental Music, 2019)
4. Lolina – Glitching (Who Is Experimental Music, 2019)
// Let Go
5. Sculpture – Symbolic Molecule (Membrane Pop, 2014)
6. Jacques Brel – Les Flamandes (La Valse À Mille Temps, 1959)
7. Jacques Brel – La Valse À Mille Temps (La Valse À Mille Temps, 1959)
8. Slapp Happy – Slow Moon’s Rose (Acnalbasac Noom, 1980)
9. Slapp Happy – Michelangelo (Acnalbasac Noom, 1980)
10. Scott Walker – Rosemary (Scott 3, 1968)
11. Scott Walker – Farmer In The City (Tilt, 1998)
12. Symbiogenesis – Marja Ahti (Vegetal Negatives, 2019)

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29/06 – Disco dos black midi, coisas pesadas e duras preludiando sacarose final.

O ano de 2019 está irremediavelmente marcado pelo disco de estreia dos black midi. Os miúdos são bons, têm pinta, e sabem-no; e isso torna-os ainda mais irresistíveis. Por isso, grande parte da emissão foi dedicada a descobrir o novo Schlagenheim, e a traçar possíveis influências dos meninos: vão desde os The Dismemberment Plan aos The Fall. A coisa dá-se bem. E é isto. Ainda assim, um alerta para a delícia que é a música de Tami T.

1. Helm – Capital Crisis (New City Loop) (Chemical Flowers, 2019)
// Helm – I Knew You Would Respond
2. black midi – 953 (Schlagenheim, 2019)
3. black midi – Western (Schlagenheim, 2019)
4. black midi – Near DT, MI (Schlagenheim, 2019)
5. The Dismemberment Plan – Memory Machine (Emergency and I, 1999)
6. The Fall – Fortress-Deer Park (Hex Enduction Hour, 1982)
7. Swans – Blackout (Filth, 1982)
8. Daughters – Guest House (You Won’t Get What You Want, 2018)
9. Bamboo – A World is Born (Daughters of the Sky, 2019)
10. Tami T – Princess (High Pitched and Moist, 2019)

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22/06 – Bonita pop francesa, ampla experimentação britânica, ainda os guecos de outrora, com hélio.

Nesta emissão, continuámos na senda da pop contemporânea; e este ano será, imaginamos sem grande margem de dúvida, um ano de definição para Christine and the Queens. Passaram por Portugal em apresentação de Chris, bonito e completo trabalho no âmbito do revivalismo dos sintetizadores, e tudo corre bem. (quase me esquecia – tivemos um ligeiro problema no microfone. Adiante)

Uma vez mais, passámos pelos 100 gecs, mas só para uma breve recordação; e deliciámo-nos com a música nova de FKA Twigs, cujo novo trabalho estará certamente para breve.

Sensivelmente a meio, deixámos os devaneios pop de parte para entrar no disco dos This Heat. Britânicos, editaram trabalho homónimo num dos momentos mais desconcertantes do século passado – a emergência do punk e de novas estéticas na música periférica. Ocuparam-se do pós-punk, traçaram-no a tendências industriais, e o resultado é este: um portentoso disco com excelentes momentos – ouvimos dois (ao leitor interessado, recomendamos esta mesma Horizontal Hold, gravada nas Peel Sessions).

Houve ainda um outro grupo em destaque, os Henry Cow, que farão obrigatoriamente parte do conhecimento de qualquer melómano. É jazz e é experimental, e deles fomos escutar dois discos distintos. Havemos de voltar a eles noutra emissão. Para fechar, o sempre bem-vindo Alva Noto, com um excerto do seu disco, supostamente autobiográfico, Xerrox.

1. Christine and the Queens – Doesn’t Matter (Chris, 2019)
2. Christine and the Queens – Damn, dis-moi (feat. Dam-Funk) (Chris, 2019)
// Christine and the Queens – La marcheuse
3. 100 gecs – xXXi_wud_nvrstøp_ÜXXx (1000 Gecs, 2019)
4. FKA twigs – Cellophane
5. This Heat – Horizontal Hold (This Heat, 1979)
6. This Heat – Diet of Worms (This Heat, 1979)
7. Henry Cow – Amygdala (Legend, 1973)
8. Henry Cow – Teenbeat Introduction (Legend, 1973)
// Henry Cow – Teenbeat
9. Henry Cow – Arcades (Unrest, 1974)
10. Alva Noto – Haliod Xerrox Copy 3 (Paris) (Xerrox, 2007)

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15/06 – Rescaldo do NPS, nova pop estridente, sensualidade e experimentação.

Nesta emissão, havia ainda em nós o encanto de mais um NOS Primavera Sound, do qual destacámos três ou quatro concertos nesta emissão; acima de tudo e especialmente marcante, lembrámos o de Yves Tumor – que portento e que força!

A seguir, passámos por um dos discos que guardaremos, com toda a certeza, deste 2019 – a estreia dos 100 gecs, que num só disco nos trazem a pop desmiolada e agressiva, o auto-tune elevado à décima potência, e um sentido estético questionável. Todo o álbum é maravilhoso e havemos de voltar lá em breve.

Pelo caminho, fomos descobrir a carreira de Shuggie Otis, cujo disco Inspiration Information nos fez boa companhia recentemente, para, logo depois, conhecer a aguerrida experimentação com guitarra de Fred Frith, em território árido e experimental. No final, ouvimos, pela primeira vez, os Henry Cow – vamos cá voltar adiante – e fechámos com a bonita electrónica dos Hoshina Anniversary.

1. SOPHIE – Faceshopping (Oil of Every Pearl’s Un-insides, 2019)
// Yves Tumor – Honesty
2. Yves Tumor – Noid (Safe In The Hands of Love, 2018)
3. Solange – I’m a Witness (When I Get Home, 2019)
4. Yves Tumor – The Feeling When You Walk Away (Serpent Music, 2016)
5. 100 gecs – ringtone (1000 Gecs, 2019)
6. 100 gecs – 800db cloud (1000 Gecs, 2019)
7. Shuggie Otis – Aht Uh Mi Hed (Inspiration Information, 1974)
8. Shuggie Otis – Inspiration Information (Inspiration Information, 1974)
9. Fred Frith – Alienated Industrial Seagulls (Guitar Solos, 1974)
10. Fred Frith – Hollow Music (Guitar Solos, 1974)
11. Fred Frith – Daria’s Regard (Guitar Solos, 1974)
12. Henry Cow – Beautiful As the Moon – Terrible As an Army With Banners (In Praise of Learning, 1975)
13. Hoshina Anniversary – Hirajoshi (Nihon No Ongaku, 2019)

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01/06 – Primeiras descobertas no LGW?2019, mais Buarque, mais Tyler, experimentação infanto-juvenil.

Nesta emissão, a linearidade do programa foi respeitada, mas não a sua coesão; resultou uma espécie de amálgama de várias coisas que por aqui foram passando. Primeiro, os Seaside Lovers, que contam com o nome conhecido de Hiroshi Sato, e outro, Akira Inoue, que conheceremos no final da emissão. Bonito disco e bonita experiência.

É tudo lindo, na verdade – a toada repete-se com Doug Hream Blunt – supostamente, daqui virá o nome de Dean Blunt (!!!) – com a sua música caseira e despreocupada; e, logo de seguida, a pop comercial, de sabor a fast-food (e, como tal, estranhamente irresistível) de Tyler, the Creator. 

A descoberta da semana está com os …And The Native Hipsters. A história é curiosa e confusa, porque há referências tanto à década de 80, como a um lançamento em 2001 – são antigos, e a sua carreira não levantou como se esperaria. Seja como for, as duas músicas que ouvimos são absolutamente deliciosas – por que não resultou?

Há ainda o novo single de FKA Twigs – impecável! – e uma outra referência ao LeGuessWho? com os Leya. Não a editora literária portuguesa, mas um grupo de instrumentação esparsa que se dedica a uma espécie de pop erudita.

Até ao final, passamos, uma vez mais, pela carreira de Chico Buarque, e depois lançamo-nos a dois trabalhos de electrónica mais experimental: Akira Inoue, mais antigo, e Oorutaichi, que passará também pela Holanda em Novembro.

1. Seaside Lovers – Melting Blue (Memories In Beach House, 1983)
2. Doug Hream Blunt – Love Land (Gente Persuasion, 2011)
3. Tyler, the Creator – RUNNING OUT OF TIME (IGOR, 2019)
4. …And The Native Hipsters – Mr Magic (There Goes Concorde Again, 2001)
5. …And The Native Hipsters – There Goes Concorde Again (There Goes Concorde Again, 2001)
6. FKA Twigs – Cellophane
7. Leya – Swan Lake (The Fool, 2019)
8. Chico Buarque – Cotidiano (Construção, 1971)
9. Chico Buarque – Construção (Construção, 1971)
10. Akira Inoue – GIORGIO DE CHIRICO/庭 (Imaginary Arboretum, 1985)
11. Oorutaichi – Futurelina (Cosmic Coco, Singing for a Billion Imu’s Hearty Pi, 2011)

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25/05 – Rock adolescente contemporâneo, voz ornamentada, jazz, tudo num bonito caldeirão.

Na última emissão de Maio (credo, como estamos atrasados!) ainda estavam os black midi em preparação do lançamento do novo disco; deles a propósito ainda fomos aos Crack Cloud e a Minutemen, os primeiros, contemporâneos, e os segundos, influência. Segue-se uma breve passagem pelo disco novo de Flying Lotus, que passado este tempo todo ainda não escutámos em condições.

Em preparação do LeGuessWho? deste ano, fomos à escuta de Asha Puthlidiva da pop indiana, emigrada nos Estados Unidos, e que lançou uma série de belíssimos discos no âmbito da música ligeira; colaborou, a dada altura, com Ornette Coleman – e foi pretexto para escutarmos esse encontro, claro, mas também uma outra faixa mais exploratória deste senhor. Devíamos ouvi-lo mais vezes; aqui está. Ainda a propósito do festival holandês, a música de Ayalew Mesfin.

Já a chegar ao fim, damos destaque a um dos mais doces trabalhos da pop de 2019 – esta faixa de Kehlani será ilustração da memória deste ano; depois ainda os Audiobooks, que no âmbito da pop mais experimental têm um trabalho bem respeitável; e, por final, a homenagem a Chico Buarque, homenageado por esta altura, com o seu Bárbara.

1. black midi – Talking Heads (2019)
2. Crack Cloud – Philosopher’s Calling (Anchoring Point, 2019)
3. Minutemen – Pure Joy (What Makes A Man Start Fires?, 1983)
4. Flying Lotus – Takashi (Flamagra, 2019)
5. Asha Puthli – You’ve Been Loud Too Long (She Loves To Hear The Music, 1975)
6. Asha Puthli – Night And Day (She Loves To Hear The Music, 1975)
7. Ornette Coleman – All My Life (Science Fiction, 1972)
8. Ornette Coleman – Civilization Day (Science Fiction, 1972)
9. Ayalew Mesfin – Ewedish Nebere (I Used to Love You) – (Hasabe (My Worries), 2018)
10. Kehlani – Nunya (ft. Dom Kennedy) (While We Wait, 2019)
11. Audiobooks – It Get Be So Swansea (Now! (In a Minute), 2018)
12. Chico Buarque – Bárbara (Calabar, o elogio da traição, 1973)

 
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18/05 – Novos registos na pop, trabalhos de 2019 e paisagens sonoras.

Nesta emissão, dedicámos o início à escuta de três discos que marcam a pop mainstream de 2019: são eles os de Carly Rae Jepsen (rainha), Tyler, The Creator (príncipe), e Lizzo (…diva?); quanto ao primeiro, é mais um registo sólido, mais diverso e ambicioso que o antecessor, embora porventura menos estimulante – poderíamos dizer que E•MO•TION é fast-food, Dedicated uma refeição gourmetTyler está diferente, mais dado à canção e ao espalhafato (que é agradável, em doses moderadas – e ele não parece ter qualquer tipo de contenção); e Lizzo…que dizer? Basta ouvir Cuz I Love You, que é um portento de disco.

Segue-se, depois, Holly Herndon e o seu novo trabalho PROTO, conceptual ao nível da sua composição, contando com a intervenção de uma inteligência artificial programada para o efeito, e Ai Yamamoto, que recomendamos se não tiverem tempo, ou paciência, para ouvir a emissão integral – tentativas melódicas minimais a resultar impecavelmente.

Há ainda os Big Thief, que vêm com um óptimo disco U.F.O.F., e as deambulações à guitarra de Michael O’Shea; para terminar, dedicámo-nos às composições alimentadas a field recordings e outros de R.I.P Hayman – faixas demasiado compridas para as passarmos na íntegra, pelo que ficámos com dois excertos.

1. Carly Rae Jepsen – Everything He Needs (Dedicated, 2019)
// Carly Rae Jepsen – Julien
2. Lizzo – Juice (Cuz I Love You, 2019)
3. Tyler, The Creator – ARE WE STILL FRIENDS? (IGOR, 2019)
// Tyler, The Creator – EARFQUAKE
4. Holly Herndon – SWIM (PROTO, 2019)
5. Holly Herndon – Fear, Uncertainty, Doubt (PROTO, 2019)
6. Ai Yamamoto – Freaky’s Sneakers (Remembering, 2019)
7. Ai Yamamoto – Shining Freckles (Guitar By David Spall) (Remembering, 2019)
8. Big Thief – Open Desert (U.F.O.F., 2019)
9. Michael O’Shea – Kerry (Michael O’Shea, 1982)
10. Michael O’Shea – Guitar No 1 (Michael O’Shea, 1982)
// R.I.P. Hayman – On The Way… (On The Way…, 1995)
// R.I.P. Hayman – Dreams of India & China, Part One (Dreams of India & China, 2019)

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11/05 – Exploração em ausência, bom banger, experimentação variada, violência gratuita.

Nesta emissão, o início é dedicado a José Pinhal, músico que desconhecemos além de um projecto, José Pinhal Post-Mortem Experienceque pretende revitalizar a sua muito distinta música. É um fenómeno interessante, pelo que damos o nosso pequeno empurrão para que mais os conheçam. Segue-se John Maus, amigo antigo d’A Mosca (bonita canção, esta), e Flying Lotus, também muito querido por cá.

Ora, mas também muito devemos a Erykah Badu neste ano de 2019, no qual descobrimos o brilhante But You Caint Use My Phone, que apropria uma das melhores canções pop da década (hotline bling) e explora-a ao longo de todo um disco – esteve mesmo em altíssima rotação.

Depois de duas passagens por dois bons nomes do hip-hop/pop português, seguimos com HALCALI, um projecto nipónico semi-obscuro que nos foi recomendado por um ouvinte.

O grande destaque da emissão é o nome de Ikue Mori, que ouvimos na emissão anterior, e que nos chega proveniente da editora Tzadik, de John Zorn, e que tem frequentemente excelentes propostas. Mori move-se no âmbito da música experimental, e as músicas que constrói parecem ser de natureza diversa; é uma excelente proposta neste âmbito. Terminamos com James Ferraro, que tem trabalho novo, e depois a violência dos Controlled Bleeding – bem bom!

1. José Pinhal – Tu És A Que Eu Quero (Volume 1, 1984)
2. John Maus – Do Your Best (Love Is Real, 2007)
3. Flying Lotus – More (ft. Anderson Paak) (Flamagra, 2019)
4. Erykah Badu – ill call u back (But You Caint Use My Phone, 2015)
5. Erykah Badu – hello (But You Caint Use My Phone, 2015)
6. Slow J – Teu Eternamente (2019)
7. Profjam – Minha (#FFFFFF, 2019)
8. HALCALI – タンデム (HALCALI ベーコン, 2003)
9. Ikue Mori – Monkey Music Moon (One Hundred Aspects of the Moon, 2000)
10. Ikue Mori – Moon Of The Lonely House (One Hundred Aspects of the Moon, 2000)
11. Ikue Mori – Lunacy (One Hundred Aspects of the Moon, 2000)
12. Ikue Mori – Mountain Moon After Roon (One Hundred Aspects of the Moon, 2000)
13. James Ferraro – Embryo (Requiem For Recycled Earth, 2019)
14. James Ferraro – Deleted Biosphere (Requiem For Recycled Earth, 2019)
15. Controlled Bleeding – Knees (Knees And Bones, 1985)

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04/05 – A voz, presença de David Toop, coisas, em geral, bonitas.

Esta emissão foi alavancada pela pessoa de David Toop, artista e jornalista de primeiríssima água. Em 1996, compilou um álbum de ênfase vocal, e foi dele que ouvimos uma série de faixas, do mais convencional ao experimental. Passámos pelos Beach Boys e por Chet Baker, e pelos mais arriscados Yanomani Young Men, e invejámos a forma como Toop apreende o mundo da música.

Além disso, demos destaque ao belíssimo disco de Kelsey Lu, que será um dos que levamos deste ano, e ouvimos a música de Ikue Mori, que figurará uma vez mais na emissão seguinte. A memória pregou-me uma partida com a música de Ryuichi Sakamoto – no mínimo, serviu para recordá-lo – e ainda fomos escutar a loucura de Wolfgang Dauner. Bonita hora.

1. Yanomami Young Men – Singing Before Hunting (Crooning On Venus: Ocean Of Sound 2, 1996)
2. The Flying Lizards – Money (That’s What I Want) (The Flying Lizards, 1980)
3. Beach Boys – Wind Chimes (Crooning On Venus: Ocean Of Sound 2, 1996)
4. Kelsey Lu – Atlantic (Blood, 2019)
5. Ikue Mori – Loops (Hex Kitchen, 1995)
6. Ikue Mori – Shiver (Hex Kitchen, 1995)
7. Chet Baker – My Ideal (Crooning On Venus: Ocean Of Sound 2, 1996)
8. Ryuichi Sakamoto – solari (async, 2017)
// Lento – Sostenuto Tranquillo Ma Cantabile (Symphony No. 3 (Symphony of Sorrowful Songs) Op. 36, Beth Gibbons & Polish Radio National Symphony Orchestra)
9. Wolfgang Dauner – Nothing to Declare (Output, 1970)
10. Kelsey Lu – Blood (Blood, 2019)

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