16/02 – Modernidades de 50, melancolia, ensaio electrónico e calma.

O que é que aconteceu a meio de Fevereiro?

A Mosca recupera, quase um mês após a ressurreição, e desta vez aprouve uma viagem pelo exótico e moderno; assim se justifica um showcase bizarro-tropical de Esquivel!, que já por aqui passou noutra emissão, e justifica a sua reputação de experimentador de pop quando não havia sequer ainda uma definição de música pop. Sempre bom recordá-lo. Com semelhante ligeireza, passámos pela bossa nova de João Gilberto, primeiro a solo e depois com a companhia de Stan Getz – este último é um disco absolutamente clássico.

Pelo meio, perdemos o norte à emissão e andámos por álbuns que nos são queridos e conhecidos – casos de Joni Mitchell Sun Kill Moon; depois, voltámos à música de Minnie Riperton, que temos vindo a conhecer nos últimos tempos.

A sequência final é dedicada a silêncios. Primeiro, Jan Jelinek que, dentro do âmbito da electrónica, a faz muito discreta; depois, há Animal Collective, num trabalho menos extrovertido que Merriweather Post Pavillion; por fim, Nivhek, um outro nome para Liz Harris, ou Grouper, que aqui experimenta dentro de registos longe da canção.

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1. Esquivel! – Lazy Bones (Exploring New Sounds in Stereo, 1959)
2. Esquivel! – Boulevard Of Broken Dreams (Exploring New Sounds in Stereo, 1959)
3. João Gilberto – Brigas Nunca Mais (Chega de Saudade, 1959)
4. João Gilberto – Chega de Saudade (Chega de Saudade, 1959)
5. Stan Getz / João Gilberto – Pra Machucar Meu Coração (Getz/Gilberto, 1964)
6. Stan Getz / João Gilberto – Vivo Sonhando (Getz/Gilberto, 1964)
7. Joni Michell – River (Blue, 1971)
8. Sun Kill Moon – I Can’t Live Without My Mother’s Love (Benji, 2014)
9. Minnie Riperton – Les Fleur (Come To My Garden, 1971)
10. Minnie Riperton – Only When I’m Dreaming (Come To My Garden, 1971)
11. Jan Jelinek – Moiré (Strings) (Loop-Finding-Jazz-Records, 2001)
12. Animal Collective – The Softest Voice (Sung Tongs, 2004)
13. Nivhek – Walking in a spiral towards th (After its own death / Walking, 2019)

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09/02 – Recordações do início da década, cantautores e Bruce.

Ainda convalescentes. Para esta emissão, começámos com um trabalho ‘menor’ de Oneohtrix Point Never, para, logo de seguida, darmos destaque ao disco de estreia do português Dada Garbek. Mas prontamente deixamos a electrónica para chegar à música do egípcio Ali Hassan Kuban, em quem tropeçámos por algum acidente, mas cuja presença nos foi bastante prazerosa.

Depois, e a propósito de o seu nome estar uma vez mais em voga, passámos pelo maravilhoso disco de El Guincho, Pop Negro, datado de 2010. Nos últimos tempos, tem-se dedicado ao papel de produtor (ou simplesmente co-autor de canções) mas não pode o mundo esquecer-se do quão importantes foram os seus dois primeiros discos, no início da década – e dele, vamos ouvir o seu registo de 2016, que ignorámos, na próxima emissão d’A Mosca.

Depois, houve uma pequena incursão pela música dos Deerhunter, que voltarão cá este Verão, e uma outra vez os The Kinks, sem motivo algum além da saudade; e, logo de seguida, estreou por cá a música do boss, que é o que pelos vistos deve usar-se.

Nas novidades de 2019, que foi também forma de reencontrar velhos amigos, foram de seguida Jessica Pratt, Panda Bear, Joan Baez e Perfume Genius – spot the one odd out. Os dois primeiros com disco novo; Baez com um seu clássico interpretado ao vivo, e o último, num trabalho de início da carreira, a fechar o momento.

Até ao final, houve ainda Lusine Zakarian, que encontrámos num disco arménio, e Oneohtrix uma vez mais.

1. Oneohtrix Point Never – Lovergirls Precint (Drawn And Quartered, 2013)
2. Dada Garbek – A free man carries a bag of stones? (The Ever Coming, 2019)
3. Ali Hassan Kuban – Om Sha’ar Asmar Medaffar (Walk Like a Nubian, 1991)
4. El Guincho – Novias (Pop Negro, 2010)
5. Deerhunter – Don’t Cry (Halcyon Digest, 2010)
6. Deerhunter – Sailing (Halcyon Digest, 2010)
7. The Kinks – Strangers (Lola Versus Powerman and the Moneygoround, Part One, 1970)
8. Bruce Springsteen – Atlantic City (Nebraska, 1982)
9. Jessica Pratt – As the World Turns (Quiet Signs, 2019)
10. Panda Bear – Dolphin (Buoys, 2019)
11. Joan Baez – Sweet Sir Galahad (Woodstock Two, 1971)
12. Perfume Genius – Hood (Put Your Back N 2 It, 2012)
13. Lusine Zakarian – Ur Es Mair Im (Armenian Medieval Spiritual Music, 1995)
14. Oneohtrix Point Never – I Know It’s Taking Pictures From Another Plane (Inside Your Sun) (Drawn And Quartered, 2013)

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02/02 – Psicadelismo vintage, soul feminina, música nova, com companhia.

Na primeira emissão de Fevereiro, gravámos uma hora de música que começa, da melhor forma, com o trio de Evan Parker, Derek Bailey, & Han Bennink. É jazz voraz, amplamente experimental e violento. Será passagem única por este registo, embora uma que se afigurou bastante necessária à altura. Seguimos com os Khruangbin, espécie de revivalistas das jams psicadélicas e que foram, entretanto, confirmados para o Festival Vodafone Paredes de Coura deste ano.

Depois, Lee Gamble traz o seu novo disco, In a Paraventral Scale, que juntamente com Eli Keszler, sugere uma determinada ideia de paisagem tecnológica e urbana; achámos relevante trazê-la. Dentro ainda do registo electrónico, encontrámos Brian Eno numa faceta que não lhe conhecíamos: com autotune, a cantar no século XXI. Segue-lhe a artista experimental Kaja Draksler, que perdemos no LeGuessWho? deste ano.

Dedicámos um largo segmento à voz feminina, e em particular a uma das vozes mais doces que descobrimos este ano: trata-se de Minnie Riperton, cantora de soul americana, cuja música ainda sentimos presente na produção contemporânea. Será melhor ouvir que ler sobre ela. Há ainda Jazmine Sullivan, antes de chegarmos a Mitski, que passará também por Portugal este ano, e cujo disco tem vindo a ganhar o seu espaço junto de nós.

Até ao final, recordámos os The Kinks; e a hora fecha ao som dos Sweet Trip, grupo referência na intersecção do shoegaze com a electrónica.

1. Evan Parker, Derek Bailey, & Han Bennink – Fixed Elswhere (The Topography of the Lungs, 1970)
2. Khruangbin – August 10 (Con Todo El Mundo, 2018)
3. Lee Gamble – Moscow (In A Paraventral Scale, 2019)
4. Lee Gamble – Chant (In A Paraventral Scale, 2019)
5. Brian Eno – And Then So Clear (Another Day On Earth, 2005)
6. Kaja Draksler – The Lives of Many Others (The Lives Of Many Others, 2013)
7. Minnie Riperton – The Edge of a Dream (Perfect Angel, 1974)
8. Minnie Riperton – Lovin’ You (Perfect Angel, 1974)
9. Jazmine Sullivan – In Love With Another Man (Fearless, 2008)
10. Mitski – Old Friend (Be The Cowboy, 2018)
11. Mitski – Remember My Name (Be The Cowboy, 2018)
12. The Kinks – Get Back in Line (Lola Versus Powerman and the Moneygoround, Part One, 1970)
13. The Kinks – Lola (Lola Versus Powerman and the Moneygoround, Part One, 1970)
12. Sweet Trip – To All The Dancers Of The World, A Round Form Of Fantasy (Velocity : Design : Comfort, 2003)

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26/01 – Descoberta no funk, samples e drive africano.

Desta vez, produziu-se uma emissão bem mexida. Começámos com Cornelius, um pedido de um dos nossos ouvintes, pelo Patreon. São um grupo japonês exímio no domínio do sampling, num período em que a música ocidental tinha uma especial predominância no território nipónico. Já os ouvimos, há tempos, noutra emissão. Depois, continuámos com o clássico DJ Shadow, que, num registo semelhante e contemporâneo, abriu caminhos no hip-hop instrumental.

São ambos nomes relevantes para a carreira dos The Avalanches, que, desde a extraordinária beleza do álbum (e respectivo single) Since I Left You, se acataram dos discos – isto é, até Wildflower, 17 anos depois desse seu primeiro. Fomos descobri-lo.

Daí para a frente, fomos em missão pela soul funk do passado, com os Father’s Children, entretanto redescobertos e reeditados neste século, e os Sly & The Family Stone. Sob recomendação de Cat Power, descobrimos a música de Boubacar Traoré, e, ainda antes de fechar a hora, passaram os Exuma, cuja exótica reputação o precede. Fechámos ao som da electrónica de Atom™, e com a cartografia experimental de Brian Eno. 

1. Cornelius – Mic Check (Fantasma, 1997)
2. DJ Shadow – Midnight in a Perfect World (Entroducing…, 1996)
3. The Avalanches – Live a Lifetime Love (Wildflower, 2016)
4. The Avalanches – The Wozard of Iz (Wildflower, 2016)
5. Father’s Children – Who’s Gonna Save The World (Who’s Gonna Save The World, 2011)
6. Father’s Children – Kohoutek (Who’s Gonna Save The World, 2011)
7. Sly & The Family Stone – Poet (There’s A Riot Going On, 1971)
8. Sly & The Family Stone – Time (There’s A Riot Going On, 1971)
9. Boubacar Traoré – Santa Mariya (Kar Kar, 1992)
10. Exuma – Mama Loi, Papa Loi (Exuma, 1970)
11. Atom™ – Wellen und Felder I (Liedgut, 2009)
12. Atom™ – Wellen und Felder II (Liedgut, 2009)
13. Atom™ – Wellen und Felder III (Liedgut, 2009)
14. Atom™ – Wellen und Felder IV (Liedgut, 2009)
15. Brian Eno – Tal Coat (Ambient 4: On Land, 1982)

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19/01 – Novo de James Blake e recordações, sem experimentação.

Para esta emissão, a prioridade inicial foi embrenhar o público nas delícias da música pop. Para isso, contámos com a rainha Charli XCX, e um dos seus maravilhosos bangers; logo depois, recordámos um disco que fez agora dez anos – e não parece – que pertence aos Animal Collective. É uma das canções da década. E ainda neste registo, temos Tirzah, que, mais calminha e sedutora, foi um dos grandes destaques do ano passado. Tudo isto para nos levar ao novo trabalho de James Blake, a propósito do qual recordámos, de forma muito concisa, toda a sua carreira; e com certeza dizemos que será um dos nomes que, daqui a uns anos, recordaremos como epicentro que provocou muito do que agora constitui a vanguarda.

Depois, em momentos que dedicámos à voz e à bonita canção, tivemos Sun Kil Moon no nosso trabalho favorito dele; e Scott Walker (cujo falecimento é uma das mais desagradáveis notícias recentes) com a sua portentosa, distintíssima voz; e ainda Nick Drake, e David Bowie.

Para o final, guardámos o trunfo de Max Roach, com um excerto da enorme peça We Insist!; e a emissão fecha com chave de ouro ao som de Insecure Mensteph horak, que gravou, em todos os dias do ano, um excerto vocal, que junta em doze diferentes faixas – escolhemos a que corresponde a Janeiro, para testar.

1. Charli XCX – Lipgloss (ft. CupcakKe) (Number 1 Angel, 2017)
2. Animal Collective – My Girls (Merriweather Post Pavilion, 2009)
3. Tirzah – Guilty (Devotion, 2018)
// James Blake – Unluck
// James Blake – Take a Fall for Me (Assume Form, 2019)
4. James Blake – I Can’t Believe The Way We Flow (Assume Form, 2019)
5. Sun Kil Moon – I Can’t Live Without My Mother’s Love (Benji, 2014)
6. Scott Walker – The World’s Strongest Man (Scott 4, 1969)
7. Nick Drake – Pink Moon (Pink Moon, 1972)
8. David Bowie – Starman (The Rise and Fall of Ziggy Stardust and the Spiders from Mars, 1972)
9. Max Roach – Tryptych: Prayer/Protest/Peace (We Insist!, 1960)
10. Insecure Men – All Women Love Me (Insecure Men, 2018)
11. steph horak – JAN (threehundredandsixtysix, 2018)

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12/01 – A morte, últimos ditos, com boas canções, a voz, a morte.

À primeira emissão do ano de dois mil e dezanove, a Mosca morreu.

As exéquias foram celebradas ao som de Psychic TV; depois, com Mahler, com um liede maravilhoso.

A Mosca morreu por falta de propósito.

Em memória dos grandes bangers e da música pop bem feita, ouviu-se Mac Miller; e Kendrick Lamar.

A Mosca apercebeu-se finalmente da fatalidade da sua condição.

Houve Miles Davis, pelo caminho, e a já nossa conhecida Silvia Pérez Cruz. Nada que possa trazê-la de volta.

A Mosca perde-se na distância entre os ponteiros do relógio.

Com os Hype Williams Aïsha Devi, andámos à procura de algo que nos pudesse ser familiar; ou algo que, estranho, nos soubesse acolher.

A Mosca gostaria que fosse doutra forma.

Recordámos as Cocteau Twins, e a toada gótica coral segiu-se com a banda sonora de Ghost In a Shell, recomendação de um dos nossos ouvintes. Apropriadamente, escutámos Le Mystère Des Voix Bulgares, que encantam sempre que por aqui passam.

A Mosca morreu, mas continua por aí.

Termínamos tudo ao som de Jali Musa Jawara.

1. Psychic TV – Eden 2 (Dreams Less Sweet, 1983)
// Gustav Mahler – Symphony No. 1 in D major – III. Feierlich und gemessen, ohne zu schleppen
2. Cocteau Twins – Cherry-Coloured Funk (Heaven or Las Vegas, 1990)
3. Kendrick Lamar – King Kunta (To Pimp a Butterfly, 2015)
4. Mac Miller – What’s The Use? (Swimming, 2018)
// Miles Davis – Springsville
5. Silvia Pérez Cruz – Hymne a L’Amour (Granada, 2014)
6. Hype Williams – Unfaithful (One Nation, 2011)
7. Hype Williams – Homegrown (One Nation, 2011)
8. Aïsha Devi – Inner State of Alchemy (DNA Feelings, 2018)
9. Cocteau Twins – Pandora (for Cindy) (Treasure, 1984)
10. Chant III – Reincarnation (2.0 Ver.)
11. Le Mystère Des Voix Bulgares – Messetschinko Lio Greïlivko (Love Chant From The Rhodopes) (Le Mystère Des Voix Bulgares (Volume 1), 1975)
12. Jali Musa Jawara – Fote Mogoban (Yasimika, 1983)

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Excertos de ‘A Alma dos Ricos’, de Agustina Bessa-Luís.

“O Monte da Cividade, onde o falsário ia com os outros rapazes para fumarem cigarros de barbas de milho, tinha sofrido com a chegada dos arqueólogos. O verde espaço até ao mar parecia mais baço e sem a lonjura que o impressionava em criança. Ele era o quarto de dez irmãos, e a mãe, lavradeira com haveres, passeava a vida nos tribunais. Eram os Quintas de Corvos, lugar onde os cães pareciam os de Baskerville, salvo seja. Duma coisa que o falsário tinha saudades a valer era da maneira como se falava em Corvos. Parecia língua medieval e, lendo os antigos documentos, inquirições, sentenças, fólios de paróquias e outros, lá estavam as palavras como quartas de vinho e taleigas de pão e de castanhas como se dizia ainda na casa dos Quintas. E não se sabe por que bulas, um bisavô do falsário se chamava Pelágio Botelha, e fora jurado; e uma tia Marilina Coyros, o que era abundante de graça agora que tais nomes não se encontravam.”

“As coisas tinham mudado e a insegurança política, as duvidosas medidas da Europa dos quinze que alterava a cadeia alimentar dos povos, os seus hábitos e símbolos de protecção, levavam a nova mecânica de defesa. Não se avançava nada no essencial, apenas se caía noutros estados de desesperação. Impondo-se a obrigação de falar verdade, atraía-se mais o círculo da mentira, da corrupção e do perjúrio. A delinquência afectiva foi a primeira a instalar-se, e a família tornou-se uma técnica de associação, como os partidos. O telemóvel tomou o lugar da intimidade em que a carícia e o olhar são uma forma de maturidade sexual. Objecto masturbante, o telemóvel é um traço arcaico do neurótico, e por isso, tão rapidamente adoptado. Não podendo ser um condutor do pensamento, ganhava em popularidade por dar um conhecimento acessório sobre os sonhos e a vida quotidiana.”


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A Alma dos Ricos
Agustina Bessa-Luís

29/12 – Vozes com feitiço, ambient nipónico, foleirada pop.

Para a última emissão do ano, um algum motivo nos fez começar pelos BTS – um fenómeno, maior do que se pode pensar, da música coreana. O seu disco andou por cá algum tempo sem que com ele estabelecêssemos grande relação. A minha prima gosta deles, por exemplo, mas tem 14 anos. Quem sabe. Já quanto a Bad Gyal, já perdi os seus concertos por duas vezes seguidas; guardo-a com carinho na gaveta de coisas-que-não-devia-gostar-mas-gosto, este modelo de reggaeton drogado, como se o underground passasse pelo comercial para depois dar a volta e estar tudo bem outra vez. Houve ainda Shygirl, com trabalho recente.

Seguiram-se os Orchestral Manoeuvres In The Dark. São um grupo absolutamente essencial dos anos 80, com os seus bonitos sintetizadores, e talvez pudéssemos ter ouvido algo mais além de Joan of Arc – que é uma belíssima canção. Com Silvia Perez Cruz já ficámos mais um pouco. O seu disco Granada é um portento e desta vez complementámos a já conhecida Pequeño Vals Vienés com um clássico maior que conhecíamos apenas cantado por Billie Holiday. A sequência segue com dois trabalhos da portuguesa Sara Serpa, predominantemente vocais.

Para a sequência final, escutámos alguns momentos da carreira de Hiroshi Yoshimura, japonês cuja música se encontra algures entre o ambient e o minimalismo de toada melancólica; Music for Nine Postcards é um disco obrigatório! Há ainda Jim O’Rourke, de quem nunca temos suficiente, e terminámos ao som de Otis G. Johnson, uma bizarra experiência religiosa que serve para muito mais que contemplação divina.

1. BTS – FAKE LOVE (Love Yourself 轉 ‘Tear’, 2018)
2. Bad Gyal – Internationally (feat. Jam City & Dubbel Dutch) (Worldwide Angel, 2018)
3. Shygirl – O (Cruel Practice, 2018)
4. Orchestral Manoeuvres In The Dark – Joan of Arc (Maid of Orleans) (Architecture and Morality, 1981)
5. Silvia Perez Cruz – I Get Along Without You Very Well (Except Sometimes) (Granada, 2014)
6. Silvia Perez Cruz – Pequeño Vals Vienés (Granada, 2014)
7. Sara Serpa – Listening (Close-Up, 2018)
8. Sara Serpa – Pássaros (Close-Up, 2018)
9. Hiroshi Yoshimura – Soto Wa Ame (Rain Out of Window) (Music for Nine Postcards, 1982)
10. Hiroshi Yoshimura – Green (Green, 1983)
11. Jim O’Rourke – Through the Night Softly (Eureka, 1999)
12. Otis G. Johnson – Call On Jesus (Everything/God Is Love ’78, 1978)

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22/12 – Missão clássica, experimentação cantautoral, jazz e novo flamenco.

Para esta emissão, o desgaste fez-nos optar por outro tipo de realidades, e orientámo-nos segundo Panda Bear, que recupera uma melodia de Debussy no seu trabalho de 2015. Depois, continuámos com Gustav Mahler, o extraordinário Mahler, de quem conhecemos bem a primeira sinfonia; o que ouvimos aqui são composições curtas e preliminares a essa sinfonia, onde já explora temas da mesma.

Da clássica, ao jazzMiles Davis Gil Evans são responsáveis por Miles Ahead, e depois chegam os Art Ensemble of Chicago, num registo mais informal e exploratório. Agrupámo-los com Lonnie Holley Arthur Russell, num caminho percorrido em direcção ao abstracto minimal.

Até ao final, desbravámos o itinerário da história do flamenco com Niño de Elche, que juntamente com Rosalía nos mostrou novos caminhos para a música tradicional (e histórica) espanhola. Bem mais formal e relativamente erudito, está aqui um belíssimo trabalho para quem quiser aprofundar e descobrir a estética do flamenco.

E, para terminar, mais clássica, com um clássico: os Planetas, de Gustav Holst.

1. Panda Bear – Lonely Wanderer (Panda Bear Meets the Grim Reaper, 2015)
2. Gustav Mahler – II – Ging heut’ Morgen über’s Feld (Lieder eines fahrenden Gesellen)
3. Gustav Mahler – I – Wenn mein Schatz Hochzeit macht (Lieder eines fahrenden Gesellen)
4. Miles Davis, Gil Evans – Springsville (Miles Ahead, 1957)
5. Art Ensemble of Chicago – Thème Amour Universal (Les Stances a Sophie, 1970)
6. Lonnie Holley – Six Space Shuttles and 144,000 Elephants (Keeping a Record of It, 2013)
7. Lonnie Holley – How Far is Spaced Out (MITH, 2018)
8. Arthur Russell – Being It (World of Echo, 1986)
9. Arthur Russell – Hiding Your Present From You (World of Echo, 1986)
10. Niño de Elche – Fandango Cubista de Pepe Marchena (Antología del Cante Flamenco Heterodoxo, 2018)
11. Niño de Elche – El Tango de la Menegilda (Antología del Cante Flamenco Heterodoxo, 2018)
12. Niño de Elche – Martinete y Debla de Vicente Escudero (Con Baile al Sonido de Dos Motores)(Antología del Cante Flamenco Heterodoxo, 2018)
13. Gustav Holst – The Planets op. 32 – Jupiter, the Bringer of Jollity

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15/12 – Tentativa de jazz endiabrado, jornada de John Cale, flexibilidade vocal e loucura atonal.

Esta emissão não tem um início brilhante. Das duas vezes que tentámos escutar o disco dos Sons of Kemet, a música foi abruptamente interrompida, um resultado que é ainda mais anticlimático dada a irreverência festiva destes meninos. Pedimos desculpa, e recomendamos o disco.

Depois, segue-se uma jornada por música moderna, deste ou de outros anos. Primeiro, Lafawndah, que tem levantado ondas nos últimos tempos embora não tenha muita obra gravada (curiosamente, trabalhou recentemente com Midori Takada); a quem se seguem Ben LaMar GayLaurel Halo.

Mas isto foi tudo trabalho preliminar para chegar ao nome central da emissão: John Cale, membro dos Velvet Underground e produtor de renome nos anos subsequentes. Trabalhou junto dos Stooges, de quem recuperámos uma faixa, e de Brian Eno, além da obra a nome próprio que assinou (e que ouvimos também). Depois, inevitavelmente passámos pela noite de 1 de Junho de 1974, em que ambos se juntaram em palco com Nico Kevin Ayers para assinar um concerto que será de má memória para um deles. Ouçam a emissão para descobrir a história.

Até ao final, recordámos a música e a voz de Meredith Monk, que poderíamos ouvir até ao final dos nossos dias; e fechámos a loja com a brutalidade que é o novo disco dos Guttersnipe – que maravilha!

// The Sons of Kemet – My Queen Is Ada Eastman (Your Queen is a Reptile, 2018)
// The Sons of Kemet – My Queen Is Mamie Phipps Clark (Your Queen is a Reptile, 2018)
1. Lafawndah – Ally (Tan, 2016)
2. Ben LaMar Gay – A Seasoning Called Primavera (Downtown Castles Can Never Block The Sun, 2018)
3. Ben LaMar Gay – Music for 18 Hairdressers: Braids & Fractals (Downtown Castles Can Never Block The Sun, 2018)
4. Laurel Halo – Quietude (Raw Silk Uncut Wood, 2018)
5. The Stooges – Real Cool Time (The Stooges, 1969)
6. John Cale – Andalucia (Paris 1919, 1973)
7. Brian Eno – Driving Me Backwards (Here Come The Warm Jets, 1973)
8. Nico – The End (June 1, 1974, 1974)
9. Meredith Monk – Gotham Lullaby (Dolmen Music, 1981)
10. Meredith Monk – strand (gathering) (Songs of Ascension, 2011)
11. Meredith Monk – vow (Songs of Ascension, 2011)
12. Guttersnipe – Like My Voice Was Holothurin (My Mother The Vent, 2018)

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