A Mosca – 68º Edição

Já não conseguimos viver sem A Mosca.

Esta semana, o mote foi lançado pela revista britânica The Wire, especializada em música experimental, periférica e alternativa, e que é sempre um óptimo ponto de partida para refrescar os ouvidos. Na contracapa de uma das emissões que nos chegou, este mês, vi um álbum que prontamente me despertou a atenção: Nu Yorica! Culture Clash in New York City, com o explicativo subtítulo Experiments in Latin Music 1970-77. Como o nome indica, é uma compilação de nomes que, na década de 70, se destacaram no enorme melting pot nova-iorquino, numa fusão entre as influências latinas dos imigrantes, e a própria cultura americana. Daí, estavam lançadas as bases para irmos descobrir Sly & The Family Stone, nome basilar do funk (e de outras coisas também, a explorar numas próximas empreitadas), e recuperar os Parliament; embora já repetentes no programa, o ímpeto de os ouvir foi mais forte – e vem a propósito, também, do concerto de George Clinton no último Glastonbury (actuou ao mesmo tempo que Kanye West). Seguiram-se Nujabes, o lendário beatmaker nipónico cuja carreira é um marco no hip-hop instrumental, e, na mesma onda, descobrimos Floyd the Locsmif. Bem talentoso! A partir daqui, deixamos as batidas para trilhar territórios diferentes – uma das proposições essenciais deste projecto. Primeiro, passámos pela obra de Steve Reich – dose dupla, neste programa – a propósito de uma antologia que reúne vários trabalhos do compositor contemporâneo americano. Neste seu registo, é possível constatar a enorme flexibilidade musical que apresenta, e fica prometido voltarmos à sua carreira em breve. Também em dose dupla, tivemos Vashti Bunyan, outra repetente no programa; em primeiro lugar, uma colaboração com os Animal Collective: dois nomes singulares no mundo da música e cuja colaboração merece muito ser ouvida. Para terminar, passagem pelos obrigatórios Radiohead, e, para terminar, outra vez Steve Reich. Que óptima semana. E já falta pouco para a próxima emissão! Até já.

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A Mosca – 60º Edição

O início da emissão ficou entregue ao americano Gil Scott-Heron. O seu segundo álbum, Pieces of a Man (1971), foi uma das descobertas dos últimos dias e pôs-me em contacto com toda a sua carreira, e consequente importância no mundo musical e social. Já está prometido revisitar a sua carreira – rica e extensa -, mas até lá recomenda-se este álbum: um registo sincero, socialmente consciente e quase confessional, nos quais a extravagante instrumentação está no topo de forma. Prosseguindo a linha da soul, seguem-se Cody ChestnuTT Mayer Hawthorne, sendo que a este último cheguei através do documentário Our Vinyl Weighs a Ton, do qual falei na passada semana. Há sempre espaço para ouvir um dos álbuns da minha vida – In Rainbows (2007), dos britânicos Radiohead, e do qual se ouviu Nude – e complementámo-lo devidamente com a francesa Colleen e a sua delicada música com base em loops, que se afirmam inocentes e contemplativos. Havendo uma linha delineadora da emissão, traça-se aqui, porque se segue uma jornada pelo jazz de 2015. Primeiro, os The Breathing Effect apresentam o seu registo, muito sólido, que não puxa tanto ao virtuosismo como apenas nos pede um pouco da nossa atenção, mas logo de seguida, um dos álbuns do ano: Kamasi Washington, que já conhecemos de dois outros registos que por aqui passaram (To Pimp a Butterfly You’re Dead!), preparou um épico de quase três horas (!) e cuja completa digestão é demorada, mas nunca penosa – antes pelo contrário. Uma verdadeira viagem que marcou, seguramente, esta emissão. Na ressaca deste fantástico álbum passámos por um outro que será, também, um dos pontos altos do ano: o trabalho, muito recente também, da americana Timbre. De seu nome Sun and Moon, lida com a dualidade dos dois astros, reflectindo-se, claro, na música e na sua abordagem. Um duplo registo que merece a nossa atenção o mais rápido possível. Para terminar, recorda-se o sempre bem-vindo Tim Hecker – desta vez, o mote terá sido o seu registo de 2012, Ravedeath, 1972. Foi mais uma semana. Volto, com mais uma óptima hora de música, na próxima madrugada de segunda para terça-feira. Até já!

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