22/07 – Pop desembraiada, Jards Macalé e mais Brasil, Nova Iorque, Internet.

(saltámos a emissão de dia 15 – ouviu-se Yo La Tengo e pouco mais)

Desta vez, começámos embalados por deleites pop. Primeiro os Beach Boys e o seu enorme clássico, seguidos pelos Bee Gees, autores da banda sonora de Saturday Night Fever, e ainda Lil Yachty; este último é um músico contemporâneo que tem um dos singles mais absurdos, e igual medida viciantes, dos últimos anos. Vale a pena tentar.

O destaque vai para Jards Macalé, que inaugurou o palco do Festival Mimo neste dia. Falámos com ele no dia anterior. Macalé raramente é mencionado junto dos seus contemporâneos daquela fase muito entusiasmante da música popular brasileira, e é uma injustiça que assim seja; é um dos grandes vultos do seu tempo. Ouvimos duas músicas do seu disco de estreia, e fica a recomendação de que o ouçam na íntegra; e o mesmo se aplica a Nara Leão, que editara Opinião de Nara quase 10 anos antes. Fechámos esta passagem pela MPB com Caetano Veloso, gravado no Reino Unido com a ajuda de Macalé.

Sob o mote da Porto Calling, escutámos os Public Image Ltd., cujo baixista, Jah Wobble, é presença assídua neste programa, e seguimos com a fantástica compilação da Soul Jazz: New York Noise tem reunido pequenas pérolas do imensamente criativo período entre 77 e 84, e de tudo um pouco aconteceu naquela cidade nessa altura (basta recordar, por exemplo, onde andou metido Brian Eno e a própria carreira dos Talking Heads, entre outros).

Para fechar, breve antevisão do concerto de Lightning Bolt – com quem falámos também, e de quem ouvimos música numa emissão a publicar em breve – e novo trabalho de  chris†††: não é bem vaporwave, mas seria irresponsável não considerar que opera sob essa influência, e vale a pena escutar o disco social justice whatever quanto mais não seja pela experiência. A terminar, o sempre pertinente Erik Satie, aqui interpretado pelo mago das bandas sonoras dos filmes de Jacques Demy – Michel Legrand.

1. The Beach Boys – Wouldn’t It Be Nice (Pet Sounds, 1966)
2. Bee Gees – Night Fever (Saturday Night Fever Soundtrack, 1977)
3. Lil Yachty – One Night (extended) (Lil Boat, 2016)
4. Jards Macalé – Meu Amor me Agarra & Geme & Treme & Chora & Mata (Jards Macalé, 1972)
5. Jards Macalé – Mal Secreto (Jards Macalé, 1972)
6. Nara Leão – Opinião (Opinião de Nara, 1964)
7. Nara Leão – Labareda (Opinião de Nara, 1964)
8. Caetano Veloso – Nine Out of Ten (Transa, 1972)
9. Public Image Ltd. – Swan Lake (Second Edition, 1979) | sugestão da Porto Calling.
10. Mofango – Hunter Gatherer (New York Noise, Volume 2: Music From the New York Underground 1977-1984, 2006)
11. Certain General – Back Downtown (New York Noise, Volume 2: Music From the New York Underground 1977-1984, 2006)
12. Lightning Bolt – King of My World (Fantasy Empire, 2015)
13. chris††† – darude sandstorm (social justice whatever, 2017)
14. Erik Satie interpretado por Michel Legrand – Trois Gymnopédies : II. Lent et triste (Piano Works, 1997)

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A Mosca – 69º Edição

Esta semana, decidimos partir da música popular brasileria. Como tal, fomos explorar a carreira de Gilberto Gil, cujo álbum de 1969, Cérebro Eletrônico, prontamente nos impressionou. É um registo que tanto bebe da tropicália, como da experimentação. Isso agrada-nos! Depois, prosseguimos com a banda de funk americana, os The Meters, para mais tarde aterrarmos na música de Del tha Funkee Homosapien – um enormíssimo nome no hip-hop que justifica toda a atenção. Logo a seguir, revisitamos a carreira de Gang Starr, grupo que continha Guru (já por cá passou com o seu projecto Jazzmatazz) e DJ Premier. Pondo o hip-hop de parte, é altura de ouvir Bobby Womack. Há alguns anos lançou o seu derradeiro registo de estúdio, mas fomos em busca do seu trabalho de 1971, de nome Communication. De entre todas as canções, escolhemos uma interpretação de um êxito de Burt Bacharach – poderão ouvir porquê, no podcast. A partir daqui, entramos noutros terrenos musicais. Primeiro, os Stereolab, ainda numa fase inicial da carreira, com a sua música barulhenta e de muita textura; depois, os Animal Collective (talvez, a par dos Radiohead, a banda que mais figura no nosso programa?). Há ainda tempo para dois trabalhos de 2015 – o novo single dos Beach House e um trabalho de electrónica mais vanguardista da autoria de Kara-Lis Coverdale (recomendadíssimo!). Para terminar a emissão, voltamos ao ponto de partida: primeiro, ainda no registo Cérebro Eletrônico e, logo a seguir, um excerto de uma actuação ao vivo de Gilberto, com a sua música “Cálice”. Vale a pena ouvir!

Mas não é tudo, por hoje: relembramos que amanhã, a partir das 4h, A Mosca vai ter uma emissão muito especial – a primeira fora do horário das madrugadas! Será em directo, e dada a possibilidade de termos mais ouvintes, vamos relembrar alguns trabalhos que por cá passaram, na perspectiva de mostrar a mais gente em que consiste o nosso projecto. Ainda assim, vai ser, de certeza absoluta, interessante para quem já nos segue, pelo que o convite também a vós se estende.

Até já!

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