17/06 – Memórias do NPS, novos da Cafetra, Heróis do Mar e experimentação.

(pelo meio perdemos uma emissão, uma na qual não respeitámos ordem nenhuma, se leu poesia e passou coisas bem interessantes desde o primeiro minuto; como não há memória digital, não há memória física também. É uma pena, e esperamos que não volte a acontecer; um agradecimento ainda ao enorme Vítor Rua que samplámos para belo efeito no início do programa. O original está aqui, o primeiro e até agora único episódio de uma eventual experiência no Youtube)

A primeira emissão após o NOS Primavera Sound!

Nos primeiros momentos, recordámos música de Flying Lotus como tentativa de chegar à experiência que foi o seu espectáculo no festival; não estivemos nem perto, mas valeu a pena – e o seu filme Kuso já saiu oficialmente! Ainda em matéria de recordações, e dado que o disco cumpre em 2017 vinte anos de existência, fomos ouvir os Radiohead e uma das várias possíveis canções de Ok Computer. Qualquer uma cumpriria a tarefa mas optámos por Subterranean Homesick Alien; pelo caminho profanámos duplamente a carreira dos Spiritualized: chamámos-lhe Specialized (argolada nº 1) e esquecemos o nome do seu disco que também saiu em 1997 (argolada nº 2, e chama-se Ladies and Gentlemen We Are Floating in Space). Depois avançámos para os Death Grips, um nome que tem ganho cada vez mais destaque nas nossas emissões.

 Nesta emissão, fomos descobrir novos lançamentos da Cafetra Records, casa de Éme Pega Monstro. Deles ouvimos, respectivamente, músicas dos discos Domingo à Tarde Casa de Cima (e este último já pudemos conferir ao vivo). Dois trabalhos com personalidade, representantes do bom que se faz por aqui, em Portugal, neste momento.
Ainda no domínio da música portuguesa, houve resposta ao repto do Gonçalo Costa no último podcast; perguntou-nos se os Heróis do Mar eram ou não o “grupo mais reaccionário do seu tempo”. A resposta veio de um ilustre convidado: Adolfo Luxúria Canibal, um dos maiores da música portuguesa. A qualidade de som não foi a melhor; por isso, recomenda-se que ouçam a intervenção acompanhada da transcrição.

“Não, não considero que os Heróis do Mar fossem o grupo mais reaccionário do meu tempo. Houve um grande equívoco por causa de uma determinada estética que eles utilizaram, nomeadamente uma estética nacionalista, mas em termos do uso dessa mesma estética, e em termos musicais – a forma como procuraram desenvolver a música portuguesa no seu tempo -, revolucionaram muito o que se fazia na época”

“(…) e são nitidamente uma transição entre um grupo que os principais ideólogos de direita mais gostavam (sic?) anteriormente, que eram os Corpo Diplomático, e um grupo que se seguiu aos Heróis do Mar, os Madredeus – e se os enquadrarmos nesse grupo anterior e posterior, vê-se bem que os Heróis do Mar nunca poderiam ser um grupo reaccionário. Foram uma “correia de transmissão” entre estes dois grupos, entre estas duas estéticas, duas formas de desenvolver a música portuguesa e nesse sentido foram também um grupo revolucionário dentro do que se fazia em Portugal e no que se chamava a música moderna portuguesa.”

“(…) por causa da época, finais de 70 e início dos 80, com a revolução de Abril ainda recente e uma esquerda empedernida nos media, nomeadamente no Semanário Se7e, que não conseguia ver para além da cartilha ideológica, o facto de pegarem em símbolos nacionalistas e pegarem numa espécie de pré-ancestralidade do conceito de Portugal, foram apelidados de reaccionários e fascistas e coisas piores, quando isso não tinha nada a ver, e criou polémica mediática e acabou por lhes ficar cravado na testa esse símbolo, embora não correspondesse à verdade.”

A resposta à questão do Adolfo deu pano para mangas e ainda está em período de gestação. Seguimos com os Mler Ife Dada, referência da pop dos anos oitenta portuguesa.
Pela mão da Porto Calling, chegou-nos a música de Jaco Pastorius, baixista dos Weather Report que aqui se apresenta em registo de nome próprio; Portrait of Tracy é um impressionante e íntimo exercício conduzido apenas pelo seu baixo eléctrico.
Até ao final da emissão, aproveitámos os minutos restantes para explorar alguns discos de toada mais experimental e alguns contemporâneos. Os Royal Trux vieram ao Primavera Sound para um concerto de início de tarde; é um arrependimento insanável não os termos visto; de Chino Amobi ouvimos música do seu novo trabalho. Recordámos a música de Mika Vainio, com carreira predominante na área da electrónica e que nos deixou este ano; e despedimo-nos com nova experiência de Aaron Dilloway, do disco Gag File. Uma sequência final irrepreensível! 

1. Flying Lotus – Ready Err Not (You’re Dead!, 2014)
2. Radiohead – Subterranean Homesick Alien (OK Computer, 1997)
3. Death Grips – Takyon (Death Yon) (Ex-Military, 2011)
4. Éme – Tédio (Domingo à Tarde, 2017)
5. Éme – Chá com Mel (Domingo à Tarde, 2017)
6. Pega Monstro – Fado da Estrela do Ouro (Casa de Cima, 2017)
7. Pega Monstro – Cachupa (Casa de Cima, 2017)
Os Heróis do Mar são o grupo mais reaccionário do seu tempo? reflexão sobre os Heróis do Mar e as circunstâncias da sua música, por Adolfo Luxúria Canibal.
9. Mler Ife Dada – Ele e Ela…e Eu (L’Amour Va Bien, Merci, 1986)
10. Jaco Pastorius – Portrait For Tracy (Jaco Pastorius, 1976)
11. Royal Trux – Sice | Bones (Royal Trux, 1988)
12. Chino Amobi – BERLIN (Airport Music for Black Folk, 2017)
13. ø (Mika Vainio) – Hion (Metri, 1994)
14. Aaron Dilloway – Ghost (The Gag File, 2017)

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26/05 – Experiências brasileiras, jazz na pop e Lena D’Água até é fixe.

A última do mês de Maio!

Recuperámos o disco de Blood Orange, que havia feito companhia nessa semana. Houve quem dissesse, a propósito do NOS Primavera Sound, que Miguel carregava o legado de Prince às costas: mas ouça-se o projecto de Dev Hynes.

Seguimos com um dos destaques desta emissão: o maravilhoso álbum de Olivia Byington, de 1978, em perfeita deliciosa junção de rock psicadélico com experimentações várias, mas sempre no domínio de música pop. Uma pérola obrigatória! Seguimos com uma colaboração do prolífico período da tropicália.

Depois a música de Joni Mitchell, de um dos seus discos menos ouvidos, e seguimos em toada de jazz com pedidos dos ouvintes: primeiro, Bruno Pernadas, logo de seguida, BADBADNOTGOOD. 

Havia ficado pendente a resposta à pergunta da Isabel Leirós – o porquê da ressurgência de Lena D’Água, com reedições no estrangeiro e aparição no Festival da Canção – e Gonçalo Costa, estudante de Ciências da Comunicação em Braga, ousou a resposta.

Terminámos com a belíssima colaboração entre Sonny Sharrock e a sua esposa, Linda; território free jazz. Segue-se Blondie, a pedido da Isabel, e fechámos a sessão com a delicada voz de Nico, que a emprestara alguns anos antes aos Velvet Underground.

1. Blood Orange – Best To You (Freetown Sound, 2016)
2. Olivia Byington – Luz do Tango (Corra o Risco, 1978)
3. Os Mutantes + Gal Costa + Caetano Veloso + Gilberto Gil – Parque Industrial (Tropicália ou Panis et Circensis, 1968)
4. Joni Mitchell – For Free (Ladies Of The Canyon, 1970)
5. Bruno Pernadas – Valley in the Ocean (Those who throw objects at the crocodiles will be asked to retrieve them, 2016)
6. BADBADNOTGOOD – Time Moves Slow (ft. Sam Herring) (IV, 2016)
Lena D’Água até é fixea resposta à Isabel Leirós, por Gonçalo Costa.
7. LiLiPUT – Ain’t you (da compilação LiLiPUT, que reúne (todo?) o trabalho gravado da banda, 1993) | sugestão da Porto Calling.
8. Olivia Byington – Cavalo Marinho (Corra o Risco, 1978)
A Isabel não ficou convencida e pede Blondie.
9. Sonny Sharrock – Blind Willy (Black Woman, 1970)
10. Blondie – Heart of Glass (Parallel Lines, 1978)
11. Nico – These Days (Chelsea Girl, 1967)

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05/05 – Viagens pelo Espaço, pop de sintetizadores, punk, e paisagens instrumentais.

Estamos especialmente expeditos na reposição dos podcasts!

O programa desta semana fica marcado pelo iminente concerto de José Cid – realizou-se no dia seguinte, na Casa da Música – e o seu disco seminal 10.000 Anos Entre Vénus e Marte; daí, ouvimos Caos. Recordámos ainda os Monstros Sagrados, ainda dos Quarteto 1111 mas reeditado no seu disco a solo mais recente.

Depois, tempo de recordar os Beatles, a propósito do seu baterista Ringo Starr, e o disco Abbey Road; por lá ficámos algum tempo, em considerações várias sobre os britânicos e o seu baterista. Esta foi uma emissão com poucos álbuns, já que logo de seguida assentámos em Dazzle Ships, de 1983, da autoria dos Orchestral Manoeuvres in the Dark, grupo seminal do synth-pop britânico. É um óptimo disco, baseado no clima da Guerra Fria e experimental para o habitual standard deste género.

Poderia ser uma sugestão da Isabel Leirós, que estreou um novo espaço neste programa, embora de parca regularidade: o convidado de cada emissão comenta a sugestão do anterior, e sugere uma próxima; como a Isabel foi a primeira, decidiu trazer-nos um pouco de história da música britânica – ouvimos, depois, os Buzzcocks – e lançou a pergunta para o voluntário seguinte. Confiram na emissão, porque correu bastante bem.

Já com olhos postos no final do programa, avançámos para a recomendação da Porto Calling, que propôs um obrigatório nome na cena punk / experimental: Vivien Goldman, mulher de muitos ofícios, mas que nos deixou pouquíssima coisa gravada e disponível para recuperar; revisitámos o Angola 74do angolano Bonga, e terminámos em grande com, mais uma vez, os Japan. Encantaram-nos na emissão anterior, e desta vez fomos ao disco Gentlemen Take Polaroids, em paisagem instrumental.

1. José Cid – Caos (10.000 Anos Entre Vénus e Marte, 1978 (reedição 2017))
2. José Cid – Monstros Sagrados (Menino Prodígio, 2015)
3. The Beatles – Here Comes The Sun (Abbey Road, 1969)
4. The Beatles – Octopus’ Garden (Abbey Road, 1969)
5. Orchestral Manoeuvres In The Dark – Telegraph (Dazzle Ships, 1983)
6. Orchestral Manoeuvres In The Dark – The Romance of the Telescope (Dazzle Ships, 1983)
Os Buzzcocks e o punk e britpop – intervenção inaugural do cadáver esquisito, pela Isabel Leirós.
7. Buzzcocks – Ever Fallen In Love (With Someone You Shouldn’t ‘ve?) (Love Bites, 1978)
8. Vivien Goldman – Launderette (Dirty Washing EP, 1981)
9. Bonga – Ghinawa (Angola 74′, 1974)
10. Japan – Swimming (Gentleman Take Polaroids, 1980)

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