Emissão de 08/04 – Viagens transatlânticas, da Jamaica ao Japão por rota europeia.

Para esta emissão, partimos de um clássico de Bob Marley para dar início a uma sequência que, em dados momentos, esteve ligada por algo extrínseco à música que ouvimos. Do jamaicano passámos a Rihanna, a propósito de um artigo da Pitchfork sobre a sua importância e genuinidade; é algo que nos interessa e que se assume cada vez mais relevante no panorama global onde a música habita actualmente. Depois, os The Gift, mais uma vez, cujo novo disco foi produzido por Brian Eno, e sobre o qual já demos a nossa opinião. Saltámos para os Timber Timbre ainda sob alçada de música deste presente ano, e além de termos recuperado o saxofone de Colin Stetson numa das mais memoráveis músicas desta década (Hot Dreams), ficámos com música nova do grupo canadiano; e a partir deles, traçámos uma rota até aos Japan, de David Sylvian, no disco Tin Drum – fantasmas de synthpop que prometemos explorar noutra altura. A Porto Calling recomenda-nos a música de uma prolífica artista nova-iorquina, a Lydia Lunch, que já é nossa conhecida. Para terminar, uma breve passagem pelos britânicos (!) Kahondo Style, e a singular música do seu Green Tea and Crocodiles. Fechámos com Colin Stetson, mais uma vez, que tem editado regularmente e merece ser ouvido com atenção, e, depois, com Nmesh, misturado, por parecer apropriado, com algumas falas do filme My Dinner With André.

  1. Bob Marley – Baby We’ve Got A Date (Rock It Baby) (Catch a Fire, 1973)
  2. Rihanna – Consideration (feat. SZA) (ANTI, 2016)
  3. The Gift – I Loved It All (Altar, 2017)
  4. Timber Timbre – Grifting (Sincerely, Future Pollution, 2017)
  5. Japan – Canton (Tin Drum, 1981)
  6. Japan – Ghosts (Tin Drum, 1981)
  7. Lydia Lunch – Fields of Fire (Honeymoon in Red, 1987) recomendação da Porto Calling.
  8. Kahondo Style – Shangai Rain (Green Tea and Crocodiles, 1987)
  9. Kahondo Style – Green Dream (Green Tea and Crocodiles, 1987)
  10. Colin Stetson – Judges (New History Warfare Vol.2: Judges, 2011)
  11. Nmesh – ΛVΘN™ NiteMare Liquid Mascara (feat. 회사AUTO) (Adulterada com passagens do filme My Dinner With André, Dream Sequins ®, 2014)

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Edição 93 – A amálgama musical dos Stereolab, novo single de Beck, e a irreverência dos Crainium.

Decorrido mais de um mês desde a última edição do podcast, pedimos as devidas desculpas e prestamo-nos à música.

Desta vez, abrimos com o novo single do americano Beck, que pisa terrenos alheios ao que tem feito nos últimos anos. Chama-se WOW – e deixou-nos com elevadas expectativas para o seu próximo disco. Tempo ainda para recuperar um dos pontos altos do concerto de White Fence, em Braga, com uma das músicas do projecto paralelo de Tim Presley: chama-se W-X; e também, claro, a mixtape pela qual tanto aguardámos: Chance the Rapper traz-nos Same Drugs.

O projecto ao qual demos mais destaque nesta hora segue-se: chamam-se Stereolab, vêm de Inglaterra, e são uma das mais entusiasmantes e camaleónicas bandas dos anos 90. No seu repertório constam mais de 10 álbuns de estúdio, mais uma série de EPs (entre eles, umas colaborações com os Nurse With Wound!). Sem entrar em muitos detalhes técnicos, digamos que são uma banda composta por melómanos; só assim se explica a imensa variedade de influências que constam nos seus trabalhos. Ouve-se o drive frenético do krautrock, as inocentes melodias das canções francesas, e as experimentações que sempre pautaram os artistas avant-garde. Destes Stereolab ouvimos 3 músicas, todas de discos diferentes.

E, como não podia deixar de ser, alguém colheu os frutos que os Stereolab plantaram; neste caso em particular, ouvimos os Broadcast, também ingleses, que no início da sua carreira foram sobejamente comparados aos primeiros. Felizmente, souberam usar essas comparações a seu favor e também lançaram óptimos discos. Deles, recomenda-se o disco Tender Buttons (2005).

Porto Calling  convida-nos, desta vez, a ouvir os Lost Themes (2015) de John Carpenter. O realizador também fez, em tempos, alguns trabalhos musicais, de forma a que pudessem complementar os seus filmes (não esqueçamos o filme The Thing (1982), realizado pelo americano). Aqui, ouvimos um ambient tenso, e tenebroso, até.

A entrar na recta final do programa, ficámos com os Gang Gang Dance e uma recordação do seu trabalho Eye Contact (2011). Na altura, foi um disco que não me impressionou muito; à medida que os anos vão passando, gosto de o redescobrir. Vêm a propósito porque alguns dos seus membros integraram um curioso grupo de nome The Crainium, que produz música imprevisível e de longos rasgos de energia. Pode, claro, ligar-se às correntes nova-iorquinas do no wave, assim como, de certa forma, à atitude do free jazz. O disco chama-se A New Music For A New Kitchen (1998).

Para fechar a emissão, não podíamos passar ao lado do novo dos RadioheadA Moon Shaped Pool. Assim sendo, recuperámos a última faixa do seu EP I Might Be Wrong: Live Recordings (2001), que, como o nome indica, consiste em gravações de alguns dos seus concertos. Foi aqui que muitos ouviram, pela primeira vez, a icónica True Love Waits, que os britânicos finalmente gravaram em estúdio. Pela nostalgia, ouvimos a versão original e que há mais tempo nos acompanha.

Estão lançadas as pistas para esta edição do programa. Espero que gostem!

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