Os directos de Março.

Desde há algum tempo para cá, quando finalmente me conformei com a ideia de que é, afinal, extremamente difícil manter um ritmo apropriado para as emissões em podcast (a última foi a do vaporwave, número 98), tenho pensado em arquivar as emissões em directo da Rádio Lisboa. Pela sua natureza – são directos, logo mais voláteis e propensos ao erro – não apreciei a ideia; no entanto, há nomes que apenas lá passam e momentos (musicais, e não só) que merecem, porventura, ser perpetuados.

Por isso, arquivamos neste post os três programas que Março já nos deu. São as emissões de dia 3, 10, e 17. Daqui para a frente, conto publicar os programas no fim-de-semana respectivo.

Emissão de 03/03 – Thundercat, Jens Lekman, Jazz e experimentação.

Esta semana foi marcada pelos novos lançamentos de Thundercat Jens Lekman. O primeiro é um dos músicos favoritos d’A Mosca, dadas as suas colaborações com os inevitáveis Kendrick Lamar e Flying Lotus; o segundo, um agradável nome desde o disco Night Falls Over Kortedala. Depois, seguimos com algum jazz (os clássicos Charlie Parker Dizzy Gillispie), para depois enveredarmos por temas mais experimentais: aí, ouvimos os La Societé des Timides a la Parade des Oiseaux, que soam como uns The Residents mais amigáveis, e, logo de seguida, Amnesia Scanner, com um trabalho deste ano. Lemos ainda um conto de Virgilio Piñera, e fechámos com Julie Byrne.

  1. Thundercat – Friendzone (Drunk, 2017)
  2. Thundercat – Heartbreaks + Setbacks (Apocalypse, 2013)
  3. Thundercat – Them Changes (The Beyond / Where The Giants Roam, 2015)
  4. Thundercat – Song for the Dead (The Beyond / Where The Giants Roam, 2015)
  5. Jens Lekman – To Know Your Mission (Life Will See You Now, 2017)
  6. Jens Lekman – Hotwire the Ferris Wheel (Life Will See You Now, 2017)
  7. Charlie Parker & Dizzy Gillispie – Bloomdido (Bird and Diz, 1950)
  8. Charlie Parker & Dizzy Gillispie – Mohawk (Alternate Take) (Bird and Diz, 1950)
  9. Jah Wobble & the Chinese Dub Orchestra – Space/L1 Dub/L1 Solitude
  10. Saint Pepsi – Enjoy Yourself (Late Night Delight, 2013) | recomendação da Porto Calling.
  11. La Societé des Timides a la Parade des Oiseaux – Le Portrait de Dora Maar (Les Explositionnistes, 1995)
  12. Amnesia Scanner – TRUTH mixtape (excerto)
Conto de Virgilio Piñera, ‘A Troca’, no livro ‘O Grande Baro e outras histórias’.
  1. Julie Byrne – Natural Blue (Not Even Happiness, 2017)

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Emissão de 10/03 – Drake, sample de Kanye West, arte de Tim Buckley e pop em fast forward.

Desta vez, começámos orientados pela maravilhosa música de Margo Guryan (que merece constar numa das emissões canónicas do podcast), no seu único disco de estúdio que tanto deve ao psicadelismo e ao que mais tarde veio a ser conhecido por chanson, como débito à cultura francesa. Depois, uma curta incursão pela música de Drake, a propósito de um artigo no Ípsilon, e seguimos em busca de um sample utilizado na música de Kanye West e cuja autoria se deve a Sister Nancy, que havia, nessa semana, sido referenciada na Pitchfork como detentora de uma das melhores músicas de dancehall. Passámos pelo disco novo de Father John Misty (que ainda nem saiu – oops!), recordámos Cage the Elephant, e, logo de seguida, a imponente voz de Tim Buckley: enquanto não preparamos a emissão que lhe dedicaremos na íntegra, ficámos com mais um pouco do disco Starsailor, uma autêntica obra-prima do jazzfolk, e tudo o mais onde Buckley decidiu tocar neste seu disco. Até ao final, houve ainda Bruno Pernadas, e logo de seguida um excerto de John Coltrane, para terminarmos com a música de Blümchen, uma espécie de cantora juvenil para os jovens alemães, que trouxemos a propósito de possíveis ligações estéticas com a PC Music (tanto quanto se pode estar ligado com 20 anos de distância), e que merece que lhe ouçamos o disco pelo menos uma vez – por motivos de ciência, claro. Fechámos com Uyama Hiroto, cujo trabalho Freeform Jazz promete conquistar muita gente por aí fora.

  1. Margo Guryan – Love Songs (Take a Picture, 1968)
  2. Drake – One Dance (Views, 2016)
  3. Drake – Too Good (Views, 2016)
  4. Sister Nancy – Bam Bam (One Two, 1982)
  5. Kanye West – Famous (The Life of Pablo, 2016)
  6. Father John Misty – Total Entertainment Forever (Pure Comedy, 2017)
  7. Father John Misty – Things That Would Have Been Helpful to Know Before the Revolution (Pure Comedy, 2017)
  8. Cage The Elephant – Trouble (Tell Me I’m Pretty, 2015)
  9. Tim Buckley – Moulin Rouge (Starsailor, 1970)
  10. Tim Buckley – Come Here Woman (Starsailor, 1970)
  11. Bruno Pernadas – Valley in the Ocean (Those Who Throw Objects at the Crocodiles Will Be Asked to Retrieve Them, 2016) | recomendação da Porto Calling.
  12. John Coltrane – Africa (Africa/Brass, 1961)
  13. Blümchen – Rosa Wolke (Herzfrequenz, 1996)
  14. Uyama Hiroto – Laidback (Freeform Jazz, 2016)

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Emissão de 17/03 – Thomas Mann, exotismo nipónico e outras aventuras asiáticas.

Começámos com uma leitura de um excerto da ‘Morte em Veneza’, do alemão Thomas Mann, ao qual voltaríamos no final da emissão; e recuperámos trabalhos recentes de Jessy LanzaThe Magnetic Fields, Real Estate. Depois, o nome de Hiroshi Sato, teclista japonês que, em Orient, apresenta algo inclassificável, entre a música pop e o exotismo que a nós nos fez pensar em José Cid, nos seus trabalhos mais esotéricos. Ainda em território asiático, ficámos com duas canções de Indonesia Pop Nostalgia, música que é simultaneamente pop e dirigida a um público infantil (e são, como poderão ouvir, coisas bem arrojadas, e passíveis de sinalização pelas organizações de saúde para os mais pequenos). E já irremediavelmente perdidos, seguimos pelo reggae e, logo de seguida, pela poderosa música de John Zorn. Acabámos com Naked City, um excelente trabalho que merece uma emissão canónica, e, ainda, mais uma leitura da pequena novela de Thomas Mann.

Leitura dum excerto de ‘Morte em Veneza’, de Thomas Mann.

  1. Jessy Lanza – VV Violence (Oh No, 2016)
  2. Jessy Lanza – I Talk BB (Oh No, 2016)
  3. The Magnetic Fields – ’71: I Think I’ll Make Another World (50 Song Memoir, 2017)
  4. The Magnetic Fields – ’86: How I Failed Ethics (50 Song Memoir, 2017)
  5. Real Estate – Stained Glass (In Mind, 2017)
  6. Hiroshi Sato – カリンバナイト (Tsuki No Ko No Namae Wa Leo) (Orient, 1979)
  7. Hiroshi Sato – ピクニック (Picnic) (Orient, 1979)
  8. Aneka Ragam – Hidupku Untuk Tjinta (Indonesia Pop Nostalgia, 2012)
  9. Ira Maya Sopha – Buah Manggis  (Indonesia Pop Nostalgia, 2012)
  10. Dadawah – Zion Love (Peace and Love, 1975) | recomendação da Porto Calling.
  11. John Zorn – A Ride On Cottonfair (The Dreamers, 2008)
  12. John Zorn – Nekashim (The Dreamers, 2008)
  13. Naked City – You Will Be Shot (Naked City, 1989)

Leitura dum excerto de ‘Morte em Veneza’, de Thomas Mann.

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