Edição 90 – Feminismo dos Le Tigre, desafios à pop, e electrónica espacial.

Mais uma edição d’A Mosca!

Começámos com a recentemente recuperada música de Ata Kak, pseudónimo artístico do rapper (num sentido muito abrangente da palavra) Atta-Owusu; a sua história é interessante, assim como o é em igual medida a sua música – uma mistura de rap, música americana dos anos 90, e sons tradicionalmente africanos. Seguiu-se a interventiva música dos Le Tigre, histerismo punk q.b., cujo álbum de estreia de uma curta carreira é um poço de boas memórias e música muito divertida.

A sugestão da Porto Calling leva-nos ao imaginário do poeta/músico John Cooper Clarke, intimamente ligado à cena punk, que nos canta I Don’t Want To Be Nice no disco de 1978, Disguise In Love. 

Depois, entramos em território mais arriscado. Recuperámos um disco de 2015, Forgiveness, dos misteriosos Goodbye que parecem não ter muito interesse em fazer música fácil – embora pareça que conseguiriam, bastando querer. Apelam à electrónica dissonante e experimental – chega, por vezes, a ser abrasiva – sem nunca perder de vista a noção musical da pop. O resultado é estranho, mas estranhamente chamativo: o disco tem uma mão cheia de excelentes músicas, das quais ouvimos duas óptimas amostras. Além disso, ainda houve tempo para ouvir uma música dos 18+, um grupo muito interessante e extremamente crítico dos cânones estabelecidos da pop.

Dada a entrada na electrónica, daí não mais saímos até ao final da emissão. Fomos ao baú buscar dois nomes que marcaram o panorama da electrónica experimental da década de 60: primeiro, os Silver Apples – que até começaram como um projecto de rock – e o uso de instrumentos da física, os osciladores, na sua música; segundo, os White Noise, grupo britânico que contou com a participação de Delia Derbyshire em algumas das composições. Estes últimos estiveram intimamente ligados às experiências da BBC Audio Workshop, e o seu disco An Electric Storm é um portento no que toca a colagens sonoras, e todas as técnicas que na altura eram possíveis com a manipulação de fitas (diz-se, até, que este disco tem mais cortes que o Sgt. Peppers!).

Para terminar, fomos brevemente assaltados pela melancolia de John Cale, ex-Velvet Underground, e uma quase balada do seu disco A Music For a New SocietyFoi a melhor forma de terminar esta semana.

Voltamos em breve, com mais uma emissão; até lá, esperamos que se divirtam muito com esta!

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