Edição 89 – O longo take na música, e o saxofone experimental.

A Mosca voltou com mais uma emissão!

Desta vez, privilegiámos o longo take – isto é, as músicas que sabem prolongar a sua estadia, ao longo de mais de cinco minutos, e, por isso, fogem aos tradicionais cânones de composição.

No entanto, não apenas das maiores composições viveu o programa. Ainda a reviver bons discos de 2015, começámos pelo novo dos GnodInfinity Machines, do qual ouvimos o mais próximo que houve de um single. Foi recorrente, ao longo da emissão, referir que muitos dos trabalhos ouvidos são ecléticos e uma música apenas não representa toda a pluralidade sónica do disco – o mesmo acontece aqui. Depois, seguiram-se os The Thing, com o saxofonista Mats Gustafsson ao leme, a levar ao instrumento uma intensidade evocativa do que tem feito Colin Stetson nos últimos tempos; deste último, recordámos o trabalho do ano passado, juntamente com Sarah NeufeldThere Were The Way She Was.

Agora, sim – dedicamo-nos às longas. Primeiro, a sugestão da Porto Callinga trazer Roy Harper, um compositor inglês cujo trabalho Stormcock (1971), do qual ouvimos ‘Hors D’Ouevres’, é um dos mais reconhecidos. À sua música, junta-lhe uma série de influências às quais pede emprestada as liberdades que utiliza nas suas composições. Nunca deixa a folk esquecida, no entanto.

A segunda sugestão é um dos discos do ano para a revista Wire. Joshua Abrams, do grupo Natural Information Society, fiel ao instrumento africano guembri (uma espécie de baixo de três cordas, proeminente na África do Norte) dedica muito do disco Magnetoception aos devaneios musicais, algo improvisados, sustentados neste instrumento. Diz o próprio, numa entrevista,

“If our music’s political, it’s because it offers the possibility of slowing down. (…) We live in the age of attention and availability, and I’m not saying this is Luddite protest music, but it is offering a certain level of experience, and it operates in slightly different ways.” – Joshua Abrams, entrevistado por Marc Masters, na Pitchfork.

o que, por si só, muito dos diz sobre as intenções da sua música.

Seguem-se os psicadélicos Third Ear Band, e uma música do seu disco homónimo, mas que mais tarde veio a ter o nome de Elements, que alude aos quatro elementos que em tempos se acreditou formarem o nosso planeta. São composições improvisadas, muito rítmicas e densas, com um intenso charme medieval. O disco é de 1970, embora pudesse ter sido gravado há muito, muito mais tempo.

Para terminar, mais uma pérola da música japonesa. A percussionista Midori Takada, artista versada no mundo do jazz, assume aqui uma postura a tender para o contemplativo, sobretudo na música que escolhemos e que abre o seu disco Through The Looking Glass (1981). Repleto de instrumentais, é, como em inglês se diria, dreamlike. É uma jornada diferente, e assim termina a nossa emissão.

Espero que tenham gostado. Voltamos, em breve!

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