A conversa com Allen Halloween.

A música portuguesa de 2015 fica indelevelmente marcada pelo lançamento do álbum de Allen Halloween, Híbrido, que conta como terceiro na carreira do rapper. Alguns conhecê-lo-ão apenas da música Dia de um dread de 16 anos, que remonta ao ano de 2006. Outros, nunca o ouviram devido à imagem gangsta, justamente ou não, que lhe é associada. E há quem não queira nada a ver com o assunto porque é hip-hop, mas com esses tenhamos paciência!

Ao longo dos anos, Allen vem cimentando o seu lugar como uma das maiores referências no hip-hop cantado em português, a quem se lhe reconhece um talento ímpar na arte de contar histórias, frequentemente retratadas a partir de uma perspectiva pessoal (e há óptimos exemplos no seu novo álbum, que ouvimos ao longo da entrevista). A persona artística Allen Halloween é indissociável do homem Allen Pires Sanhá, e é dotada de uma credibilidade rara no nosso hip-hop; este contacto privilegiado com a realidade, crua e cruelmente como a viveu ou viu ser vivida, é estranha a muitos dos que o ouvem, e choca – repugna até – muito do seu auditório.

A experiência para quem fica é extremamente enriquecedora. Halloween nunca foi, e muito menos o é agora, um artista unidimensional. As suas letras estão carregadas de comentário social e convicções políticas, e, musicalmente, atingiu uma maturidade que lhe permite pescar várias influências e construir um som ímpar no hip-hop nacional.

Na conversa, falou-se de muito: desde o seu novo álbum, às influências (e, mais particularmente, o rapper General D), e também temas que o próprio levanta nas músicas de Híbrido – entre eles, o conceito de livre arbítrio no Homem.

No último ano, de entre todas as entrevistas que pude realizar, esta foi especial. Pela importância de Allen Halloween na nossa cultura musical, e pela conversa que proporcionou. E agora que A Mosca chega a mais ouvidos, faço questão de a partilhar uma outra vez, e espero que dela gostem tanto como eu gostei de a fazer.

Até já!

(ouvimos, durante a entrevista, Karapinhas ao Ataque de General D e os Karapinhas, Jesus Loves MeLivre Arbítrio, e Marmita Boy de Allen Halloween)

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