Edição 83 – A música conceptual de James Ferraro, e a devoção de Alice Coltrane.

Esta semana, o programa começa com música nova de Animal Collective – um single que segue com a segunda mudança bem metida sem nunca abrandar, e dedicado a um psicadelismo soalheiro e mexido – e Car Seat Headrest, o projecto de Will Toledo que tem dado que falar nos últimos tempos. Segue-se o projecto-colaboração entre Prince Fatty Mutant Hi-Fi, que desenharam a banda-sonora de um filme que ainda não existe; a existir, seria um daqueles antigos westerns, carregados de efeitos especiais à Star Wars e muitos tetriminos à mistura. É um óptimo disco, muito interessante na abordagem que fazem, pegando em várias influências, e sempre divertido.

Passamos ao destaque desta emissão, James Ferraro, cujo novo LP deste ano revolve conceptualmente na Los Angeles dos anos 90. É uma abordagem que remonta ao seu registo de 2011, Far Side Virtual: desde então, deu-se uma mudança no âmbito musical no artista, e todos os seus discos passaram a ter uma forte componente conceptual. Juntamente com um outro álbum de Daniel Lopatin (Oneohtrix Point Never/Chuck Person’s Eccojams Vol. 1), Far Side Virtual ajudou a definir os alicerces sonoros do vaporwave, através do extenso uso de samples e da re-apropriação de sons para criar música com um fortíssimo poder narrativo. Além disso, e aqui demarca-se do trabalho de Lopatin, Far Side Virtual pode entender-se como uma forma de crítica ao consumismo desenfreado, à nossa dependência tecnológica, e à falsidade materialista que tomou conta das nossas vidas. O próprio explica-o melhor: “If you really want to understand Far Side, first off, listen to Claude Debussy, and secondly, go into a frozen yogurt shop. Afterwards, go into an Apple store and just fool around, hang out in there. Afterwards, go to Starbucks and get a gift card. They have a book there on the history of Starbucks—buy this book and go home. If you do all these things you’ll understand what Far Side Virtual is—because people kind of live in it already”.

Quanto ao seu novo disco, Skid Row, segue esta linha de música cinemática e evoca a Los Angeles dos anos 90, e, ao contrário de Far Side VirtualFerraro alinha numa espécie de r’n’b mutilado, que, na minha opinião, não é de fácil audição. Possivelmente, o registo em que a experiência correu menos bem, mas, quanto a isso, o tempo o dirá.

Há ainda tempo para a fantástica música de Alice Coltrane, que, numa segunda fase da sua carreira, se dedicou à música religiosa e de devoção. Mas não se enganem! Não deixa de ser um óptimo registo e onde Alice continua a encantar. Damos destaque ao seu álbum Divine Songs – e, com este título, está tudo dito. Para a fase final, reservámos Glenn Branca, num dos seus trabalhos menos conhecidos, no qual compõe para orquestra e com o intuito de servir como acompanhamento musical a uma coreografia. Terminámos com os A Winged Victory for the Sullen e um dos melhores temas do seu primeiro álbum, muito diferente do Atomos que vieram apresentar a Braga na última sexta feira – para melhor, diga-se!

Assim passou mais uma semana! Não se esqueçam que podem subscrever A Mosca e receber os podcasts mal estejam disponíveis!

83

Anúncios

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão / Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão / Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão / Alterar )

Google+ photo

Está a comentar usando a sua conta Google+ Terminar Sessão / Alterar )

Connecting to %s