Dia Mundial do Cinema e relacionados.

Ontem, dia 5 de Novembro, comemorou-se o Dia Mundial do Cinema. É uma bonita efeméride, que nos recorda o nosso enorme gosto de ver filmes. Nesse sentido, o Arte-Factos reuniu a sua equipa e juntar os vários filmes que nos marcaram; eu não consegui fugir ao incontornável Elephant, de Gus Van Sant, que foi até, creio eu, o primeiro filme de que se falou – duma forma muito rudimentar – aqui n’O Coprófago. Podem consultar o artigo, na íntegra, no link.

91hC8v+LIVL._SL1500_Além disso, aproveito para deixar uma breve nota sobre os filmes que tenho visto ultimamente. Primeiro, não posso deixar de mencionar os filmes de Sidney Lumet. Já da última vez os tinha mencionado – com uma promessa de, mais tarde, lhe dedicar uma maior atenção – e não consigo, de forma alguma, afastar-me da sua filmografia. Desta vez, segui com The Pawnbroker (1965), sobre um judeu solitário que tem por sua conta uma loja de penhores, e uma vida toldada pelo horror do Holocausto. Filmado ainda a preto e branco, a belíssima e expressiva cinematografia ficou a cargo de Boris Kaufman (que, descobri entretanto, é irmão de Dziga Vertov, um dos mais celebrados nomes do cinema russo, e mundial!); e embora o filme fuja um pouco ao traço moral que reconheci aos mais recentes trabalhos do realizador americano, não deixa, ainda assim, de ser muito interessante, num óptimo registo de retrato humano.  Além desse, vi também um outro épico da sua carreira, de nome Prince of the City (1981). Numa primeira instância, associei-o a uma espécie de remake de Serpico, que teve Al Pacino no papel principal. Ora, em boa verdade, a temática é semelhante, com retrato de polícias que se vêm envolvidos em complexos sistemas de corrupção. No entanto, o tom de PooC é diametralmente oposto ao de Serpico, sendo mais cru, realista, e menos romantizado – e, desta vez, a personagem principal faz parte da facção corrompida. É um fantástico filme, tenso e brilhantemente construído. Permitam-me acrescentar que, restando-me apenas um par de filmes para terminar o grosso do trabalho de Lumet, estou simultaneamente a terminar a leitura do seu livro Making Movies, editado em 1996, e que é simplesmente obrigatório para quem gosta de cinema. Lumet descreve, ao longo de cada capítulo dedicado a uma parte da realização (desde a escolha de guião, à filmagem, à edição, etc.) o processo da feitura do filme, com o trato de quem, tanto no cinema como na escrita, é capaz de contar boas histórias.

relatos-salvajes-posterFora do âmbito de estudo de um realizador, passei por alguns filmes mais recentes. Relatos Salvajes (2014), de Damián Szifron, fruto de produção argentina, foi um dos filmes mais bem conseguidos que vi nos últimos tempos. É, de uma forma sucinta, um filme divertido – o que, claro, é um elogio – resultado de uma amálgama de várias pequenas histórias, como se fossem sketches, ou curtas-metragens, sob o tema comum de vingança, sátira, e humor negro e surrealista. Surpreendentemente, o trabalho final é bastante coeso, e nenhuma das histórias se destaca como descartável – contribuem todas para um gigantesco bolo de loucura “só porque sim”. Esta foi uma recomendação do nosso cineasta António-Pedro Vasconcelos, que participou numa palestra sobre o estado do Cinema em Portugal há cerca de duas semanas (há um artigo pendente sobre esse assunto…); nessa altura, e tomado pelo cepticismo de quem vive esta situação precária há demasiados anos, disse que “o cinema marroquino dá 10-0 ao nosso. O cinema argentino, então, nem se fala. 100 a 0!”.

tangerine_xlgVi também outro filme de 2015, um curioso filme chamado Tangerine realizado por Sean Baker. A sua narrativa está sustentada num único dia nas vidas de três indivíduos: um taxista arménio, e duas prostitutas transexuais. Posto isto, o filme desenrola-se, aprofundando a humanização de cada uma das personagens através das pitorescas situações que vivem, complementando o norte cómico que pontilha todo o filme. Há também um outro pormenor interessante: Tangerine foi filmado exclusivamente com iPhones 5S; sem menosprezar este feito técnico, que se pode extender à importância de meios digitais e acessíveis no cinema independente, é de salientar que o filme vive muito para além deste gimmick. O resultado final, independentemente disso, é surpreendente. Tangerine é um filme bem conseguido e descomprometido com o que se vai fazendo mundo fora.

Faltavam mencionar ainda uma mão cheia de filmes – revi Vertigo, de Hitchcock, vi Os Mutantes, uma produção nacional de Teresa Villaverde (bom!), o hermético filme de Dennis VilleneuveEnemy, baseado no ‘Homem Duplicado’ de Saramago, e Being There, um bonito e simples filme de Hal Ashby. Por esta semana é tudo!

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