A palestra de Brian Eno sobre o papel da arte e cultura.

BrianEno_EBJohn Peel foi uma enormíssima personalidade da rádio britânica BBC, a quem muitas vezes se comparou o “nosso” António Sérgio na capacidade de trazer música diferente aos seus ouvintes. Em sua honra, a BBC organiza, anualmente, uma palestra onde convida uma personalidade musical a discutir música, ou assuntos relacionados com cultura; e para este ano, depois de nomes como Iggy Pop ou Pete Townshend, foi a vez de Brian Eno.

O artista britânico tem uma das carreiras mais importantes na história da música moderna – ou melhor, de toda a história da música -, com um contributo enorme na definição do silêncio como elemento activo, a atenção à produção da sua música, e as imensas colaborações com outros artistas. A exemplo da sua polivalência musical, basta reparar que, no ano de 1978, foi autor de um dos álbuns mais influentes da música ambientMusic For Airports 1, como foi responsável pela curadoria da compilação No New York, um dos marcos do movimento musical no-wave. E podemos também mencionar o seu trabalho como produtor de David Bowie, ou no álbum Remain In Light, dos Talking Heads.

Como tal, a palestra do último dia 27 de Setembro tinha tudo para ser algo realmente especial. E foi! Eno dedicou grande parte da sua hora ao tema da cultura e da arte. Definiu esse conceito de uma forma genial – a arte é “tudo o que não temos que fazer” – e expôs todo o consequente raciocínio de uma forma clara, envolvente, e progressivamente mais abrangente: ao longo da palestra, abordou temas como a errada percepção de que a arte e a cultura são menores, em contextos financeiros e de progresso da sociedade, em relação à ciência; da necessidade humana de recuperar a imaginação livre e recreativa da infância, através do sentimento de abstracção que, por exemplo, a leitura de um livro nos concede; a capacidade que o ser humano tem de desenvolver empatia com outras realidades de vida por meio da arte; e, para finalizar o rol de exemplos, o seu positivismo refrescante em relação ao futuro da humanidade, repleta de automação e tecnologia, onde todos serão artistas por não terem nenhuma outra necessidade mais imediata.

A gravação da conversa ficou documentada em áudio, e está, durante os próximos 22 dias, disponível em streaming no site da BBC. Podem ouvi-la aqui; se preferirem, a transcrição completa em formato texto também está online aqui. Além disso, na próxima emissão d’A Mosca, vamos recuperar alguns momentos da sua carreira, assim como alguns excertos desta sua palestra.

“When you go into a gallery, you might see a most shocking picture. But actually you can leave the gallery. When you listen to a terrifying radio play you can switch the radio off. So one of the things about art is it offers a safe place for you to have quite extreme and rather dangerous feelings.” 

Anúncios

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão / Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão / Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão / Alterar )

Google+ photo

Está a comentar usando a sua conta Google+ Terminar Sessão / Alterar )

Connecting to %s