Simon & Garfunkel – Parsley, Sage, Rosemary and Thyme

Esta passada semana parei por 29 minutos e dediquei-me à imersão no mundo da música, escolhendo para companhia um grupo que há muito me apoquentava: os americanos Simon & Garfunkel. A sua carreira é indissociável do espírito da contracultura americana que fervilhava em Greenwich Village, Nova Iorque, e que contrariava categoricamente a América consumista, desumana, e desprovida de um sentido de moralidade; foi este mesmo movimento a acolher uma diversa comunidade artística, como a beat generation literária de Jack Kerouac e William S. Burroughs, ou também a cena folk que serviu de trampolim à carreira de Bob Dylan.

Para este álbum, e ao contrário dos dois registos anteriores, os dois músicos americanos reclamaram um maior controlo sobre o processo de produção, no qual se demoraram nove meses, sempre em busca de uma sonoridade e conceito mais refinados. O tempo não tardou a mostrar que foi, realmente, uma aposta ganha: o registo apresenta-se mais coeso e com uma clara identidade. Musicalmente, falamos de uma junção entre folk e o rock, sendo que por um lado, temos a sensibilidade lírica e a componente narrativa, herdadas de um certo classicismo do género (uma influência como, a exemplo, se pode ouvir na primeira canção “Scarborough Fair Canticle”, herdada da música tradicional inglesa do séc. XVIII), e por outro, a notória rebeldia que rompe com a tradição musical da folk e encontra um espaço musical além das simples harmonias vocais e da guitarra acústica.

A proeza musical faria de Parsley, Sage, Rosemary and Thyme, por si só, um bom álbum – mas a componente lírica é importantíssima na carreira de Simon & Garfunkel. Neste registo, as letras são intimamente pessoais e paradoxalmente universais; vejamos a canção “Patterns”, e a epifânica noção que todos temos, a dada altura das nossas vidas, da intrincada teia que tecemos com as nossas acções e decisões, ou as socialmente conscienciosas “The Big Bright Green Machine”, mais atrevida na sua composição musical, que parodia os subterfúgios consumistas da sociedade americana, o culto à produtividade desenfreada e a cultura popular contemporãnea, e a última canção do álbum “7 O’Clock News Silent Night”, onde ouvimos uma referência – que terá sido, afinal, uma homenagem – ao comediante americano Lenny Bruce e à sua mensagem.

Ao seu terceiro álbum de estúdio, Paul Simon e Art Garnfukel ainda respiram o ambiente divertido e descontraído da contra-cultura tão proemininente na américa da década de 60, não sem antes lhe intrometer uma melancólica sensação de realismo e responsabilidade, através da poesia que desmascara, lentamente, a ilusão de um estilo de vida hippie. Assim, acordam para a dura realidade do american dream, mas este é um acordar suave, como que depois de um sonho, daqueles que recordamos para toda a vida.

Anúncios

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão / Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão / Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão / Alterar )

Google+ photo

Está a comentar usando a sua conta Google+ Terminar Sessão / Alterar )

Connecting to %s