Steve James – Life Itself

life-itself-poster1Façamos um exercício: consideremos a Terra um palco; nela, vão e vêm diferentes actores desempenhar o seu papel, em performances de improviso e sem direito a segundos takes. No longo, infinito carreirinho de pessoas, vemos Roger Ebert, com o dócil, mas matreiro sorriso que complementa um olhar que sempre se viu atento e curioso. Na fugacidade da sua estadia no grande plano, dedicou grande parte da sua vida à contemplação de um outro palco, imensamente mais pequeno, mas cujas possibilidades são igualmente infinitas.

Para alguém que viveu de forma tão apaixonada a sétima arte, e nela encontrava assiduamente um refúgio, é natural que tenha querido uma última perpetuação cinemática, a complementar os vários textos e livros que foi escrevendo ao longo da sua vida. Assim nasceu Life Itself, com realização de Steve James, na ambição de contar a sua história: desde a infância em Illnois, aos primeiros empregos jornalísticos, passando pelo primeiro Pulizter de sempre entregue a um crítico cinematográfico. Além da carreira, explana-se também pela vida pessoal do americano, com uma especial incidência nos seus últimos anos, marcados pela infelicidade de um cancro que lhe forçou a decisão de remover parte do queixo. No entanto, constatamos que Ebert não esmorece, e encontra na adversidade uma força incrível, dando-lhe força e motivação para continuar a sua própria arte – semelhante à própria proposição d’O Coprófago – de escrever sobre a arte, por forma a atingir também um mérito estético e artístico. É um honesto levantar da cortina que nos permite ver o homem por trás da celebridade jornalística, em todos os seus altos e baixos. Life itself, como o próprio título indica.

“In the past 25 years I have probably seen 10,000 movies and reviewed 6,000 of them. I have forgotten most of them, I hope, but I remember those worth remembering, and they are all on the same shelf in my mind.” – Roger Ebert

Desta forma, perpetuo também o meu pequeno e singelo tributo a uma personalidade que imensamente admiro. A sua ímpar capacidade de articular os seus sentimentos acerca de um filme é absolutamente soberba e, por si só, motivou o amor pelo cinema em tantas outras pessoas; frequentemente procuro as suas críticas a filmes que vou vendo, para que possa trocar impressões. Nem sempre estamos em concordância, mas as suas palavras evocam-me sempre um sorriso. Assim como o faz este filme, e assim como o faz Life Itself – a própria vida.

Roger Ebert & Gene Siskel

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